Dez Razes para Amar
Liesa Abrams
Coleo Primeiro Amor

Sinopse: 

Erica acha todo tipo de romantismo ftil e desnecessrio. E ela tem certeza que jamais se render a uma paixonite aguda, mesmo gostando de Frank London, o srio 
e compenetrado editor do jornal da escola. Frank  o cara perfeito: inteligente, srio, maduro... e tambm no d a mnima para bobagens do corao. Bem diferente 
de Paul, melhor amigo de Erica. Mas  com Paul que ela faz as coisas que ela mais gosta e sabe que ele a entende como ningum. Ser que na verdade Erica  uma romntica 
de planto? Ou pior: ser que est apaixonada - o mais sentimentalmente possvel pelo seu melhor amigo?

Prlogo

SETEMBRO

- melhor voc se exibir para sua torcida organizada - dei um largo sorriso para Paul, inclinando minha cabea na direo das meninas superanimadas que jogavam boliche 
na pista ao lado. Ser que elas conseguiriam babar ainda mais por ele?
-Vamos ver - murmurou Paul com as bochechas levemente rosadas.
Eu no sabia o que me divertia mais: as garotas que devoravam meus amigos com os olhos ou ele que mal parecia nota - ls.
Ajeitei - me na cadeira pensando tambm se eu no agia como aquelas garotas quando estava perto de Frank London.
A gente sabe quando est se oferecendo muito para um garoto no sabe?Eu tinha certeza que aquelas garotas sabiam exatamente o que elas estavam fazendo. Mas eu no 
era assim: toda vez que via Frank, mesmo com o crebro e os joelhos amolecendo, eu tentava disfarar com toda as minhas foras.
E era por isso que Frank no tinha a menor idia de que eu era apaixonada por ele.
-Observe e aprenda Erica - anunciou Paul, enquanto esperava sua bola retornar. - Eu vou acabar com voc.
"Sim", pensei, "observe e aprenda como as mulheres se comportam como verdadeiras debilides". Dei uma espiada nas garotas da torcida organizada de Paul: elas estavam 
encarando meu amigo dando risadas e cochichando. No ficavam envergonhadas de serem to atiradas assim?
E por que eu tinha que ficar? Se continuasse assim Frank nunca saberia o quanto eu gostava dele.
Ser que queria que ele soubesse?
Sim.
No.
Sim.
No.
Mas e se houvesse uma minscula chance de que Frank gostasse? E se ele me convidasse pra sair?
"Certo, certo. Continue sonhando Erica. O cara no est na sua."
Paul puxou as mangas de seu agasalho azul - escuro at os cotovelos e abaixou a bola para pegar a bola. Nossas vizinhas ficaram hipnotizadas pelos seus antebraos. 
Ele lanou a bola na pista, e eu observei o modo como ela fez uma pequena curva para a direita, acertando em seguida os dois pinos que faltavam. Um deles balanou 
por um segundo e caiu para o lado, derrubando o outro.
-H - disse Paul triunfante. A torcida aplaudiu e soltou gritinhos. Paul dirigiu um sorriso sem graa pra elas e se esparramou na cadeira ao meu lado.
-Eu ainda tenho uma chance de derrotar voc - falei.
Levantei e caminhei em direo a pista. As meninas lanaram um olhar de desprezo e correram para suas cadeiras disputando o melhor lugar para ver Paul.
"Quem precisa de vocs, garotas?", disse - lhes silenciosamente. "Eu tambm tenho a minha torcida organizada pessoal: meu melhor amigo. Ainda que ele queira ganhar 
de mim".
Afinal era para isso que serviam os melhores amigos.
Coloquei o cabelo atrs das orelhas e apanhei minha bola. Uma bola de trs quilos e meio que Paul havia me dado um ano atrs no meu aniversrio de catorze anos. 
Lancei - a com toda fora em direo aos pinos.
Virei para ver o rosto de Paul e ouvi o estrondo prazeroso do strike que veio em seguida.
-Jogada de sorte - disse ele sorrindo para mim.
Nenhuma comemorao nem salva de palmas das meninas da pista ao lado.
Assim que Paul parou de se vangloriar e dizer que meu strike final no havia sido suficientemente bom, ns seguimos para o balco de entrada para devolver nossos 
sapatos.
Dei uma ultima espiada nas fs de Paul, que agora estavam com os pescoos esticadissimos para conseguirem uma boa viso da bunda dele.
Meu Deus, eu sabia que o cara era super gatinho, mas elas podiam ser mais discretas?
Na verdade, acho que quando um cara  seu melhor amigo e voc no sente "um algo mais" por ele, fica difcil de entender esse tipo de comportamento.
Por outro lado o Frank...
Paul e eu colocamos os sapatos de boliche sobre o balco e ficamos esperando a atendente encontrar nossos tnis.
-Ei! - quase gritei ao enxergar um casal debruado sobre um dos terminais que marcam os pontos do boliche -Olha aquilo! Que coisa vulgar!
Paul virou - se e avistou o cara e a garota que se amassavam loucamente. Eles estavam espremidos sobre a maquina: os lbios dele grudados no pescoo dela, as mos 
dela em algum lugar entre os cabelos encaracolados dele.
-E? - falou Paul virando o rosto para mim. -Eles esto apaixonados. O que h de to vulgar nisso?
-O qu?!  repugnante!
Demonstraes Pblicas de Afeto, tambm chamadas por mim de DPAs, me do nojo. Por que os casais pensam que todo mundo quer ver eles se lambendo?
Paul abriu um sorriso e me deu uma cutucada de lado com o cotovelo:
-Voc  reservada demais, Erica. Como voc acha que vai mostrar a um cara que est interessada? Mantendo suas mos longe dele?
Eu revirei os olhos, prestes a soltar um comentrio mordaz, mas Paul estava olhando fixamente para o cho com uma expresso estranha.
-Paul? O que aconteceu?
Ele levantou a cabea assim que o atendente largou os nossos sapatos sobre o balco.
-Nada.Vamos l, "Senhorita Eu - Odeio - DPAs".
No caminho para a lanchonete passamos diante do casal de namorados. Agora eles trocavam olhares profundos, as mos ainda entrelaadas. Acho que eu estava preste 
a vomitar.
Algumas coisas deviam ser pessoais. No que eu tenha algo contra um beijinho aqui e ali, ou andar de mos dadas, mas duas pessoas coladas na frente de todo mundo 
j  um pouco demais.
-Eu s acho que esse tipo de coisa deve permanecer entre duas pessoas e mais ningum - expliquei pra Paul, enquanto nos sentvamos diante do balco da lanchonete. 
-Quem precisa ver todo aquele sentimentalismo?  grosseiro.
Paul deixou sua mochila sobre o banco.
-Se voc sentisse aquilo por algum, no acharia DPAs to grosseiras.
Nesse momento, sentimos o cheiro delicioso dos hambrgueres e das batatas fritas que vinha de dentro da lanchonete.
-Eu to morrendo de fome - falou Paul. -Quase deixar voc ganhar me fez gastar muita energia.
Eu dei um tapinha em seu brao e soltei uma gargalhada.
Mas eu no conseguia parar de pensar em DPAs: com certeza Paul estava errado, no estava? Quer dizer embora eu me sentisse apaixonada por Frank London, no conseguia 
imaginar a gente se espremendo sobre uma das maquinas do Bowl - a Rama.
O problema era comigo ou com os outros? DPAs aconteciam por todo o lado em nossa escola. Atravessar o corredor sem ver o relacionamento de algum exposto era quase 
impossvel.
-Ei Lee - chamou Paul. -Faz o de sempre pra gente.
O homem troncudo que mexia na maquina de refrigerante virou - se e sorriu para ns.
-J est saindo - prometeu ele, caminhando para a cuba de batatas fritas.
Lee McKean, de cinqenta e poucos anos, trabalhava na Bowl - a - Rama em Pikesville desde a primeira vez que eu e Paul havamos ido l, o que significava h muito 
tempo. Lee sempre escutava as divagaes sobre nossas vidas completamente sem acontecimentos.
Mas minha vida no deveria permanecer sem acontecimentos por muito mais tempo. Um dos meus sonhos havia se tornado finalmente realidade: agora eu fazia parte da 
redao do Potscript, o jornal da nossa escola. E isso significava que o meu outro sonho tambm tinha uma pequena chance de acontecer: eu iria trabalhar ao lado 
de Frank London durante todo o tempo! Eu mal podia acreditar!
Jornalismo era o mximo - apenas fatos. Preto no branco. Quem, o que, quando, onde, por que e como. Coisas que eu podia entender facilmente.
Meu nico problema era tudo aquilo que existia de cinza nos intervalos.
Como, por exemplo, o que fazer para Frank me notar. No existem manuais de onde - quando - como para isso.
Lee colocou uma grande poro de batatas fritas com molho de queijo na nossa mesa. Paul e eu nos empanturramos imediatamente.
Comer me ajudou a parar de pensar em Frank.
O quanto ele era lindo.
O quanto ele era alto.
O quanto ele era inteligente.
O quanto ele era interessado em jornalismo.
Frank era assistente dos dois editores do jornal, que estavam no ultimo ano da escola. O que significava que ele tomaria o cargo de editor no ano seguinte, ou seja, 
ficaria responsvel pela funo mais importante e prestigiada do jornal.
-Eu fico imaginando qual ser o meu primeiro trabalho no jornal - falei, jogando uma batatinha na boca.
E no conseguia acreditar que o cara que mexia com meu corao como nenhum outro tinha o mesmo interesse que eu! A mesma paixo! No poderia ser mais legal!
Paul sorriu para mim.
-Voc quase no para de falar sobre isso desde que entrou para o jornal na semana passada.
-Eu no posso evitar - falei alcanando um punhado de guardanapos. -Voc sabe o quanto eu queria isso.  o mximo!
Na nossa escola, estudantes do primeiro ano podiam contribuir com artigos para o jornal, mas apenas estudantes do segundo ano em diante faziam parte da equipe fixa. 
Erica Park, assistente editorial, Escola Emerson, Postscript!
-Voc est to interessada nesse jornal que algum gal do cinema deve trabalhar l - brincou Paul. -No que voc seja capaz de dar em cima de alguma celebridade. 
Voc nunca daria em cima de ningum.
Eu me mantive concentrada em tomar um longo gole do meu refrigerante. Nunca diria a Paul algo sobre meu interesse por Frank London.
Eu ficara cada por Frank na primeira vez que o vira, na primavera passada, quando ele se mudou para Pikesville e comeou a estudar na Escola Emerson.
Mas o interesse aumentou quando eu comecei a ler seus artigos para o Postscript. Ele era to inteligente! To cheio de integridade jornalstica! Ele escreveu sobre 
diversos assuntos importantes que afetaram Emerson e Pikesville. Frank era srio, dedicado, apaixonado pelo jornalismo...
"Como seria ter um pouco dessa paixo direcionada para mim?"
Eu poderia apostar que Frank London jamais ficaria lambendo o pescoo de uma garota em pblico. Eu poderia apostar que ns concordaramos em varias coisas.
Ento, por que nunca contei ao meu melhor amigo que estava louca por esse cara?
Inocncia. Pura inocncia.
Quando Frank se transferiu para a escola faltavam apenas dois meses para acabarem as aulas. E eu no o vi durante as frias. Assim, fiquei imaginando que quando 
as aulas recomeassem j estaria curada da minha "paixonite".
Mas no estava. Na verdade, o interesse tinha se multiplicado.
E Frank estava mais alto.
Mais forte.
Mais loiro.
Ser que eu estava com medo de falar sobre o meu interesse para Paul? Com medo de deixar que algum soubesse disso, talvez o prprio Frank? Por que eu precisava 
ser assim?
Paul sempre foi o meu melhor amigo. Eu podia confiar nele plenamente. E agora que o ano letivo estava comeando eu trabalharia lado a lado com Frank e comearia 
a remoer um monte de coisas na minha cabea.
Como eu conseguiria guardar isso s para mim? Eu precisava contar a Paul. Provavelmente ele teria algum bom conselho! Talvez eu at contasse para minhas duas grandes 
amigas, Linda e Sharon, desde que elas jurassem manter segredo,  claro.
-Voc no est, humm, totalmente errado sobre o lance do tal gal de cinema - disse, olhando Paul de relance.
Ele se virou e me encarou, ento agarrou o tubo de ketchup, virou sobre as batatas fritas e comeou a aperta - lo.
-E...? - ele instigou.
-Tem um cara, ele tambm est no segundo ano, um editor assistente - falei sem pensar. -Eu fiquei um pouco interessada por ele durante um tempo. Mas, no ano passado, 
a gente no fez nenhuma matria juntos, ento eu no tive oportunidade de conversar com ele. Acho que talvez pudesse ter dito a ele o quanto eu gostava dos artigos 
que ele escrevia, ou algo parecido, mas sei l... Eu acho que ele enxergaria atravs de mim, sabe? Como se conseguisse descobrir tudo o que eu sentia.
Olhei Paul. Ele me fitava com uma expresso estranha.
-Desculpe - falei. -Deve ser estranho ouvir tudo isso quando voc nem desconfia de nada - soltei uma gargalhada. -Eu acho que estava com vergonha de contar pra voc. 
Por que provavelmente eu no farei nada a respeito disso. Voc acha que  tudo uma grande besteira?
-No  besteira.  normal. - Paul fez uma pausa no meio do movimento, e o ketchup pingou lentamente do tubo para o nosso prato. -Bem, por que voc no corre atrs 
disso?
O fato de ele no ter ficado louco comigo por ter guardado esse segredo foi como receber uma luz verde. Ento, agarrei suas mos. Podia sentir meus olhos piscarem, 
meu rosto corar.
-Eu no sei. Quer dizer, eu acho que estou esperando por algum tipo de sinal primeiro. Paul, foi incrvel. A semana passada, na minha primeira reunio... eu mal 
conseguia tirar os olhos dele! Ele  to atraente, to impressionante! No final da reunio eu finalmente tomei coragem para dizer algo, uma idia para um artigo. 
E ele at falou que tinha um mrito!
Paul tomou um gole da sua bebida.
-Isto foi demais da parte dele! - disse sarcasticamente, levantando uma sobrancelha para mim. -E quem  ele?
-Eu sei que no tenho chance nenhuma - eu franzi a testa enquanto afundava uma batatinha num monte de ketchup. -Acho que ele no tem namorada, mas eu me sinto medocre 
ao lado dele. Ele escreve super bem e  editor assistente do jornal. E eu sou apenas uma assistente editorial. E ele  to bonito, e...
-Por acaso o capito do time de futebol virou um intelectual e entrou para o jornal? Quem  o cara?
-Frank London - respondi de uma s vez, fechando meus olhos por um segundo enquanto os seus cabelos loiros, olhos verdes e ombros largos passavam flutuando pela 
minha mente.
Abri os olhos e vi Paul de queixo cado me fitando com espanto.
-Frank London? - repetiu ele, como se eu tivesse acabado de revelar que estava apaixonada pelo Frankstein. -Voc deve estar brincando! Ele  irritante! Eu fiz duas 
matrias com ele no ano passado e agora estou atolado com ele no comit do livro anual.  um panaca, Erica. Veio para c seis semanas antes das aulas terminarem 
e se sentiu o rei do pedao.
Agora era a minha vez de fitar Paul com o queixo cado. Frank London? O cara mais incrvel do planeta?
-Voc deve ter encontrado ele em um dia ruim ou algo parecido, Paul - voltei - me para o prato de batatas fritas, a raiva subindo pela garganta. Isso  incrvel. 
Eu finalmente arranjo coragem para contar para contar ao meu melhor amigo o quanto eu gosto de um cara, e ele me fala que Frank  um panaca!
Paul balanou a cabea.
-No, ele  sempre irritante. Com certeza no vale a pena ficar obcecada por ele. E ele no...no merece voc - disse, encolhendo os ombros. -Voc merece coisa melhor. 
Alm do mais eu acho que ele no tem amigos, de to arrogante que .
-Tenho certeza que ele tem amigos - devolvi, embora eu nunca tivesse visto Frank com ningum. Mas no havia nada de errado com isso. E, se por acaso ele no tinha 
muitas coisas em comum com pessoas da nossa idade, no era algo to ruim.
-E, ele  to inteligente, Paul! - acrescentei. -Acho que voc est errado em relao ao Frank. Mas no importa, por que ele nunca vai me dar bola mesmo. Eu no 
sou exatamente a Miss Seduo ou coisa parecida.
O rosto de Paul amoleceu.
-Erica, voc ...
-Eu no sou o tipo de garota que tem todos os homens aos seus ps - balancei a cabea. -Ento vamos esquecer isso, certo? No devia ter falado nada.
-Erica...
-Sabe - falei cortando ele - -, eu no consigo entender por que voc no aproveita toda essa ateno. Voc tem idia de quantas meninas j pediram para serem apresentadas 
a voc? Se voc se apaixonasse por uma garota, no teria nenhum problema em faze - l perceber isso e conquista - l. Voc no sabe como .
As bochechas de Paul estavam vermelhas. Estudei sua aparncia por um segundo, passando pelos ombros largos, o cabelo escuro, os olhos quentes que faziam as garotas 
delirarem. Qualquer uma concordava que ele era um gato. Mas eu conhecia aqueles olhos desde os cinco anos de idade. Estava imune. ramos companheiros, e acho que 
nunca olhei para Paul de modo diferente. A gente sabe quando sente alguma coisa a mais por algum - como aquilo que eu sentia por Frank. Estar com Paul era como 
estar com algum da minha famlia. Como um irmo.
-Talvez eu saiba como  - Paul falou mais para a batatinha do que para mim.
-H? - resmunguei.
Paul tambm estava alimentando uma paixo por algum? Ele raramente namorava. Eu sempre havia pensado que ele estava concentrado apenas na escola, no hquei e no 
comit do livro anual de alunos. Mas talvez Paul tambm fosse muito tmido para ir atrs de quem ele gostava.
- a Karen? Da sua aula de ingls? - arrisquei. Era uma garota magra com cabelo escuro encaracolado. Eu j havia reparado que ela olhava muito para Paul.
-No  a Karen.
-Ento, quem ? - perguntei, morta de curiosidade. Que garota tinha finalmente conquistado Paul?
-Esto precisando de um reabastecimento, garotos? - interrompeu Lee, olhando para mim e em seguida para Paul, como que esperando uma resposta. Ele nunca havia nos 
visto conversando to seriamente.
-No, estamos bem - respondi rapidamente. Lee deu de ombros e nos deixou a ss.
Paul passou a olhar fixamente para baixo, como se o antigo balco amarelo tivesse se tornado hipntico e interessante.
-Olhe, deixe para l, ok? De qualquer modo, agora no importa mais.
-H? Por qu? Ela tem um namorado?
"Quem  ela?", eu me perguntava, passando mentalmente todas as fotos do livro de aluno do ano passado.
-Erica... - Paul levantou a cabea e olhou para mim.
Era como se ele estivesse em um tormento enorme. Talvez essa menina estivesse fora do alcance dele, do mesmo modo que Frank estava para mim. Mas havia algo na expresso 
de Paul - quase a mesma expresso das pessoas que se olham no filme quando esto loucamente apaixonadas, mas com muito medo de confessar como se sentem e...
"Ai meu Deus! Ai, meu Deus! Ai, meu Deus!"
Meu corpo todo congelou, com exceo do corao, que estava batendo um milho de vezes por segundo. Virei o rosto para o outro lado, olhando para baixo, sem saber 
o que dizer ou o que fazer.
"Ai, meu Deus! Ai, meu Deus! Ele vai me dizer que sou eu!"
-Ento, agora voc sabe - ele falou baixinho. Mesmo pelo canto do olho eu podia ver o quanto seus ombros estavam tensos e sua boca travada.
Engoli em seco.
-Desculpe - falou Paul, contorcendo o rosto.
Eu no sabia o que dizer. O que dizer depois que o seu melhor amigo te conta depois de centenas de anos que a garota que ele deseja  voc?
-Humm, eu... humm, Paul, eu...
De repente eu me senti zonza, como se fosse cair do banco caso minhas mos no estivessem agarradas ao balco.
"Como isso  possvel?", eu me perguntava. "Como Paul pode gostar de mim dessa maneira? Eu sou Erica Park, sua melhor amiga. Eu o vi de cuecas quando ele tinha cinco 
anos de idade. Eu o vi chorando quando ele tinha seis anos. Eu o vi vomitando quando ele tinha dez anos e comeu comida estragada. Ele  meu melhor amigo. Ele no 
 um cara cara, e eu no sou uma garota garota."
Mas agora ele dizia que eu era.
-Mas voc gosta do Frank - ele recostou - se no banco. -Eu nem posso acreditar que contei pra voc.
"Ai, meu Deus. Ai, meu Deus."
-Paul, voc  o meu melhor amigo do mundo. Eu, eu...
Ele expirou com fora, apoiou os cotovelos sobre o balco e passou a mo pelos cabelos.
-Eu gosto de voc, mas no desse jeito - sussurrei.
Paul respirou profundamente mais uma vez.
-Olhe, saber que voc gosta do Frank London me deixa meio mal, e se eu no contasse pra voc, eu, bem...
-Eu nunca pensei em voc dessa maneira - falei de supeto, mantendo meus olhos no cho. -Da mesma maneira como eu penso em Frank London - acrescentei sem saber o 
que falar.
Paul endireitou a postura.
-, bem... - continuou ele. -No posso te culpar. Afinal de contas, voc me viu quando eu estava coberto de catapora dos ps a cabea. Lembra - se como todo mundo 
me chamava de Cara de Pizza?
Eu abri um sorriso, o clima tinha ficado mais leve.
-Lembro - ento peguei uma batatinha que j estava mole e gelada e joguei nele. -Isso vai atrapalhar as coisas entre a gente? Voc  meu melhor amigo. Eu no consigo 
imaginar...
-No se preocupe - disse ele virando a cabea para me olhar. -Pelo menos agora no temos mais segredos, certo? - disse abrindo um sorrisinho meio sem graa. -Talvez 
seja apenas uma paixozinha, ou talvez eu tenha ficado com cimes do Frank. No  o fim do mundo, Erica, mesmo.
-Ento...estamos bem? - perguntei, aliviada.
-Estamos bem - ele falou, com um sorriso mais natural agora.
Mas ser que estvamos mesmo?

UM

Fevereiro

"Por que eu tinha que escolher justamente hoje para ser um dia montono?", resmungava silenciosamente, enquanto atravessava o corredor em direo ao escritrio do 
Postscript. Dei uma olhada no meu jeans desbotado e no meu agasalho dois nmeros maior. Se ao menos eu morasse do lado da escola como minha amiga Linda Hitchen, 
poderia correr para casa e trocar de roupa.
No podia imaginar que o Sr. Serson anunciaria uma reunio de emergncia com a equipe do jornal justamente hoje.
Eu tinha passado os ltimos quatro meses tentando atrair a ateno de Frank. Aparecer vestida desse jeito no ajudaria em nada.
Uma olhada rpida pela janela do escritrio revela que Frank ainda no havia chegado. Ufa.
Abri a porta e me dirigi para o fundo da sala, despencando na cadeira ao lado de Linda.
Ela me examinou dos ps a cabea, ento levantou suas sobrancelhas.
-Algum no esperava encontrar certa pessoa hoje, no  mesmo? - cantarolou Linda, piscando seus olhos pretos. -Por acaso achou que hoje seria um dia montono?
-. - respondi, me afundando na cadeira. -No tive muita sorte na minha escolha.  claro que tudo daria certo se a reunio fosse amanh como estava marcado.
Linda criara os dias montonos no ano passado. Era o seguinte: nos dias em que voc no encontraria o cara dos seus sonhos, poderia se vestir do jeito que quisesse, 
sem maiores preocupaes. Roupas confortveis, como um agasalho de moletom ou roupas largas. Cabelos presos num rabo de cavalo comum. Uma maquiagem rpida.
Ento, no dia seguinte, quando estivesse certa de que encontraria o cara (ou quando armasse um jeito de encontra - lo), voc vestiria uma roupa que lhe fizesse sentir 
realmente linda. Faria um penteado especial, abusaria do brilho labial, do rmel e do perfume caro de sua me.
O contraste entre os dois dias ajudaria voc a ficar ainda mais atraente.
No que alguma vez eu tivesse me sentido atraente, visto que eu no era exatamente uma garota glamurosa. Mas o dia seguinte ao dia montono sempre ajudava.
Linda balanou a sua cabea.
-Isso vai ser um sofrimento - falou ela. -Voc - sabe - quem pode chegar a qualquer momento.
-Voc pensou que eu j tinha apreendido depois do desastre do dia montono do ano passado, no ?
Linda soltou uma gargalhada.
-O qu? O dia em que anunciaram de surpresa que os alunos do primeiro ano da escola Emerson iria tirar fotos, exatamente no dia mais montono de toda a nossa vida?
-Eu estou totalmente horrvel? - perguntei, checando se nenhuma mecha rebelde de cabelo havia se soltado do meu rabo de cavalo.
-Voc est adorvel como sempre - ela me assegurou.
" claro.", pensei. "Ela  minha amiga.  claro que diria isso."
Eu havia contado para Linda e para nossa outra amiga Sharon sobre o meu interesse por Frank. Isso apenas algumas semanas depois que Paul confessou seus sentimentos 
para mim.  claro que no comentei nada sobre Paul.
Linda, Sharon e eu ramos intimas, mas Paul era meu melhor amigo. E apesar delas serem meio amigas de Paul, eles no chegavam a sair juntos ou coisa parecida.
Ambas ficaram surpresas quando souberam da minha paixo. Elas achavam Frank muito bonito, mas tinham a mesma impresso de Paul: ele se sentia superior a todos. Mesmo 
assim, estavam torcendo por mim.
Mas eu continuava na mesma situao de quatro meses atrs. Ainda no havia conseguido fazer Frank perceber que eu estava interessada por ele.
E, tambm, ele nunca havia me dado um simples sinal de que poderia estar interessado por mim.
Mas manter a paixo escondida no estava sendo difcil. Eu havia transformado toda minha energia acumulada em dedicao absoluta ao jornal, o que acabou rendendo 
bons resultados: uma promoo para editora assistente em novembro.
E isso era o mximo, por que Frank havia sido promovido para um dos cargos de editor em dezembro. Se eu tivesse continuado como assistente editorial minha chance 
com ele seria to pequena que eu poderia esquecer tudo.
Concluindo, passei todos esses meses olhando Frank apenas quando tinha certeza de que ele no estava percebendo. Evitava parecer uma apaixonada idiota quando ele 
vinha falar de idias para novos artigos. Eu nunca suspirei, desmaiei, gemi ou bati palmas.
Afinal de contas eu era uma profissional. E se existia uma coisa sobre Frank London que todos concordavam era que acima de tudo ele era um super profissional.
Pelo menos eu havia conversado um pouco com ele sobre jornalismo. E no o achei um cara metido. Na verdade, eu o achei incrvel. Ele trabalhava to bem que mesmo 
os alunos do terceiro ano no se incomodavam de seguir instrues de um cara mais novo.
-Quais sero as noticias do Sr. Serson? - perguntei para Linda.
-Tenho certeza que no ser nada importante. - ela deu de ombros.
Linda trabalhava no jornal apenas para que seus pais ficassem satisfeitos por ela estar participando de atividades extracurriculares. Era assistente das colunas 
do jornal e escrevia apenas futilidades.
Mas tudo bem, pois escrever no era a razo da vida dela como era para mim.
-Ento, j te contei a ultima? - perguntou Linda, curvando - se para tirar uma lixa de unha da bolsa. -Dave me falou que Carla ligou para ele ontem a noite. Ela 
o quer de volta. D pra acreditar?
Eu sorri. A vida amorosa de Linda era uma novela emocionante, ao contrario da minha, totalmente inexistente.
-Bem, pelo menos ele te contou que ela ligou - apontei. -A maioria dos namorados no iria mencionar um telefonema da ex namorada.
-, acho que sim - falou enquanto comeava a lixar suas unhas. -Mas eu que no encontre aquela garota... - ameaou.
E eu fingi ouvir o monlogo de Linda sobre o fato de Dave ter namorado Carla antes dela.
A porta do escritrio se abriu. L estava ele. "Que lindo.", pensei, lanando olhares para Frank enquanto ele se sentava em uma cadeira mais a frente. O tum - tum 
- tum do meu corao se alterou do normal para o descompensado e eu tinha certeza de que todos podiam ouvir o barulho.
Observei seus cabelos loiros. Ele abriu a mochila e retirou um punhado de folhas de papel, passando o dedo por elas como se procurasse por algo.
Este era o Frank. Sempre trabalhando, sempre srio em relao aos seus escritos. Ele no estava fofocando sobre a ex de algum. Ele no estava vestindo um moletom 
ridculo. Ele estava sempre seguro de si.
-Ol, todos - o Sr. Serson entrou e parou em frente a mesa em que Frank estava sentado. -Os artigos devem ser entregues aos editores de cada sesso amanh, como 
vocs j sabem. Mas no  esse o motivo de eu ter convocado essa reunio de ultima hora.
Linda inclinou - se para o meu lado.
-Para um professor, at que ele  bem bonitinho... - sussurrou ela. -Ns temos sorte que ele seja o nosso cordenador.
Afastei - a com meu cotovelo e ela soltou uma risadinha.
-Neil Daldin est se mudando - continuou o Sr. Serson - portanto, h uma vaga para o cargo de editor.
"Por favor, no o deixe anunciar uma garota para o cargo", eu rezava. "Era s o que me faltava. Alguma menina pegando a vaga e trabalhando ao lado de Frank. Bem 
que podia ser o Jerry ou o Marco ou..." 
"Eu."
Eu sabia que o Sr. Serson gostava do meu trabalho, mas por causa da minha paixo por Frank eu ficava super quieta. Tinha vergonha de sugerir pautas, com medo de 
que ele achasse minhas idias estpidas. Eu sabia que isso era errado, mas no conseguia evitar que acontecesse. De qualquer modo eu falava metade daquilo que eu 
pensava, o que j era melhor do que nada no ?
-Frank e eu escolhemos uma pessoa que trabalha bastante, escreve artigos excelentes e tem mostrado um grande comprometimento com o jornal. Se voc quiser, o cargo 
 seu, Erica.
O Sr. Serson estava me fitando. Frank tambm me olhava.
Levantei o meu queixo, que havia acabado de cair. Tudo o que eu conseguia fazer era balanar a cabea, uma vez que estava completamente sem palavras. Eu! Editora 
junto de Frank London, o cara de todos os meus sonhos.
Ser que isso estava mesmo acontecendo?
Dei uma olhada para Frank. Ele sorria para mim, aqueles incrveis olhos verdes quentes e receptivos. Ele nunca havia me dirigido um sorriso como aquele antes!
De repente, tomei conscincia total do rabo de cavalo desgrenhado que estava usando e de que no havia um pingo de maquiagem em meu rosto. "Lembre - se sempre disso", 
pensei. "Dias montonos, nunca mais! Nunca!"
Linda apertou o meu brao.
-Parabns - falou baixinho. Eu sabia que ela no sonhava com uma carreira jornalstica como eu.
Retribui o sorriso de Frank, ento recompus minha voz e virei meu olhar para o Sr. Serson.
-Eu quero! - anunciei.
"Meu Deus, Erica, voc poderia falar como se tivesse mais do que apenas dez anos de idade?"
-timo - disse o professor. Frank aprovou com a cabea, ento virou o corpo para olhar o Sr. Serson novamente. -Certo pessoal, era tudo o que eu precisava contar 
para vocs, mas, j que estamos aqui, vamos nos dividir em sees e conversar sobre a edio da semana que vem.
-Ele  seu! - sussurrou Linda, puxando o meu rabo de cavalo. Toda a equipe veio me cumprimentar e todos disseram que no era nenhuma surpresa terem me escolhido. 
Uau!
Era tudo de bom. Minha chance de ter o emprego com o qual eu havia sonhado por um ano e meio. Alm disso, minha chance de fazer Frank me notar. Afinal, ser uma das 
editoras significava que tnhamos o mesmo cargo, ramos colegas de trabalho. No estava maus to distante dele!
Eu mal percebi Linda levantando de sua cadeira para se juntar ao grupo dela. Mas fiquei bem ciente de que Frank estava caminhando em minha direo, sentando - se 
ao meu lado e prestes a dizer algo para mim.
Tum - tum - tum. Tum - tum - tum.
-Parabns - Frank estendeu sua mo, e eu coloquei a minha sobre a dele. Esse pequeno contato fez um formigamento subir pela minha coluna. -Voc foi a nica pessoa 
que cogitamos para o cargo - sussurrou ele.
"Diga algo normal. No mostre a ele o quanto voc est nervosa. No..."
-Ah eu tambm - falei sem pensar.
"Aquilo realmente saiu da minha boca?"
-Quer dizer, eu queria muito essa oportunidade - acrescentei o mais rpido possvel. -Eu adoro trabalhar no jornal e eu tenho tantas idias que mal posso esperar 
para me dedicar mais a isso e...
Frank soltou uma gargalhada.
- uma gracinha ver voc ansiosa desse jeito.
Ele me chamou de gracinha!
-J que no temos muito tempo agora - falou -que tal nos encontrarmos aqui amanh depois das aulas para repassarmos tudo? Eu poderia ouvir suas idias com muito 
mais calma.
-S ns dois? - perguntei, tentando disfarar o tremor na minha voz.
Frank fez que sim com a cabea.
-Estou louco para trabalhar com voc. Seus artigos tm sido muito bons ultimamente - contou.
"Louco para comear a trabalhar comigo. Meus artigos...!"
-Obrigada. Vindo de voc  um grande elogio - sorri e ele me olhou de modo esquisito, como se esperasse que eu dissesse alguma coisa.
Ah!
-T certo, ento, amanh. Hmmm, aqui depois da escola. Combinado!
"Eu posso lidar com isso", pensei. Ao menos eu pensava que podia. Eu mal conseguia levar uma simples conversa com o cara!
-Legal - falou, se levantando. - Agora preciso mostrar umas coisas para o Doug. Ento... te vejo amanh.
Doug? Que mximo! Frank tratava o Sr. Serson pelo primeiro nome! Ele era to maduro!
-, com certeza. Eu tambm tenho que...humm...fechar uns detalhes sobre o artigo que eu estou fazendo com o Jerry - sorri, enquanto Frank saia, imaginando se a sala 
inteira poderia ouvir o meu corao martelando.
"Eu sou uma editora", apertei meus lbios, apreciando o som daquelas palavras. "E amanh estarei sozinha em uma sala com Frank London".

***

Onde estava Paul? Olhei para o corredor pela dcima quinta vez nos ltimos trinta minutos da minha aula de histria. Nenhum sinal dele.
Puxei a mochila das costas da cadeira e peguei meu caderno vermelho. Eu havia escolhido vermelho para essa aula, por que vermelho me lembrava guerra, que era praticamente 
tudo que aprendamos em histria.
Paul era o nico que sabia do meu hbito estpido de criar um cdigo de cores para os meus cadernos, e j tinha desistido de implicar com isso h alguns anos.
Recostada em minha cadeira respirei profundamente e pensei como apresentaria as novidades. Ele ficaria emocionado ao saber do meu novo cargo. Mas quanto a eu trabalhar 
com Frank...isso poderia ficar um pouco chato.
Havia sido duro retornar nossa amizade desde que ele contara os sentimentos que tinha por mim. Paul havia me evitado duas semanas, e eu tambm no forcei um encontro 
por que ele precisava de um tempo longe de mim. Quando ele finalmente apareceu na minha porta com dois ingressos para um filme de horror, eu soube que as coisas 
ficariam bem.
E ficaram. Ele nunca havia me perguntado sobre Frank, e como nunca havia nada novo para contar, eu no trazia esse assunto a tona. Ele agia normalmente ao meu lado, 
do mesmo jeito de sempre.
Depois de um ms parecia que aquela conversa nem tinha acontecido. Algumas vezes pensei sobre ela, e imagino que ele tambm tenha pensado. Mas nunca voltamos a falar 
sobre isso. Tivemos alguns momentos de constrangimento, como quando Linda ou Sharon pronunciavam o nome de Frank na presena de Paul. Mas ele nunca disse nada. Eu 
acho que ele ficaria feliz por mim, se eu e Frank ficssemos juntos. Talvez com cimes, ou at um pouco triste, mas, apesar disso, feliz. Ele era meu melhor amigo.
-Ei senhorita Park! Acorde!
Levantei rapidamente a minha cabea. Paul estava caindo na cadeira ao meu lado. Ele parecia completamente agitado. Decidi que no deveria mencionar nada sobre o 
Postscript. S por garantia.
-Eu encontrei com a Linda e ela me contou que voc pegou a vaga de editora - falou. -Isso  incrvel!
Era por isso que ele parecia to excitado? Por que ele havia ouvido a novidade e sabia o quanto isso era importante pra mim? Ainda que Linda tivesse mencionado algo 
sobre Frank? Paul era mesmo um grande amigo.
-Eu nem pude acreditar! - exclamei. -Voc devia ter me visto. Eu mal conseguia falar. Eu, Erica Park, editora! E a... - cortei o assunto no meio sem saber se devia 
mencionar o lance sobre Frank. Talvez Linda no tivesse comentado nada sobre isso.
-E a o que? - instigou Paul.
Eu mordi meu lbio.
-E a todo mundo falou coisas maravilhosas para mim. Sabe, tipo...como eu merecia o cargo e tudo mais.
-Voc realmente merece - replicou ele. -E eu imagino que agora voc ir trabalhar bem perto de Frank London.
Eu engoli em seco. Concordei com a cabea, observando a expresso dele. Totalmente indiferente. Era claro que ele no estava me cumprimentando da mesma maneira que 
Linda, mas tambm no parecia triste.
-Eu sei que isso deve ter te deixado feliz, Erica. - falou. -Ento, pode sorrir. Est tudo bem. Mesmo.
Eu me inclinei para abraa - lo.
-Por que vocs no se casam de uma vez? - brincou, Vanessa Peid que estava sentada atrs de ns.
Ns nos separamos e trocamos sorrisos.
-Eu tenho novidades tambm - disse Paul. Ele tinha aquela expresso tmida em seu rosto, aquela que aparecia covinhas ao lado da sua boca e seus olhos ficavam quase 
fechados.
-Eu convidei Katie Wing para sair - sussurrou ele. -E ela aceitou.
-Uau!. - exclamei, surpresa, Katie era a dupla de Paul na aula de qumica. Ele havia falado que ela era muito legal, mas nunca passaria pela minha cabea que estava 
interessado. -No acredito que no tenha me contado que gostava dela!
-Eu no queria falar nada sobre isso e estragar tudo - replicou ele. -Bom, no  nada demais. S um encontro. Vamos ver como vai ser, voc sabe.
-Lgico que  importante! - exclamei. -Quer dizer, voc est, finalmente...voc est, humm... - engasguei. Eu tinha certeza de que minhas bochechas estavam completamente 
vermelhas. Olhei para Paul sem saber como continuar.
-Tudo bem - ele me falou, sorrindo. -Eu realmente to a fim dela. E acho que ela tambm gosta de mim. Quer dizer, eu espero.
-Eu acho que no posso agentar nem mais um minuto do seu ego enorme - brinquei, tentando tornar a conversa mais leve. -Voc precisa dar um tempo com isso.
Paul riu.
Nosso professor entrou na sala, ento passamos a prestar ateno no que ele comeava a escrever no quadro negro.
Paul estava realmente interessado em outra garota. Essa era a primeira vez em quase um ano que ele convidava algum para sair. Reparei bem no seu rosto: refletia 
uma expresso de completa felicidade.
Isso era o mximo certo?
Paul sairia com Katie, eles se apaixonariam, e talvez, finalmente, Frank comeasse a me notar e nos tornssemos um casal fabuloso. Tanto Paul quanto eu ficaramos 
felizes, e com certeza continuaramos sendo os melhores amigos. Talvez, os dois casais at pudessem sair juntos.
"Katie Wing?", pensei.
Ela no parecia ser exatamente o tipo de Paul - um tanto frvola e supervaidosa. Mas e da? "Tenho certeza de que Paul s gostaria de algum legal. E estou feliz 
por ele estar seguindo adiante", conclui.
Isso era muito bom, de fato. Eu queria que ele gostasse de alguma outra menina, no queria?
E agora que isso tinha acontecido no havia mais nada que me prendesse - ou melhor, que prendesse meu corao.

DOIS

-Erica Park apresentando - se para o trabalho - anunciei enquanto entrava no escritrio do Postscript.
"Apresentando - se para o trabalho? Bem, pelo menos demorei apenas dois segundos para revelar o quanto era babaca."
Mas Frank nem parecia estar me ouvindo. Estava curvado diante do computador, superenvolvido.
-Ah...ah - murmurou distraidamente.
Eu me sentei. Dessa vez estava vestindo uma minissaia o que era super raro para mim (Sharon havia me emprestado), um legging preto, e uns sapatos pretos lindos (que 
destruam os meus ps). Eu havia colocado o meu suter da sorte, uma coisa verde, felpuda que Paul me dera no Natal, dois anos atrs. Bem diferente de ontem.
Meu cabelo, estava solto, escovado e brilhante. A maquiagem era suficiente para ficar naturalmente bonita, mas sem exageros. Linda e Sharon tinham me ajudado a faze 
- l.
Fiquei olhando para as costas de Frank enquanto ele digitava no computador. Olhando.
E olhando.
Depois de cinco minutos comecei a me inquietar, mas finalmente ele se virou.
-Desculpe por isso - falou ele, apontando para o computador atrs dele. -Eu estava no meio de um texto bem complexo.
-Ah, eu entendo... - assegurei a ele. -Eu sei o quanto  difcil parar quando a gente est no meio de uma idia.
Ele concordou com a cabea.
-Neil costumava desaparecer quando eu no lhe dava ateno imediatamente - suspirou ele. -Certamente voc imagina que um aluno do ultimo ano  maduro o suficiente 
para respeitar algum que est concentrado. No foi nenhuma perda ver ele sair.
Ento ele queria dizer que eu era madura, uma vez que no me queixei sobre ser ignorada e ter ficado esperando. Isso era bom! A ultima coisa que eu queria era que 
ele soubesse como eu era impaciente. Era algo que Paul odiava em mim, ele tinha toda a pacincia do mundo.
Fiquei surpresa em ouvir Paul falar mal do Neil. Todos os achavam super legal e estavam desapontados com a sua sada da escola.
-Vou limpar isso aqui pra voc - falou Frank, levantando - se e guardando uma pilha de papis em uma caixa.
"Os ombros dele poderiam ser mais largos?", eu me perguntei, fitando novamente as costas de Frank. Ele era to maravilhoso.
Ele agarrou um pedao de papel e deu uma olhada.
- to estpido - disse ele. -Eu mal consigo acreditar que Serson pensa nisso como uma boa matria - completou ele, me passando o papel.
Era o artigo de inda sobre os presentes que as garotas gostariam de ganhar no dia dos namorados, que seria em duas semanas. De um modo geral, a idia me soava boba 
tambm. Mas eu no diria que era estpida. S um pouco tola. Quase como uma DPA impressa ou algo parecido.
-Acho que  um pouco pattico - concordei, devolvendo o artigo. -Quer dizer, o assunto - acrescentei rapidamente, -No a redao de Linda, que  boa, apesar de faltar 
um pouco de edio - arrematei.
Eu no podia acreditar que tinha acabado de destruir minha prpria amiga na presena de Frank! Ele tinha muita influencia com o Sr. Serson. E se ele pensasse que 
Linda deveria sair do jornal?
-Essa  a marca de uma verdadeira profissional - disse Frank, jogando o papel de volta na caixa. -Eu tenho notado que voc e Linda so muito amigas, ento fico impressionada 
que voc seja profissional o suficiente para avaliar o trabalho objetivamente - ele sorriu para mim. -No entanto eu no diria que a redao dela  realmente boa. 
 razovel. Mas no chega nem aos ps da sua.
Senti o meu corpo brilhar com o elogio. Frank no gostava de coisas fteis, era s isso. Fazia sentido que no aprovasse nada do que Linda escrevia.
-Eu falei para o Doug que ele no deveria dar muito destaque ao Dia dos Namorados. - disse Frank.
Eu tinha que me lembrar que Doug significa Sr. serson, Frank continuou:
-Mas ele no me deu ateno, e insistiu que as pessoas amam isso. Os jornais no deveriam trazer coisas sentimentais assim.  to piegas e estpido.
-Eu entendo - falei. Eu fico doida quando trabalho um monte em um artigo srio, como aquele que fiz sobre a necessidade de alunos voluntrios no hospital...
-Que a propsito, foi um excelente artigo - interrompeu Frank.
Meus batimentos cardacos dispararam. Definitivamente, ele me respeitava.
-Obrigada - retruquei. -Bem, aquela matria acabou sendo publicada na mesma edio em que saiu a critica sobre a festa de volta s aulas. E foi sobre a festa que 
todo mundo leu e discutiu.
Frank sorriu para mim, como se entendesse o que eu estava falando.
-Acostume - se com isso. A edio do dia dos namorados vai desaparecer mais rpido do que qualquer outra.  a mentalidade aqui.
"Uau". Ele at usava palavras como "mentalidade" - palavras que faziam meus amigos debocharem de mim toda vez que eu as pronunciava. Palavras de gente velha, como 
eles diziam.
- to engraado ver todos ficarem excitados s por que est chegando o dia dos namorados - comecei a divagar, apoiando em minha cadeira. - um feriado to ridculo. 
 como uma competio livre de beijos e amassos.
-Concordo plenamente! - exclamou Frank. -Eu achei que era o nico a no comprar essa idia estpida.
"Eu tambm", pensei me contraindo de felicidade.
Ns ramos feitos um para o outro!
-Ei, e se fizssemos um artigo anti - Dia dos Namorados para essa edio? - sugeri.
Frank balanou a cabea:
-No que voc est pensando?
-Bem, a maioria dos artigos dessa edio ser completamente boba e sentimental, certo?
-Com certeza - respondeu.
-Ento, ns podemos fazer uma matria objetiva sobre o quanto tudo isso  idiota. Sobre o modo como as pessoas ficam ansiosas por causa dessa data, que na verdade 
no significa nada. Como aconteceu no ano passado: trs casais desmancharam por que as pessoas se irritaram com os presentes. Uma garota perdeu a pacincia porque 
o namorado no comprou um daqueles sacos de bombons da escola para ela. Voc pode acreditar nisso? Um saco de bombons que voc encomenda na cantina da escola e eles 
entregam na frente de todo mundo no Dia dos Namorados. Grande coisa!  to ridculo! As expectativas, o sofrimento, as obrigaes...
-Adorei isso! - respondeu Frank. -Vamos analisar o feriado de um modo totalmente no sentimental para mostrar como todos se comportam de maneira idiota. Erica, voc 
 brilhante!
"Brilhante. Eu adorei isso..."
-Um tipo de estudo sociolgico e psicolgico sobre a reao humana - disse empolgado, com seus incrveis olhos verdes brilhando. -Ser o artigo do dia dos namorados 
para o homem que pensa.
"Voc que  brilhante", pensei. Frank era a nica pessoa que eu conhecia que podia falar daquele jeito.
-Isso  demais - ele agarrou um bloco amarelo que estava sobre a mesa e comeou a fazer anotaes. -Voc precisa trabalhar nessa matria. Eu no confio em nenhum 
dos nossos outros redatores para fazer isso. Quer dizer, voc e eu somos os nicos que podemos fazer um artigo desses. Mas quando todos o lerem... ns iremos redefinir 
a opinio pblica.
Um sentimento de orgulho tomou conta de mim. "Redefinir a opinio publica." Isso era demais! At mesmo Paul veria que DPAs so vulgares se ns explicssemos de uma 
forma que fizesse as pessoas pensarem.
-Vamos transformar uma seo toda do jornal em uma pgina anti - Dia dos Namorados. Ns levaremos esse feriado to  srio que as pessoas vero o quanto  absurdo 
leva - lo a srio.
-Perfeito! - exclamei. -Eu posso entrevistar os alunos sobre as suas opinies e expectativas, mostrando tudo de uma perspectiva diferente da que Linda usou em seu 
artigo. Tenho certeza de que ela no ir se importar. Alm disso,  incrvel ns podermos mostrar os dois lados no mesmo jornal.  assim que tem que ser.
Frank concordou com a cabea.
-Ei, enquanto voc estiver trabalhando no assunto sobre esse ngulo, eu posso escrever algo sobre a histria do feriado. Ningum nunca fala sobre isso - disse, largando 
a caneta e o bloco sobre a mesa. -Graas a Deus, Neil no est mais aqui! Trabalhar com voc vai ser... - sua voz sumiu quando enquanto direcionou seu olhar para 
baixo por um segundo, depois voltou - se para mim. -Muito, muito bom - terminou ele.
Tum - tum - tum. Tum - tum - tum.
De repente, notei que estava fitando os lbios dele, imaginado como seria beija - lo.
Ele me passou um bloco, ento virou a cadeira e debruou - se sobre a mesa, escrevendo como um maluco. Eu estava to inspirada! Comecei a escrever tambm. Minhas 
idias vinham rapidamente: quem eu deveria entrevistar, que perguntas eu faria, quem eram os casais da escola, quais eram as estratgias das lojas para balas, jias 
e bichinhos de pelcia.
-Uau - falou ele. -J est ficando bem tarde. Preciso ir para casa.
-Ah, eu tambm. - repliquei, olhando para o meu relgio, ainda que pudesse ficar naquela sala por muitas e muitas horas.
-Ento, eu acho que depois ns podemos conversar como ser dividida a pgina de editoriais, n? - falei, enquanto fechava a mochila. -Quer dizer no geral, no apenas 
na edio do Dia dos Namorados. E provavelmente ns vamos precisar ter alguns encontros alm das reunies com toda a equipe do jornal, certo?
"Ser que eu estava soando to pateticamente desesperada para ficar mais tempo com esse cara quanto eu imaginava?"
-Sim, com certeza - concordou Frank. -Sexta  noite?
Eu pisquei os olhos, sem acreditar no que estava acontecendo. "Ele tinha me convidado para sair?".
-Humm, claro - falei.
-Talvez pudssemos jantar juntos? - continuou ele.
"Um jantar na sexta feira a noite era definitivamente um encontro", eu reafirmei para mim.
-Ok.
-Legal - falou ele. -Vejo voc amanha a noite, ento. Da ns podemos decidir a estrutura do editorial do Dia dos Namorados.
Concordei com a cabea.
-At amanh - me despedi. Peguei minha mochila e fui embora, resistindo ao impulso de sair saltitando pelo corredor da escola. Isso no seria algo maduro.

***

-Ol, todos, cheguei! - gritei assim que entrei na minha casa. Larguei a mochila no hall de entrada e corri para a cozinha.
Parei de repente. Paul estava sentado diante da longa mesa de carvalho da cozinha junto com meu irmozinho, Charlie. Meu pai estava perto do fogo, cozinhando algo 
com um cheiro delicioso.
-Oi, querida - falou papai, esticando a cabea sobre o ombro para me olhar. -Sua me e Ellen foram ao mercado comprar refrigerante. Ah, e Paul est aqui.
-Mesmo? - brinquei.
"Paul deveria estar obcecado sobre a roupa que deveria vestir em seu encontro com Katie", pensei.
-E a? - perguntei a ele. -Veio comer a carne cozida maravilhosa do meu pai? - brinquei. Paul j havia almoado e jantado tantas vezes l em casa desde que nos conhecemos 
que meus pais brincavam que ele estava me usando s para comer de graa.
Tudo o que eu queria fazer era voar para o meu quarto e ficar pensando sobre a noite seguinte. Eu e Frank em um encontro. Num jantar. Sentados, um diante do outro. 
Eu queria relembrar todas as coisas maravilhosas que ele havia me dito em nossa reunio na escola. Mas era impossvel sonhar com Paul ali.
-Ele est aqui para me ver - anunciou Charlie, todo orgulhoso. -No , Paul?
-Claro que sim - Paul piscou para mim. -Mas agora que sua irm chegou, eu vou ficar um pouco com ela. Assim ela no fica enciumada.
-Ento, onde voc tava? - perguntou Paul, enquanto saamos da cozinha e nos esparramvamos no sof macio da sala. -Eu cheguei faz uma hora, certo de que te encontraria. 
Charlie e eu fomos at a quinta fase daquele jogo novo do Playstation.
-Tava fazendo umas coisas para o jornal - disse. -Por que voc veio?
Paul sorriu, levantou - se e agarrou sua mochila.
-Feche os olhos - ordenou ele, voltando a sentar.
-Mas para qu? - perguntei.
-Apenas feche, bobinha.
Fechei os olhos.
-T bom - ele colocou algo que parecia um livro em minhas mos. -Agora pode abrir.
Nas minhas mos estava uma coleo dos ensaios que Anna Quindles escrevia para o jornal The New York Times. Paul sabia que eu era f dela.
-Obrigada - falei, meu corao espremendo dentro do peito. Isso tinha sido to incrivelmente carinhoso da parte dele! -Adorei! Mas qual o motivo?
Paul revirou os olhos.
-Leia a dedicatria, palerma.
Eu abri o livro; uma mensagem com a letra confusa do Paul estava escrita na primeira pgina.
Para minha melhor amiga.
Parabns pela nova conquista no Postscript. Estou muito orgulhoso de voc, e tenho certeza que um dia estar autografando o seu prprio livro de ensaios. Serei sempre 
o seu maior f, no importa o que esteja fazendo.
Com amor, Paul.
"No importa o que esteja fazendo." Coloquei o livro no colo e olhei para Paul, que estava sorrindo timidamente.
-Isso  to lindo - falei, lanando os meus braos ao redor dele. -Muito obrigada!
Ele se afastou aps me dar um rpido abrao.
-No precisa agradecer. E parabns novamente, garota.
-Ei, e como as coisas esto rolando com a Katie? - perguntei.
-T timo. Ela parece estar realmente ansiosa com o nosso encontro - disse Paul. No entendia como ele no percebia o quanto as garotas gostavam dele.
-E voc, tambm est ansioso? - perguntei, curiosa.
Seu rosto ficou um pouco vermelho.
-Eu acho...eu acho que ela  bastante bonita. Hoje ela estava vestindo uma cala jeans bem justa e uma camiseta rosa curta...
-Legal. Bem legal...mesmo! - disse cheia de empolgao, interrompendo ele. As roupas de Katie Wing no me interessavam. -E, eu, humm, na verdade tambm tenho um 
encontro neste fim de semana.
-Ah, ? - disse Paul, os olhos arregalando de surpresa. -Quem  o azarado?
-Frank London - respondi, passando os dedos pelas franjas da manta que ficava sobre o brao do sof. -Ele me convidou para sair - dei um sorriso. -Finalmente.
Paul franziu a sobrancelha.
-Finalmente? Eu pensei que voc j tinha desistido dele. Agora que voc j o conheceu melhor.
-O que voc quer dizer com isso? - disse irritada. Eu no esperava que Paul fosse festejar ou algo parecido, mas queria que pelo menos ficasse feliz por mim. Ele 
sabia o quanto eu gostava de Frank, e quanto tempo eu havia esperado para que isso acontecesse.
Paul apenas deu de ombros.
-Eu imaginei que quando o conhecesse melhor acabasse mudando de idia. Voc devia v - lo nos nosso encontros do comit do Livro do ano. Ele age como se fosse o 
rei de tudo.
Cruzei os braos.
-Eu no sei do que voc est falando. Ele  sempre agradvel comigo.
-Ele nem sabia quem voc era at a alguns dias atrs - Paul falou de modo grosseiro.
-Bem, agora ele me conhece - retruquei. -No nosso encontro de hoje, ns concordamos em tudo. Como com a minha sugesto de um artigo contra o dia dos namorados. Ele 
quer fazer uma seo inteira sobre isso.
-Agora sim  impressionante - murmurou Paul. -Voc conseguiu conhecer algum que odeia flores e coraes tanto quanto voc?
-Exatamente - disse. -Ento, voc poderia tentar ficar um pouco feliz por mim?
Paul abriu um sorriso descaradamente falso.
-Aqui est. Fiquei feliz.
Dei um chute de leve no p dele.
-Ah, vai... Finalmente eu vou sair com o cara pelo qual eu fiquei interessada durante o ano todo. Fico triste que voc no goste dele, mas eu gosto. - meu corao 
comeou a disparar com essas palavras, eu iria sair com Frank London! Mal podia esperar pra contar isso pra Linda e pra Sharon. Sorri para Paul. -Ei, de qualquer 
modo voc no tem tempo para se estressar em relao a isso. Voc precisa comear a planejar o seu encontro com Katie.
- - ele esticou as pernas. -Eu queria achar um lugar realmente...
-Erica! - avoz do meu pai ressoou da cozinha. -O jantar est pronto.
Olhei para Paul.
-Voc vai ficar?
Ele balanou a cabea negativamente.
-Eu tenho que voltar para casa.
Agarrei a sua mo e a apertei.
-Obrigada novamente pelo livro. Eu amei.
-Fico feliz. Fala pro seu pai que eu me despedi dele. E diga ao Charlie que eu voltarei em breve para uma revanche.
-T bem. E se voc precisar de ajuda para planejar o seu encontro, ou qualquer coisa, eu estou disponvel.
-Voc, a anti - romntica? Seria melhor pedir ajuda do Bill e do Steve do time de basquete - ele sorriu. -No, eu me viro, Erica. Mas obrigado mesmo assim.
-Ok. - falei, acompanhando - o at a porta e observando - o sair correndo pela calada. Fique me perguntando: onde ele levaria Katie? Para um restaurante elegante? 
Pro cinema? Pro shopping?
Ento um pensamento mais interessante passou pela minha cabea. Onde Frank me levaria?

TRS

"Eu no posso acreditar que estou em um restaurante de verdade, num encontro de verdade com Frank London", pensei pela terceira vez enquanto observava Frank estudando 
o cardpio. "Obrigada meu Deus por eu no ter vestido cala jeans!"
Depois de quase duas horas vasculhando o meu armrio (e trs telefonemas para Linda e Sharon), eu tinha finalmente decidido colocar uma cala preta e um suter azul 
- gelo que eu comprei no shopping duas semanas atrs. Eu tinha planejado vestir jenas, mas Linda disse "nem pensar" e Sharon concordou com ela. Frank era sofisticado, 
elas insistiram. E isso exigia uma roupa de verdade.
"Eu sou to grata por ter amigas que entendem dessas coisas", pensei, enquanto admirava a decorao do restaurante italiano.
Estvamos sentados numa mesa iluminada por velas com guardanapos de pano e taas. O nome do lugar era La Dolce Vita. Frank havia me dito que significava "a vida 
doce", e certamente era como eu estava me sentindo. Lindos quadros decoravam as paredes, e a nica luz que nos iluminava vinha de uma longa vela no centro da mesa.
-Esse lugar  incrvel - sussurrei. Parecia errado falar muito alto l. -Foi muito legal o seu pai ter nos trazido de carro.
Sem levantar a cabea, ele me olhou e abriu um sorriso. Parecia que alguma coisa estava voando dentro do meu peito.
-Tinha certeza de que voc gostaria - falou, e seus lindos olhos no poderiam estar mais verdes. Seria por causa da luz da vela? Ou por causa da camisa de gola role 
verde escura que ele vestia? -Voc j escolheu?
"Obrigada, meu Deus, por essa iluminao romntica." Quando abaixei os olhos para ver o cardpio, uma sensao de pnico tomou conta de mim. Tive a impresso de 
que minhas bochechas coradas iriam denunciar que eu no conseguia entender uma palavra sequer naquela pgina. Eu nunca ouvira falar de nenhuma daquelas massas.
-Humm...eu no estou muito certa ainda...
-O penne vodka deles  fabuloso - ele me falou.
"Penne o qu?". Meu conhecimento de comida italiana se resumia a espaguete e almndegas. Mas eu no confessaria isso de jeito nenhum.
-Parece bom - disse num tom confiante. - o que voc vai pedir?
Frank assentiu com a cabea.
- o meu prato predileto.
-Querem fazer o pedido? - um garom apareceu subitamente ao nosso lado.
Engoli em seco. Eu tinha um problema idiota de timidez com garons, vendedores e caixas - eles me intimidavam completamente. Na minha primeira experincia em um 
acampamento de frias, eu havia passado uma semana comendo apenas as saladas do buf self - service por que no conseguia suportar a idia de anunciar o que eu queria 
na fila dos pratos quentes.
Melhorei muito com o passar do tempo, mas situaes como essas ainda eram desesperadoras. Toda vez que Paul e eu amos em algum ligar, ele sempre fazia o pedido 
para mim. E nunca havia debochado por causa disso.
Mas Paul no estava l. E eu no podia declarar para Frank London que era incapaz de dizer ao garom o que eu queria comer!
-Eu quero o penne vodka - Frank disse ao garom entregando - lhe o cardpio.
-Muito bem - o garom fez uma pequena anotao em um bloquinho, depois virou - se para mim. Senti um calor familiar subir pelo meu rosto. -E a senhorita?
-Perdo? - perguntei ao garom, lanando um olhar desconcertado para Frank.
-O que a senhorita vai querer? - o garom refez a pergunta.
-Eu quero o mesmo que ele. - falei abruptadamente, aliviada assim que ele foi embora.
-Minha famlia no tem o hbito de comer fora - disse sentindo que precisava explicar minha falta de jeito.
Ningum que eu conhecia jantava fora, a menos que fosse por alguma comemorao. La Dolce Vita era o tipo de restaurante onde meus pais iriam celebrar o aniversario 
de casamento deles.
Frank tomou um pequeno gole de sua gua gelada, que tinha uma rodela de limo no fundo da taa.
-Ento, como aquele artigo sobre o sistema de gua em Maryland est indo? - perguntei, ansiosa por evitar que ele percebesse o quanto eu era desinteressante.
Eu sabia que Frank estava trabalhando nessa matria por duas semanas, alm de suas tarefas regulares no Postscript.
O rosto de Frank se iluminou.
-Doug deu uma olhada no que eu j fiz e disse que eu devia enviar para o Baltimore Sun.
-T falando srio? - perguntei. -Uau!
-Doug disse que  um dos melhores artigos que ele j viu em nossa escola - ele franziu a testa. - claro que no faz nenhum sentido em publica - lo no Postscript.
Certo, o Postscript no era o Sun, mas ele no pensava realmente que o nosso jornal era imprestvel...ou pensava?
-O que voc escreve  maravilhoso - disse Frank, como se estivesse lendo meus pensamentos. -Para um jornal de escola no  ruim, mas...
Eu congelei por um segundo, atenta as sensaes dos dedos dele; quentes, fortes e msculos, acariciando minha mo. Isso significava que ele estava atrado por mim, 
certo? Mesmo quando ele retirou seus dedos, eu ainda podia sentir a impresso deles sobre a minha mo.
-Voc  a nica do staff que escreve bem - continuou ele.
"Ele realmente tem considerao pelo meu trabalho", eu me dei conta. E pensar que todos esses meses eu havia ficado nervosa com a opinio dele. Frank sempre havia 
respeitado meu trabalho! Mas eu no era a nica pessoa do jornal que podia colocar uma srie de frases juntas. Todos escreviam bem.
-E voc j decidiu como vai abordar a pesquisa do artigo sobre o Dia dos Namorados? - perguntou Frank.
Assenti com a cabea.
-Eu vou basear o artigo em entrevistas e observaes do que acontece nos corredores da escola. Vou falar sobre o comportamento dos casais em geral, que, muitas vezes, 
chega a ser bastante ridculo. E por fim falarei sobre como os casais so afetados pelo Dia dos Namorados.
-Parece timo - disse Frank. -Mal posso esperar para ver como voc vai apresentar isso.
O garom colocou dois pratos quentssimos com uma massa em formato de tubo mergulhado em um molho rosa na nossa frente. A massa parecia estar deliciosa e o cheiro 
era incrvel.
Mas eu mal conseguia comer. Meu apetite havia desaparecido com essa sensao bizarra de felicidade - excitao - pnico que tinha tomado conta do meu estmago.
Era to estranho! Todos esses sentimentos, tudo o que um simples toque dos dedos deles na minha mo podia fazer. Um leve sorriso de Frank podia fazer meus joelhos 
dobrarem.
" essa a definio de sentimentalismo e melao", eu pensei.
De repente entendi o que Paul quis dizer quando me falou que " se fosse sentisse aquilo por algum, no acharia DPAs algo to grosseiro".
Mas Paul ainda estava bem errado quanto a isso. Um pequeno carinho na mo no era uma DPA. Era um gesto de bom gosto para indicar um sentimentalismo romntico.
Acabei me forando a engolir umas grafadas de massa, que estava realmente deliciosa.
Mesmo depois de terminarmos, nenhum de nos mencionou como j era tarde ou que devamos voltar logo para casa. Ns conversamos sobre jornalismo durante a maior parte 
do jantar - tnhamos muito em comum. Eu nunca conseguia conversar com Paul ou com Sharon, ou at mesmo com Linda sobre o universo do jornalismo. Basicamente por 
que eu no queria deixa - los entediados. Mas com Frank eu podia falar sobre isso pro resto da vida.
O garom ps uma carteira de couro com a conta sobre a mesa. Frank conferiu a conta, ento pegou um carto de crdito. Ele tinha um carto de crdito? Que sofisticado!
- por minha conta,  claro - falou com aquele sorriso incrvel. - um prazer.
-Obrigada Frank - sussurrei. Ento nos olhamos diretamente dentro dos olhos por um momento sem pronunciar uma palavra sequer. Ele era to maduro. To adulto. To 
diferente dos outros alunos da escola.
E, definitivamente, gostava de mim!
-Erica, eu tenho uma proposta para voc - disse.
"Uma proposta?"
-Bem, voc sabe que a edio do Dia dos Namorados no vai sair antes da tera feira depois do dia dos namorados... - comeou ele.
-Sei - falei, rezando para que ele no pudesse perceber que eu estava quase ficando sem ar. -Assim o pessoal do jornal pode escrever sobre o baile de sbado a noite 
e revelar as fotos para serem publicadas.
-Ento, eu pensei que talvez ns devssemos ir juntos ao baile - disse Frank. -Ns poderamos fazer anotaes para escrever um artigo especial sobre o baile. Um 
artigo anti - baile. Vai ser o mximo.
Tum - tum - tum. Tum - tum - tum. Tum - tum - tum.
Eu estava to atordoada que mal conseguia falar. O cara dos meus sonhos estava me convidando para o baile do Dia dos Namorados. E com semanas de antecedncias.
-Com o propsito de pesquisa,  claro - completou Frank.
"Propsito de pesquisa?" Isso era to adorvel. Frank achava que realmente precisava de uma desculpa para me convidar para danar. Eu sempre havia pensado que Frank 
London era totalmente confiante. Mas agora ele me mostrava um lado da sua personalidade que eu nunca tinha visto antes. Um lado vulnervel. E era eu quem estava 
deixando - o inseguro.
-tima idia, Frank.
Ele abriu aquele sorriso incrvel e apertou a minha mo.
Frank London era praticamente meu namorado.
Logo que fechei a porta do meu quarto, pulei em cima da cama e comecei a soltar risadinhas compulsivamente. Na verdade, desde o momento em que eu sa do carro do 
pai de Frank - que me deixou em casa aps o jantar - um sorriso enorme no desgrudava do meu rosto.
Risadinhas. Os mesmos sons ridculos que Linda fez quando o Sr. Serson a elogiou. O som que sempre me causou nuseas.
Eu j havia tido outros encontros antes com outros garotos. Mas durante toda a minha histria sentimental, eu nunca havia chegado em casa me sentindo desse jeito.
Era assim que as pessoas se sentiam quando estavam apaixonadas?
O telefone miou e eu agarrei a cabea do Garfield. O telefone em formato de Garfield foi um presente do Paul,  claro. S ele sabia o quanto eu gostava de coisas 
assim. Todo aniversrio e feriado ele me dava um presente de verdade e um de brincadeira, algo que fosse o mais escandaloso possvel. Meu quarto era cheio dessas 
lembranas engraadas do Paul.
-Al - falei.
J chegou do seu encontro dos sonhos? Surpresa, surpresa!
Tentei ignorar o sarcasmo do Paul.
-Se voc achava que eu no estava aqui, por que ligou ento?
Paul fez uma pausa.
-Eu calculei que Frank fizesse algo to detestvel que voc sairia correndo aos berros. Eu s liguei para checar.
-Paul...
-Brincadeirinha - interrompeu ele, e eu pude ouvir um tom malicioso em sua voz. -E a, se divertiu?
-Muitssimo - falei entusiasmada. -O restaurante era incrvel! E ele me convidou para o baile do dia dos namorados! No  demais?
-Pera - disse Paul. -Os dois maiores "anti - romantismo" da escola vo juntos a um baile? E justo no dia dos namorados?
-Bem, Frank e eu estamos acima dessa coisa toda - expliquei. -Ns iremos trabalhar tambm. Faremos uma pesquisa para o artigo que eu estou escrevendo sobre o baile, 
sobre como  idiota toda essa agitao.
Silncio.
-Ah,  um tipo de trabalho? - perguntou ele, aps alguns segundos sem palavras. -Ento no significa que vocs vo ao baile juntos?
- obvio que ns vamos juntos - retruquei. -Quer dizer, ns vamos danar, beber ponche e tudo mais. Mas considerando o modo como ns dois encaramos toda essa coisa, 
faz muito sentido para ele agir como se estivesse me convidando apenas por razes profissionais.
-Mas se vocs dois encaram o baile dessa maneira por que voc vai? Quer dizer, se vocs so to superiores a isso? A menos que seja realmente para escrever um artigo 
anti - sentimentalismo, anti - baile, anti - dia dos namorados.
Silncio. Ele estava tentando me enlouquecer?
-Bem,  lgico que  pra isso.  o nosso objetivo. Mas ns tambm temos permisso de gostar um do outro. E me d um tempo, ok? Ento - disse, doida pra sair do assunto 
"eu e Frank" - , voc vai convidar Katie para o baile?
-Se amanh a noite tudo correr to bem quanto eu imagino, ento sim, vou convida - l. Romanticamente, no entanto. Espero que isso no te deixe to enjoada.
Eu gargalhei. Paul me entedia completamente. Tudo bem, ele no gostava de Frank. De modo algum. Mas ele me entendia, me respeitava, do mesmo modo que eu o respeitava. 
Ns simplesmente tnhamos idias diferentes sobre romance, era s isso. Paul era do tipo que se expe, sentimental. Beijando e andando de mos dadas. Coisas doces 
assim. O tipo de coisa que eu sentia por Frank, mas guardava s para mim.
Eu sempre havia fantasiado que quando encontrasse o homem dos meus sonhos, ele seria exatamente como Paul... mas eu teria por ele todos aqueles sentimentos. Aqueles 
sentimentos que eu nunca teria por Paul por que ele era como um irmo para mim, meu melhor amigo desde os cinco anos de idade. E agora eu experimentava aqueles sentimentos, 
mas o cara no era parecido nada com Paul.
Isso era um tanto estranho.
No conseguia imaginar Frank me entregando um carto do Garfield no natal. Insistindo em um concurso de comer batatas fritas. Apostando corridas comigo ao redor 
do quarteiro da casa. Esse era o Paul.
Por outro lado, eu podia imaginar Frank me dando aquele livro, a coleo de ensaios da minha jornalista favorita. Mas esse tambm era Paul.
-Ah! - falou Paul repentinamente. -Quase me esqueci de te dizer... espera um segundo - ouvi o barulho de papis sendo jogados para os lado, e pude visualizar Paul 
procurando alguma coisa pelo seu quarto nada organizado. -Achei - falou. -No perca a Conveno Anual dos Amantes de Histrias em Quadrinhos - ele leu em voz alta, 
com uma voz empostada. -Catorze de fevereiro no Centro de Convenes de Baltimore, da uma s quatro da tarde.
-Legal! - exclamei. -Eu estava mesmo querendo saber quando a feira aconteceria esse ano.
A conveno de histrias em quadrinhos era uma das nossas muitas "tradies", provavelmente a minha favorita. Paul e eu amos todos os anos e gastvamos horas percorrendo 
os infindveis stands cheios de revistas em quadrinhos, desejando poder comprar cada uma delas. E vrias pessoas iam fantasiadas como seus super - heris favoritos. 
Era bem engraado.
Apanhei meu calendrio e escrevi Conv. De HQs. Dentro do quadrinho de catorze de fevereiro.
-Voc tem certeza que ainda quer ir? - perguntou ele.
-H? - falei, escrevendo Baile Dia - Nam. Com Frank abaixo da anotao da conveno. E desenhei um pequeno corao ao redor do nome de Frank.
-Por que eu no iria?
-Al - o?  dia dos namorados. Voc ainda quer ir?
- claro - fiz uma pausa, sem entender aonde ele queria chegar. -De novo, meu caro, por que eu no iria? Vai ser a tarde, ento ns dois ainda vamos ter tempo suficiente 
para nos arrumar para i baile.
-timo, ento vamos - disse ele.
Eu apoiei a minha cabea sobre o travesseiro e o calendrio sobre a minha barriga.
-Acho melhor ir dormir - disse.
-Eu tambm - concordou Paul. -Amanh eu vou te ligar antes de pegar a Katie, assim voc me ajuda a diminuir meu ataque de pnico.
-Boa noite - falei.
-Bons sonhos - falou e desligou o telefone.
Bons sonhos. Exatamente o que eu esperava ter.
Peguei o meu calendrio e fitei a anotao para o dia catorze. Baile Dia - Nam. Com Frank. Uma outra risadinha saiu da minha boca.
Ento me levantei espantada.
Eu havia desenhado um corao ao redor do nome de Frank. Mas quando eu tinha feito aquilo? Era exatamente o tipo de coisa que eu deveria ser contra. Exatamente o 
tipo de coisa que eu havia planejado ridicularizar em meu artigo anti - sentimentalismo, anti - dia dos namorados.
Estranho. Muito estranho.

Transcrio de entrevista com Linda Hitchen

Erica: Voc tem alguma recordao especial do dia dos namorados?

Linda: O meu feriado favorito foi na poca do meu primeiro namorado, Randy Thomas, na sexta ou stima srie. Tenho quase certeza que era na sexta, por que eu estava 
com o cabelo mais curto naquela poca. A menos que tenha sido na...

Erica: O que tornou aquele dia especial?

Linda: Eu acho que  por que finalmente eu tinha um garoto fazendo todas aquelas coisas para mim. Voc sabe, dando flores, chocolates e tudo mais. Foi na sexta srie 
com certeza.

Erica: Ento no foi especial por que voc gostava realmente de Randy. Mas por que voc queria todas aquelas coisas de dia dos namorados. Ok, prxima pergunta. Na 
sua opinio, qual o propsito dessa data?

Linda: Ah, espera, podemos voltar para a pergunta anterior? Eu gostava dele. Gostava realmente. Fiquei to triste quando ele me largou! Chorei por ele, tipo durante 
um fim de semana inteiro. De qualquer modo, o que foi mesmo que voc me perguntou? Ah, t. Eu acho que o propsito  ser um dia em que as pessoas podem demonstrar 
o quanto se gostam. Voc sabe como os garotos costumam ser... eles no conversam sobre os sentimentos deles ou fazem coisas to gentis freqentemente. Ento no dia 
dos namorados, eles devem, ou talvez podem demonstrar o que sentem. Se eles te derem um carto piegas ou presente realmente legal e te convidarem para jantar fora, 
os amigos no debocham dele, por que  permitido fazer algo assim no dia dos namorados.

Erica: Ento voc est dizendo que no h problema em um cara agir como idiota durante o ano todo e compensar tudo no dia dos namorados? Apenas por que o cara te 
deu uma caixa de chocolates? Isso parece um tanto estranho, no ?

Linda: Garotos so garotos.  assim. Por que voc acha que as garotas do tanta importncia ao dia dos namorados? Por que finalmente elas podem esperam um pouco 
de romantismo dos seus namorados. Faz bastante sentido para mim.

QUATRO

-Quero ver como  que ela vai nos aborrecer hoje - sussurrou Frank em meu ouvido, enquanto a diretora Martin adentrava o palco de auditrio para a nossa reunio 
semanal.
Esforcei - me para no soltar uma gargalhada.
-Talvez seja aquele discurso de "mantenha a escola limpa" - a Sra. Martin, uma mulher baixinha e rechonchuda com um enorme topete alaranjado, era definitivamente 
enfadonha.
Mas, pelo jeito que as coisas caminhavam, eu achava que tudo era possvel. At mesmo um discurso interessante da minha diretora. Alm do mais, quem imaginaria que 
Frank ficaria esperando do lado de fora da minha sala para que ns pudssemos sentar juntos na reunio?
Aquilo foi realmente romntico.
-Bom dia, alunos da escola Emerson - comeou a Sra. Martin. -Nesse fim de semana eu estava pensando sobre responsabilidade...
-No - murmurei pra Frank. - o discurso de dever de casa.
Ele sorriu para mim. Eu achei timo que ns pudssemos fazer gozao juntos. Talvez existisse um pouco de Paul nele, afinal de contas.
Enquanto a Sra. Martin divagava sobre a importncia de estudar, percebi que tinha a oportunidade perfeita para analisar os casais na platia: vendo o quanto eles 
se sentavam prximos um do outro, se eles ficavam de mos dadas ou no, se trocavam olhares ou estavam realmente prestando ateno a diretora.
Anthony Perez e Shay - Lee Ibanez. Eles estavam no ltimo ano e eram populares na escola Emerson. Estudei o modo como se recostavam um no outro, como ele segurava 
a mo esquerda sobre o seu colo. Como ela chegava a esticar todo seu brao esquerdo - que estava livre - para coar seu ombro direito sem desvencilhar a mo direita 
do namorado. Isso era sentimental demais? Ou apenas carinhoso?
Eu estava to ocupada observando os casais que nem percebi a Sra. Martin chamando o consultor do livro anual dos alunos, o Sr. Kensington para um pronunciamento 
especial.
O Sr. Kensington anunciou que a eleio para o historiador da escola aconteceria em duas semanas, e que os candidatos poderiam comear a colar cartazes da campanha 
a partir do dia seguinte. Ele mencionou algo sobre um debate, no qual os alunos poderiam ouvir o que os candidatos haviam planejado.
O historiador da escola era responsvel por documentar os altos e baixos do ano para o livro anual dos alunos. Era algo bem importante na escola Emerson.
Olhei ao redor na platia, procurando mais casais para estudar enquanto o Sr. Kensington continuava falando.
Uau! Um momento! Aqueles dois que estavam completamente grudados eram Paul e Katie?  verdade que no estavam de mos dadas ou coisa parecida, mas o cabelo dela 
estava praticamente espanando o ombro dele.
Paul havia me telefonado antes e depois do seu encontro com Katie no sbado a noite. E depois havia revisado cada detalhe durante a nossa ida habitual ao Bowl - 
a - Rama para comer batatas fritas. Ele e Katie tinham se dado super bem e se beijado duas vezes. Na boca.
Frank e eu no tnhamos nos beijado na boca em nosso primeiro encontro. Mas eu podia apostar que ele beijava incrivelmente bem.
"Ser que o Paul tambm beijava bem?"
Virei - me para frente, chocada com o pensamento que havia acabado de passar em minha cabea. De onde eu tinha tirado aquilo? Paul e eu j tnhamos abraado e nos 
beijado mil vezes. No beijo de namorados,  claro, mas dar bitoquinhas no era problema nenhuma para ns. Dei mais uma espiada de canto de olho em Paul e Katie. 
Ela fitava os olhos dele, ambos concentrados em uma conversa.
-Terra chamando Erica - Frank sorria para mim. Eu nem tinha percebido que a reunio j terminara. -Voc ouviu alguma palavra que o Sr. Kensignton falou?
-Tudinho - menti, enquanto nos levantvamos para sair. Eu no queria que ele soubesse que eu havia bisbilhotado os casais da platia durante o pronunciamento sobre 
o livro anual dos alunos. -Ei, ento voc est interessado em concorrer ao cargo de historiador? - perguntei. Neste momento j estvamos espremido por um zilho 
de estudantes que tentavam deixar o auditrio.
-Com certeza - disse ele. -Eu quero mesmo ganhar.
-No vai ser muito trabalho? - perguntei. -Voc j tem tanta responsabilidade no jornal!
-Eu preciso de desafios, Erica - retrucou ele. -Caso contrrio, eu fico entediado.
Imediatamente eu percebi que estava "secando" Frank - olhando - o com aquela expresso descarada de admirao. Mas eu no podia evitar. Ele era to ambicioso. To 
empreendedor. To capaz de fazer tudo.
-Sabe - falou ele, se aproximando de mim - , essas eleies no so nada mais do que concursos de popularidade. Um monte de gente aqui sabe quem eu sou, mesmo com 
o costume de fica  parte da multido. Por isso eu tenho certeza que se pessoas mais extrovertidas concorrem ao cargo de historiador, eu posso perder. O que seria 
uma grande pena para toda a escola, pois eu trabalharia muito e levaria muito  srio.
-Eu votaria em voc - disse, sorrindo.
-Ei, voc se interessaria em me ajudar com a campanha? - perguntou ele. -Voc  uma tima redatora, e tenho certeza de que poderia criar uns bons slogans. Alm disso 
voc poderia me ajudar a escrever o meu discurso para o debate. Seriamos um time como j somos l no Postscript.
Um time...
-Uau, ento eu seria uma espcie de diretora da sua campanha? - falei.
Eu conseguiria ter soado mais excitada do que isso? Era preciso manter minha alegria sob controle, ou eu comearia a pular como uma louca na frente de Frank! Tudo 
bem, com toda a calma, agora.
-Pode contar comigo!
Isso foi to lisonjeiro. Ele estava pedindo a minha ajuda. Frank London!
Mal podia esperar pra contar pra Paul.

***

-Isso  incrvel! - exclamou Linda, fechando com fora a porta de ferro do seu armrio.
-O que  incrvel? - perguntou Sharon, assim que chegou perto de ns.
-Olha isso - Linda falou pra Sharon - -primeiro Frank a leva para um restaurante caro e a convida para o baile do dia dos namorados. Agora o cara quer que ela ajude 
na campanha dele para historiador da escola. Ele est apaixonado, sem dvida!
-Voc acha mesmo? - perguntei quase histrica. -Essas coisas significam que ele gosta de mim, gosta, muito? Gosta como namorado e namorada?
Linda olhou perplexa para mim, ento colocou sua mo sobre minha testa.
-T se sentindo bem? T com febre? Porque essa no  a Erica Park que eu conheo. Voc t completamente perdida!
Sharon soltou uma gargalhada e prendeu seus longos cabelos loiros em um n frouxo.
-Ento, talvez ele no seja um "mala", afinal de contas. Ele at parece ser legal.
-Ele  - garanti a ela. -Muito, muito, muito legal. Ele  to diferente dos outros garotos...
-O Paul ainda tem as desconfianas dele? - perguntou Sharon.-Por que pode ser bem estranho o seu melhor amigo achar seu namorado um chato.
Eu j havia mencionado a Linda e Sharon que Paul no tinha muita simpatia por Frank. As duas falaram que talvez Paul estivesse com cimes de que outro garoto estaria 
tomando todo o meu tempo. Elas nem desconfiavam do quanto estavam certas. Mas durante o resto do fim de semana, eu tinha ficado pensando se o problema era apenas 
cime, de fato. Parecia que Paul no gostava de Frank por motivos prprios.
-Ele no  meu namorado...ainda. - corrigi Sharon. -Tenho certeza de que se Paul conhecer Frank um pouco melhor vai ver que ele  um cara legal.
Mas e se isso no acontecesse? E se meu melhor amigo e o meu pretendente - a - namorado se odiassem profundamente?

***

Espiei as mesas da lanchonete a procura de Paul, carregando minha bandeja com muito cuidado para que minha salada no acabasse com molho de refrigerante. Ei, l 
estava ele: eu reconheceria aquele cabelo grosso e brilhante e aquele suter azul felpudo em qualquer lugar. Mal podia esperar para contar que eu ia ajudar Frank 
em sua campanha. Caminhei, me desviando das pessoas, em direo a um lugar vazio na mesa de Paul. Mas eu no havia percebido que Katie tambm estava l.
-Oi, Erica - disse Paul. -Que bom que achou a gente.
-...oi - falei, percebendo a mo de Katie segurando suavemente o brao de Paul.
-Oi, Erica - disse Katie. O cabelo dela estava preso em uma longa trana que pendia sobre um dos ombros. Timidamente, eu passei os dedos pelos meus cachos que chegavam 
um pouco abaixo da orelha. Paul havia tido um ataque quando eu cortara meu cabelo h alguns anos atrs. De fato, meu cabelo, j havia sido mais longo que o de Katie.
"Mas cabelos longos esto fora de moda", pensei.
-A gente tava conversando sobre uma coisa engraada que aconteceu hoje na aula de qumica - explicou Paul, que olhou para Katie, que desatou a rir.
Eu balancei a cabea, sem saber o que fazer. Ser que eles queriam continuar falando sobre isso sozinhos? Dei uma olhada pela lanchonete. Estava cheia de mais para 
eu conseguir um outro lugar. Coloquei minha bandeja na mesa e sentei - me na cadeira em frente a Paul.
-Ento, o que aconteceu? - perguntei, enfiando o garfo em minha salada. Eu no gostava de me sentir constrangida daquele jeito. -O que foi to engraado?
-Bem, o Briam Potter pegou o bquer, aquele copo de vidro no laboratrio - comeou Paul.
-E, na mesma hora, a sra. Hunt entrou na sala - continuou Katie. Logo em seguida, ela e Paul se entreolharam e comearam a gargalhar compulsivamente.
-Voc tinha que estar l - disse Paul, balanando a cabea.
-Parece que sim - disse e abri um pequeno sorriso.
-E a, como est o seu dia? - Katie perguntou sorridente, sua cadeira terrivelmente grudada a de Paul. Eles estariam com as mos dadas debaixo da mesa? Tive que 
conter o meu impulso de examinar.
-Tudo bem - respondi educadamente, mastigando um tomate sem gosto. Notei que havia uma pequena espinha se formando na bochecha esquerda de Katie. Por algum motivo, 
aquilo me deixou feliz.
Por um minuto ou dois, ningum pronunciou uma palavra. Eu no conseguia acreditar que estava me sentindo acanhada ao lado de Paul. Era como se a presena de Katie 
tivesse tampado as minhas cordas vocais.
-Ento, Katie... - falei, vasculhando a minha mente a procura de algo simptico para dizer. Eu tinha obrigao de fazer isso pro Paul, independente de quem fosse 
sua namorada.
-Erica!
Olhei para o alto, surpresa.
Frank estava em p, sorrindo para mim, incrivelmente sexy com seus cabelos loiros balanando ao vento. Ele tinha uma sacola de papel marrom em suas mos.
-Ei, esse lugar t ocupado? - perguntou, apontando para a cadeira ao meu lado.
-No! - falei sorrindo, feliz pelo encontro inesperado. Frank no s estava me salvando de uma situao constrangedora, mas estava procurando uma tima chance para 
que Paul pudesse conhece - lo melhor.
Ao sentar, Frank balanou a cabea, cumprimentando Paul e Katie.
-Voc j entrevistou algum para o artigo do dia dos namorados? - perguntou ele, antes de dar uma garfada enorme em sua salada de frango.
-S uma pessoa - contei a ele, arrependida por no ter feito mais entrevistas. Eu estava to ansiosa e preocupada em fazer um bom trabalho que eu vinha adiando o 
comeo.
-Ei, voc j entrevistou esses dois? - perguntou Frank, apontando para Paul e Katie. -H quanto tempo vocs so um casal?
-No faz muito tempo - respondeu Katie, soltando uma risadinha. Paul sorriu, mas eu tinha certeza que ele estava desconfortvel.
-Ento, vocs seriam perfeitos para a entrevista! - comentou Frank, entusiasmado. -Seria timo entrevistar casais em diferentes etapas do namoro - ele me disse, 
levantando sua sobrancelha direita como se eu estivesse entendendo as reais intenes dele.
-Eu acho que isso poderia ser divertido - anunciou Katie. -Eu adoraria que voc nos entrevistasse - continuou, enquanto colocava a mo sobre o brao de Paul. -Se 
no tiver nenhum problema pra voc.
-Por mim, tudo bem - respondeu Paul, com a expresso ligeiramente mais tranqila.
Eles comearam a sussurrar entre si e Frank virou - se para mim.
-Um casal recente, eles so perfeitos para o nosso artigo. - ento, ele abaixou o tom de voz. -E voc viu como os olhos dela brilharam quando ouviu a palavra "casal"? 
Todo mundo precisa de rtulos.  como se ningum fosse maduro ou seguro o suficiente.
-Como voc sabe que eles so um casal recente? - sussurrei, impaciente.
Frank fez uma expresso de satisfao.
-Eu sou um jornalista, Erica. Faz parte do meu trabalho decifrar a linguagem corporal. Observe os dois. - olhei para Paul e para Katie como se estivesse vendo - 
os pela primeira vez. -Preste ateno como eles trocam olhares, as duas cadeiras esto praticamente coladas, a mo dela sobre a perna dele...
- voc est certo - falei cortando -  -Eu to vendo - afirmei. De repente, me chamou a ateno de que minhas mos estavam sobre a mesa, bem na minha frente. As 
de Frank estavam sobre o colo dele. Ns tambm no havamos comeado a sair juntos? Por que estvamos to distantes um do outro? Por que no estvamos de mos dadas?
"Dh, Erica", falei para mim mesma. "Voc j esqueceu qual  o mote da matria do dia dos namorados? Esse tipo de coisa  completamente contra tudo que voc e Frank 
conversam. DPAs, sentimentalismo, romantismo exagerado. Aquelas coisas todas deixam vocs enojados, no ?
Ento, por que, de uma hora para outra, eu estava imaginando como seria experimenta - ls?
-Parece divertido - falou Katie, interrompendo o meu devaneio. -Assim que voc quiser nos entrevistar, estamos disponveis.
Paul concordou com a cabea.
-Basta falar a hora e o local.
-Falando em "hora e local" - disse Frank, cirando - se para mim -, amanh vai acontecer uma palestra na qual eu estou interessado. Uma das amigas do meu pai, a Dra. 
Muzacz, que  professora de redao da faculdade de Hopkins, vai falar sobre as matrias de opinio no jornalismo. Pode ser uma boa ajuda para a edio do dia dos 
namorados.
-Uma palestra de faculdade? - perguntei. Eu nunca havia colocado os ps em uma faculdade. Isso soava como um programa maravilhosamente adulto.
-Que outro tipo de palestra poderia ser? - perguntou Frank. Eu soltei uma gargalhada, ento percebi que ele no estava brincando.
Paul revirou os olhos para mim. Eu fechei a cara para ele.
- claro que eu tenho interesse. Adoraria ir. - contei a Frank.
Claro que assistir palestras de jornalismo no era algo que eu e Paul fazamos quando saiamos juntos, mas isso no significava que eu no fosse gostar.
-A Dra. Muzacz vai falar sobre aquele filme "Todos os homens do presidente" - falou Frank. - uma historia sobre dois jornalistas que...
-Sei, eu j ouvi falar - disse Paul, dando um peteleco numa migalha de po sobre a mesa.
-Ei, vocs dois j viram aquele novo filme sobre uma apresentadora de telejornal? - perguntou Katie. -Intimo e pessoal?Tem uma trilha sonora incrvel com a Celine 
Dion. Minha irm comprou o cd e ...
Frank franziu a testa.
-Dificilmente a Dra. Muzacz discutira sobre a trilha sonora de Todos os Homens do Presidente. Ela ir analisar o tema do filme dentro do seu contexto histrico.
-Estou morrendo de vontade de assistir Intimo e Pessoal - falei abruptadamente, antes que Katie ou Paul pudessem falar algo mais sobre a trilha sonora do filme. 
Quer dizer, faa - me o favor. Eles no percebiam que Frank era um profissional? Que a musica de um filme no interessa a uma pessoa assim?
-Eu tambm to doida pra ver - Katie deu um sobressalto. -Vocs no querem assistir conosco?
Eu olhei para Frank. Ele no parecia estar entusiasmado.
Paul encolheu os ombros:
-Eu no sei. Ns poderamos, talvez.
-Voc sempre fica falando que eu tenho que conhecer a Erica - Katie lembrou a ele. -Essa seria a chance perfeita.
-Que tal no sbado? - sugeri. -Cinema e Jantar? - essa seria a chance perfeita do meu namorado e do meu melhor amigo se conhecerem melhor. Talvez Paul e Frank descobrissem 
algo em comum. Cheeseburgue. Jogos de futebol nas noites de segunda feira. Enfim alguma coisa.
E mais, eu conheceria Katie. Afinal de contas, se ela faria parte da vida de Paul, tambm faria parte da minha. Gostasse ou no.
-Ento, sbado - declarou Katie. -Tudo bem pra vocs?
-Certo - resmungou Paul.
Frank balanou a cabea e eu entendi que sim.
Um programa com Frank e Paul. Eu mal podia esperar.

CINCO

-Qual dos dois? - perguntei a minha irmzinha, levantando dois suteres. -Eu acho que o vermelho me deixa com aparncia mais velha, mas eu fico melhor vestindo azul, 
no ?
Ellen olhava alternadamente para os dois, com seus bracinhos cruzados sobre o peito. Pedir a opinio da criana de onze anos mais indecisa do mundo no tinha sido 
uma boa idia.
-Me - gritei. -Me, eu preciso de sua ajuda!
-No, espera - insistiu Ellen. -Eu posso resolver isso.
-Vermelho ou azul? - perguntei, segurando os suteres sobre o meu corpo. -Eu no posso acreditar que estou tendo dificuldade para resolver isso!
-Por qu? - perguntou Ellen, sentando - se ao meu lado. -Voc est indo para um encontro, certo?  normal voc se importar com a sua aparncia.
Sorri. At mesmo minha irmzinha de onze anos entendia mais de encontros do que eu.
-Ento fala a sua deciso. Rpido.
-O azul - anunciou ela.
Eu mordi o meu lbio.
-Tem certeza? Por que essa  uma palestra de faculdade. Voc no acha que o vermelho me faz parecer mais velha? Mais madura?
Ellen revirou os olhinhos.
-Certo. Veste o vermelho.
-Mas eu achei que voc tinha gostado do...
-Erica! - ela levantou - se com um pulo e colocou as mos no quadril. -Por que voc me pergunta, ento?
Dei um suspiro.
-Voc t certa. Ok, eu vou vestir... - fechei os olhos e estiquei o brao para escolher o suter que eu tocasse primeiro. Senti meus dedos percorrerem pelo tecido 
suave do cardig azul. -Este aqui! - disse, abrindo os olhos.
O telefone miou, eu puxei a cabea do Garfield.
-Al?
-Ei - disse Paul. Eu olhei para minha irm, acenando para que ela sasse do quarto. 
Ela lanou um olhar indignado para mim e eu falei um rpido "obrigada" antes que ela fosse embora.
-E a, o que manda? - eu fui para a cama, carregando o telefone. -Eu no posso ficar muito tempo falando - falei para ele, me espremendo para fora do meu jeans e 
pegando a cala preta que eu havia separado. -Eu tenho aquela palestra hoje a noite com o Frank.
-Eu sei - disse Paul. -A palestra de faculdade que voc no parou de falar.
-Bem,  muito excitante para mim - eu me defendi, encolhendo a minha barriga enquanto eu vestia a cala e sofria para abotoa - l. A ultima vez que tinha usado essa 
cala tinha sido antes de ter desistido de fazer abdominais. Eu gostaria de poder ir com a cala preta que eu havia comprado havia algumas semanas, mas j a usara 
no meu primeiro encontro com Frank.
-Bem, eu tambm no posso ficar muito tempo no telefone. Tenho que comear a fazer uns cartazes.
-Cartazes? - repeti, passando um cinto preto pela minha cala;
-Eu queria ter te falado num outro dia: eu decidi concorrer para historiador da escola.
-Voc o que?! - exclamei, despencando na minha cama. Isso s podia ser um pesadelo.
-Eu sei que eu preciso ter algumas atividades extras no meu currculo, e eu acho que no sou popular o suficiente para ser eleito representante da turma. - comeou 
Paul. -Mas eu gosto de escrever e sou timo para registrar coisas, ento eu pensei que o cargo de historiador seria perfeito pra mim. Alm do mais, no  um cargo 
com muita importncia ou muita glria, mesmo. Quer dizer, eu provavelmente no vou ter nenhum concorrente.
Bem...
-Mas no pense que eu vou deixar voc escapar de me ajudar - acrescentou Paul. -Eu poderia usar os seus talentos maravilhosos no discurso que eu vou fazer.
Eu engasguei.
-Paul...hmmm...na verdade, voc vai ter uma certa concorrncia.
-Quem? Voc? - brincou ele.
-No. Frank.
Silncio.
-timo - Paul falou finalmente. -Eu devia ter imaginado.
-Eu no posso ajudar vocs dois - falei lentamente.
-Bem, tenho certeza que ele ir entender - disse Paul. -Afinal, eu e voc somos amigos a tanto tempo, e...
-Eu j prometi a Frank que o ajudaria - interrompi, sentindo o meu estomago revirar. -Eu no posso voltar atrs agora e dizer que irei ajudar voc.
-O que voc v nele? - Paul perguntou. -Sinceramente, eu no entendo. Ou voc vai me dizer que o jeito que ele agiu aquele dia foi legal?
-Certo, eu desisto. - falei irritada. -Voc no entende. Voc no entende que Frank  maduro. Ele se comporta de modo mais intelectual. E eu estou comeando a agir 
assim tambm.
-Ento,  um problema seu.
-Tambm acho - retruquei acidamente.
Paul soltou um suspiro.
-Eu estou muito triste pela campanha - falei. -Voc sabe que eu faria isso por voc se as coisas fossem diferentes.
-Eu sei - disse ele. -No se preocupe. Apenas se divirta hoje e me liga amanh.
-Ligo - hesitei. -E obrigada por...bem, por entender.
-Tchau, Erica.
-Tchau.
Ao desligar o telefone minha mo descansou sobre o corpo do Garfield por um instante. Estava me sentindo pssima por no ajudar Paul. Mas eu no podia fazer nada. 
Ele havia sido o segundo a me pedir ajuda.
E eu queria ajudar Frank. Queria impressiona - lo. Queria trabalhar junto dele em algo fora do Postscript. Eu gostaria de poder ajudar ambos, mas tinha dvidas se 
eles concordariam com isso. Afinal, eles estavam competindo.
Sentei na minha penteadeira e vasculhei na bolsa de maquiagem. Um pouco de rimel, um pouco de blush, um pouco de brilho nos lbios. Escovei o meu cabelo, depois 
pensei em prende - lo no alto da cabea em um coque sofisticado. Mas me pareceu demais.
-Erica - chamou minha me, da sala. -Frank est aqui.
Agarrei o suter azul e fitei o espelho. No havia a menor possibilidade de que eu me passasse por uma caloura de faculdade. Eu seria a pessoa mais nova l? Talvez 
eu devesse ficar em casa.
"Pare com isso", disse a mim mesma. "Se voc estivesse indo ver essa palestra com Paul, no estaria se preocupando desse jeito. Voc se sente to confortvel ao 
lado de Frank como de Paul . A nica diferena  que voc sente uma coisa por Frank que nunca sentiu por Paul.  s por isso que voc est nervosa."
" normal ficar nervosa desse jeito por algum que voc gosta no ? No  assim que voc deve se sentir?".

***

-Concluindo - dizia monotonamente a professora Muzacz, olhando suas fichas com anotaes - , -a deciso de como voc ir expressar as suas opinies em um meio jornalstico 
 digna de uma intensa considerao, uma vez que as conseqncias do que foi dito podem ter realmente uma grande projeo.
Ela finalmente saiu do plpito, e a platia aplaudiu, ento eu comecei a bater palmas tambm. Frank estava radiante de admirao e aplaudia com bastante fora.
-Ela no  incrvel? - exclamou Frank, enquanto nos levantvamos e seguamos os outros em direo a uma sala adjacente, onde salgadinhos e bebidas estavam sendo 
servidos. Ns ramos os nicos alunos do segundo grau l, apesar de Frank passar facilmente por um universitrio com suas calas pretas e seu suter de l.
-, foi uma palestra surpreendente - repliquei, apesar de estar surpresa apenas com a capacidade da palestrante ser to chata. Ela havia sido bastante seca durante 
toda a conferencia e tinha lido as anotaes no carto na maior parte do tempo. Mas Frank parecia estar ao impressionado que achei melhor esconder minha verdadeira 
opinio.
Estava aliviada de ver toda aquela comida. Peguei um dos pequenos pratos de plstico e enchi de frutas frescas. Eu havia deixado de jantar, j que estava muito nervosa 
para comer antes do encontro, e no momento em que coloquei o primeiro morango em minha boca, percebi que estava faminta.
"Ser que tem algum problema se eu comer um monte dessas coisas?", pensei ao ver Frank colocando apenas dois pedaos de fruta e algumas torradinhas em seu prato. 
Provavelmente tinha, seno eles teriam colocado pratos maiores. Tentei no mostrar minha empolgao ao ver uma bandeja com todos os tipos de cookies possveis.
-Eu quero que voc conhea umas pessoas - sussurrou Frank, me guiando em direo a um grupo de adultos. "Pelo menos ns estvamos ficando mais perto dos cookies", 
pensei, temerosa de ser apresentada aquelas pessoas com jeito de professores da faculdade.
-Professor Grasi - disse Frank, colocando sua mo sobre o ombro de um homem alto e careca.
-Frank London! - exclamou o homem. Ento, ele virou - se para as pessoas que estava conversando. -Frank  um aluno do segundo grau que participou de um curso de 
frias de jornalismo aqui na faculdade comigo - explicou ele. -Ele escreveu uns artigos timos.
Tentei evitar de arregalar os olhos. Frank havia impressionado um professor de faculdade? Uau.
-Bem, voc sabe o que dizem - Frank sorriu, sem nem ao menos piscar ao receber um elogio que teria me reduzido a uma retardada completa. -Ter um professor que exige 
o melhor do aluno j  meio caminho andado.
O professor e o grupo que o acompanhavam sorriram.
-Ento, quem  sua amiga? - perguntou ele a Frank, sorrindo pra mim.
"Por favor no fiquem vermelhas", implorei as minhas bochechas, j sentindo um calor subindo pelo rosto.
-Esta  Erica Park - anunciou Frank,colocando os braos ao redor dos meus ombros e me puxando mais para o centro do grupo.
-Erica  minha nova co - editora no nosso jornal da escola - continuou ele. -Voc deveria ler um dos seus artigos. Ela  incrivelmente talentosa.
"Bem, depois desse elogio era oficial,  impossvel no ficar com as bochechas vermelhas."
O professor Grasi levantou uma sobrancelha.
-Um elogio do Frank? Voc deve escrever muito bem.
-Eu... eu espero que sim - gaguejei. "Que pssimo", eu me repreendi.
-Ento, gostaram da palestra da professora Muzacz? - o professor nos perguntou.
-Absolutamente fascinante - proclamou Frank. Enquanto ele expunha como as idias da professora o ajudariam a compor um artigo que estava fazendo, minha ateno foi 
desviada para bandeja de cookies.
Dei uma escapulida, o que parecia no ter problema algum, uma vez que eu j tinha ouvido sobre o tal artigo. Na mesa de cookies, fiquei em dvida entre o de chocolate 
e o de chocolate com gotas de chocolate. "Ai, que difcil!", pensei pegando dois de cada e colocando em um guardanapo.
Quando retornei pro lado de Frank, toda feliz por estar mastigando, ele ainda falava sobre o artigo. Olhei ao redor e voltei a minha ateno para um casal que estava 
de p num dos cantos da sala, um bem prximo ao outro. O rapaz estava tirando uma torrada com cobertura de queijo do seu prato e dando pra garota. Ela sorria e abria 
a boca de uma maneira sedutora. Depois, levou uma outra torrada em direo a boca da namorada, rindo dela.
Ento esse tipo de coisa no se limitava as escolas de segundo grau? Muito interessante.
Eles estavam claramente apaixonados ou se apaixonando. E pareciam estar se divertindo muito.
" isso, divertiam - se debochando um do outro", pensei. No era por que eu estava comeando a entender a razo dos casais se comportarem dessa maneira que isso 
deixava de ser idiota, certo?
Quer dizer, eu no conseguia imaginar Frank colocando uma torradinha cheia de queijo em minha boca nem mesmo em um momento de ultra intimidade.
Retornei minha ateno para ele. Frank estava rindo de algo que o professor falara. "Ele fica to confortvel entre essas pessoas", notei, meu olhar se concentrando 
no cacho de cabelo loiro que pendia sobre sua testa. "Ele  to seguro, confiante e esperto.Para no falar gostoso."
-Foi um prazer te conhecer, Erica - disse, repentinamente, o professor, estendendo a mo em minha direo. Eu rapidamente engoli o pedao de chocolate que tinha 
dentro da boca.
-O prazer foi meu - falei, apertando a mo dele. Enquanto Frank observava o grupo deles se afastar, sua expresso era de profunda admirao. Eu me dei conta que 
nunca o vira desse jeito antes. Esse era o seu meio.
-Como esto os cookies? - perguntou Frank.
-Muito bons - disse, engolindo.
-Estou surpreso que tenham servido cookies - falou Frank, levantando a mo para tirar algo que estava no canto da minha boca. -Um farelo - explicou com um sorriso. 
-Esse pessoal normalmente s come frutas, queijos e torradas.
Droga. Eu sabia que no devia ter ido atrs daqueles cookies. Frank era to bom nesse tipo de situao. Ele sabia como agir, o que falar, quando rir, quando ouvir. 
Eu me sentia como uma criana.
-Ento, por que no vamos? - sugeriu ele. -Ns podemos voltar andando pelo parque.
Concordei com a cabea. Atravessamos o corredor e samos pela porta da frente.
-Olha aquilo! Mais parece um monte de monstros danando! - exclamei, assustadas com as formas esquisitas que as sombras projetadas pelos galhos de um grande carvalho 
faziam sobre o gramado. Paul adorava quando as coisas formavam silhuetas engraadas. Ele poderia ficar a vida toda admirando nuvens, arvores e sombras de pessoas.
-Voc  uma gracinha, Erica - falou Frank.
Mais uma vez eu me senti como uma criana. Cookies, monstros... talvez eu devesse convidar Frank para assistir um desenho animado l em casa.
Na verdade, eu mesma no era to madura e sofisticada quanto Frank. E o que aconteceria quando ele percebesse isso? Decidiria que no gostava mais de mim?
-Aquele professor parece gostar muito de voc - falei, andando rpido pra poder acompanhar o passo de Frank.
-Eu adorei o curso dele. Voc deveria fazer nas prximas frias. Tenho certeza que ele ficara impressionado de ter outro aluno que consegue construir uma frase.
-Mesmo? Eu? - sorri e mordi o meu lbio. Um curso de jornalismo na faculdade? Isso seria to extraordinrio. Especialmente se tivessem mais alguns alunos do segundo 
grau na sala, eu me dei conta. Mas por que um aluno do segundo grau faria um curso de frias na faculdade, afinal de contas?
Frank parecia no apreciar as pessoas em geral, mas parecia ter considerao por mim. Estranho. H apenas duas semanas atrs, essa "exclusividade" teria me feito 
pular de felicidade. Mas por alguma razo no me sentia mais assim. Metade de mim amava ser respeitada por ele. Mas a outra metade no gostava de nunca ouvi - lo 
falar coisas legais sobre os outros.
De repente, ele parou.
-Estou to feliz que voc tenha vindo hoje a noite - falou suavemente, levantando a mo para tocar minha bochecha. -E eu quero muito ver voc e os seus amigos amanh 
no cinema.
Tum - tum - tum. Tum - tum - tum.
Os dedos deles passaram pela minha pele. Ele chegou mais perto.
E mais perto.
Ele iria me beijar?
Ele inclinou o seu rosto lindo perto do meu, e todos meus pensamentos desapareceram. Aquelas duas metades de mim que antes estava em conflito, repentinamente, fundiram 
- se, amando tudo que vinha do Frank.
Os lbios dele se encostaram nos meus e eu fechei os olhos. Quando ele se afastou, eu tropecei levemente pra trs, tonta, perplexa.
Quando abri os olhos, Frank estava sorrindo docemente pra mim.
-Que gracinha - disse ele. -Voc agiu como se fosse seu primeiro beijo.
"Gracinha."
"timo. Agora ele acha que eu nunca beijei antes."
Ser que algum dia eu me sentiria suficientemente preparada para ele?
Ele voltou a caminhar e eu me apressei para acompanha - lo. Esperei que ele segurasse minha mo, mas as mos dele no saiam de dentro do meu bolso.
Eu acho que estava certa sobre Frank London. Mesmo em um momento de intimidade, ele no era um cara de DPAs.
E no era exatamente um cara assim que eu sempre quis?

SEIS

-Que gracinha - comentou Frank, quando Paul e Katie sentam - se no mesmo lado da mesa da lanchonete T - Bon.
Frank e eu no tnhamos outra sada seno nos acomodarmos um do lado do outro. At era romntico, mas a situao no estava nada confortvel.
Paul me lanou um olhar que eu ignorei. De repente, fiquei muito interessada nas pequenas letras do cardpio.
Essa coisa de sentar um do lado do outro era mais um exemplo do comportamento bizarro de casais para o meu artigo, que, alias, no havia comeado a escrever.
Por que eu no estava me deliciando em escrever todas essas besteiras de casal? Por exemplo, a maneira como Paul havia dado pipoca para kate durante toda a sesso 
de Intimo e Pessoal. A maneira com a qual ela apoiou a cabea no ombro dele. A maneira com que ele no largou a mo dela desde que samos do cinema e entramos no 
restaurante.
-Voc j esteve aqui antes, no ? - perguntei a Frank.
O T - Bon era um grande ponto de encontro da escola Emerson, mas eu no conseguia me lembrar de te - lo visto em nenhuma das vezes em que fui me empanturrar com 
meus amigos.
-Lanchonetes no fazem muito o meu gnero - disse Frank pegando um dos cardpios gigantes. -Prefiro restaurantes. Mas eu sei que lanchonetes fazem muito sucesso 
com alunos do segundo grau.  uma gracinha, na verdade.
Kate e Paul trocaram olhares. O sorriso forado na cara de Paul no iria durar por muito tempo. Eu o conhecia bem.
-Frank me levou para um restaurante italiano superelegante no fim de semana passado. - contei.
Eu senti que precisava explicar, faze - los entender que o gosto dele era apenas mais refinado que o nosso. Havia algo de to terrvel nisso? Por que eles no conseguiam 
enxergar o quanto Frank era maduro?
Katie balanou a cabea, e Paul comeou a estudar o cardpio. Frank examinava o cardpio com a mesma concentrao adorvel que surgia sempre que lia algo.
De repente, a lembrana do beijo surgiu na minha mente. Ou melhor, dos beijos. Na noite anterior, ele tinha me acompanhado at em casa e me beijado novamente antes 
de nos despedirmos. S que nessa segunda vez eu tentei agir como se aquele beijo no fosse algo muito extraordinrio.
Mas foi.
Este era o nosso terceiro encontro oficial. Frank estava definitivamente a caminho de se tornar o meu namorado.
-Ento, Frank, o que achou de Intimo e Pessoal? - perguntou Paul ao fechar o cardpio. Lancei um olhar de advertncia a Paul, conhecendo o tom de rivalidade em sua 
voz.
Frank suspirou, fechando o cardpio e retirando o cabelo da frente do rosto.
-Foi ok. Pra esse tipo de filme.
Kate franziu o nariz.
-O que voc quer dizer com isso? - perguntou ela.
"Era impresso minha ou ela e Paul se ajeitaram para ficar bem mais grudados?", notei.
-Bem, voc no pode esperar que a verso de Hollywood para o jornalismo seja muito acurada, certo?
-Mas o enredo era decente. - cortou Paul, colocou os seus cotovelos sobre a mesa e inclinando - se para a frente.
Frank deu uma risada.
-Totalmente batido - ele balanou a cabea. -Nada como a boa e velha histria sobre a garota do interior que quer vencer na vida. Ela vai para a cidade grande, encontra 
o homem dos seus sonhos, e nas horas vagas, torna - se a maior jornalista da Amrica.
Eu soltei uma risadinha e sorri para Frank. Ento reparei o mau humor no rosto de Paul.
-Ah, vai - argumentei. -At mesmo voc tem que admitir que aquele filme tinha um sentimentalismo acima da mdia.
Paul fitou os meus olhos e mentalmente, eu aleguei que ele deveria desistir daquela discusso.
-Ento todos j sabem o que vo pedir? - perguntou ele.
Suspirei mexendo em meu garfo. Agora Frank e Paul tinham ainda menos tolerncia um com o outro.
-Ei, crianas, o que querem?
Paul sorriu para mim. Nossa garonete favorita estava com o lpis sobre o seu bloco de papel.
Maxi usava toneladas de maquiagem e roupas bem extravagantes. Paul e eu a amvamos. Frank levantou a cabea para olha - l, deu umas duas piscadas, ento virou - 
se para mim, sorrindo e revirando os olhos.
-Cheeseburguer e um milk shake de chocolate - disse Paul.
-O mesmo, mas com milk shake de baunilha. - pedi.
Katie deu uma risadinha.
-O mesmo, mas com milk shake de chocolate e queijo nas batatas fritas tambm.
Frank fechou bruscamente o seu cardpio.
-O prato light de frutas e um ch gelado - ele abaixou sua voz. -Vocs deviam ficar longe da carne vermelha e do queijo.  como assinar uma sentena de morte.
-Eu vou me lembrar disso - Paul falou secamente. Ele virou - se para Maxi. -E faz mal passado, por favor.
- pra j, crianas - disse Maxi, escrevendo o pedido com empolgao.
Depois disso, Paul e Katie comearam a ter sua conversa particular, ento Frank e eu comeamos a discutir sobre a palestra da professora. Era como se ns fossemos 
dois casais separados que no se conheciam e estavam sendo forados a dividir uma mesa.
-Aqui est, crianas - anunciou Maxi, colocando trs milk shakes de chocolate e o ch gelado do Frank sobre a mesa. Eu olhei para a taa na minha frente, ento me 
virei para Paul. Ele hesitou, como se estivesse esperando que Frank notasse que a garonete havia errado o meu pedido. Todos que me conheciam sabiam que eu amava 
milk shake de baunilha. E que eu no me sentia a vontade para falar com garonetes.
Frank tomou um grande gole do seu ch gelado.
-Maxi? - Paul chamou assim que ela foi saindo.
Ela virou - se.
-O que foi, querido?
-Ah, voc sabe o quanto a senhorita Park gosta de milk shake de baunilha, Maxi. - disse Paul. -O choclatra aqui sou eu.
Ela sorriu para mim e empurrou a taa que estava na minha frente para o lado de Paul.
-Ento voc vai beber esse aqui tambm, por minha conta. - falou ela. -Eu j volto com o seu milk shake Erica.
-Ela poderia ter se desculpado. - comentou Frank. -Ela j pode desistir de receber uma boa gorjeta.
-Maxi  uma tima garonete. - disse Paul pegando o seu milk shake, ele parecia chateado.
-Ela  uma amiga nossa. - acrescentei, rapidamente. Eu sabia que Frank s estava querendo me defender. Paul no conseguia perceber isso?
Frank revirou os olhos.
-Deixa pra l. De qualquer modo, Paul, voc tem trabalhado no seu discurso para o debate de historiador da escola?
-Humm - replicou Paul. -Eu j fiz um bom primeiro rascunho. Tenho mexido nele de vez em quando.
-Certo. - disse Frank. -Eu escrevi o meu ontem, entre as aulas.
-olha, eu tenho que te cumprimentar por isso - falou Paul. Lancei um olhar nervoso pra ele. -Deve ser duro fazer um texto satisfatrio quando se escreve apenas durante 
intervalos - ele sorriu inocentemente.
Frank franziu a testa.
-No se voc for um escritor.
Eu dei um suspiro, desistindo oficialmente da esperana de que Paul e Frank pudessem se dar bem.
Ficamos todos aliviados quando os nossos pratos foram servidos. Afinal, no precisavamos mais conversar. Podamos nos ocupar estufando a barriga.
Ainda me surpreendia que Paul e Katie continuavam aninhados, gurdados um ao outro, mesmo quando comiam cheeseburguer e batat fritas. Enquanto isso, entre eu e Frank 
havia espao para uma pessoa inteira se sentar. Isso significava algo tambm? Talvez, no final de contas, ele no gostasse mesmo de mim.
"No se esquea daquele beijo incrvel e de todas as coisas legais que ele tem falado pra voc.  lgico que ele gosta de voc. DPAs no fazem o gnero dele, s 
isso. E no faziam o seu gnero tambm. At que voc se juntou a Frank."
Finalmente acabamos de comer, e quando Maxi deixou a conta sobre a mesa, nos precipitamos sobre ela como se fosse a chave para sairmos de alguma priso.
-Por que eu no coloco isso no meu carto e vocs me do o dinheiro? - sugeriu Frank, levantando - se para pegar a carteira de dentro do bolso de trs da sua cala.
Os queixos de Paul e Katie caram, quase do mesmo modo que o meu caiu no La Dolce Vita. Ento eles trocaram mais um daqueles olhares "qual  a dele?", provavelmente 
o milonsimo da noite. Tudo bem era estranho que um cara da nossa idade tivesse um carto de crdito, mas eles precisavam ser to duros com Frank?
-Esse lugar no aceita cartes de crdito - falou Paul, com um tom de triunfo na voz.
Frank ficou plido, e olhou para mim, com sua boca encolhida.
-Ah...
-De qualquer modo, eu te devo um dinheiro mesmo. - falei de sobressalto, imaginando que no havia nada na carteira de Frank, alm de plstico. Eu no ia deixar Paul 
pensar que Frank estava me deixando mal por eu ter que pagar pra ele.
-Espera um minuto - disse, abrindo a minha bolsa e procurando minha carteira da Hello Kitty, que tambm tinha sido outro presente do Paul. -Aqui - falei colocando 
o dinheiro sobre a mesa.
Eu me recusava a olhar para Paul.
Nos contamos a quantia certa e Paul colocou o suficiente para pagar a parte dele e a parte da Katie, ento Frank recolheu tudo e caminhou para a caixa registradora.
-Eu vou ao banheiro - disse Katie, levantando e largando a mo de Paul.
Assim que ficamos sozinhos, eu me virei para Paul com uma expresso furiosa.
-Qual  o seu problema? - explodi. -Por que voc est sendo to idiota?
-Eu? - exclamou Paul, com seus olhos arregalados. -E o seu namorado?
-Primeiro de tudo ele no  meu namorado - falei. -Ainda. Mas espero que isso mude. Por que no pode dar uma chance a ele? Eu estou tentando ser legal com a Katie, 
certo?
-Isso no  difcil - retrucou Paul.
-Bem, eu no fiz nenhum comentrio sarcstico apesar de voc e Katie terem ficado praticamente colados um ao outro durante todo tempo! - percebi que estava quase 
gritando e abaixei minha voz. -Por que voc no consegue ficar feliz por mim?
-Eu s... - deu uma pausa, olhou na direo de Frank, depois para mim. -Eu s acho que ele no  o cara certo pra voc. Mas... eu no sei, quer dizer... Talvez eu 
ache que ningum possa ser, entende?
Preguei os olhos nele, chocada. Por que aquilo tinha sido a coisa mais confortante que eu ouvira toda a noite? Eu estava aliviada por perceber que ele ainda alimentava 
sentimentos especiais em relao a mim.
Mas por qu?
Ele era o mesmo velho Paul de sempre. Meu melhor amigo. O cara que eu conhecia, melhor do que qualquer pessoa. O cara que me conhecia melhor do que qualquer pessoa. 
O cara com que eu nunca teria que ficar nervosa.
-Olha, esquea isso - disse ele. -Eu apenas nunca serei um grande f de Frank, ok? Mas eu prometo que eu vou tentar lidar com ele na medida que ele te fizer feliz.
Eu sorri.
-Obrigada. E eu prometo que no vou revirar os olhos sempre que vir voc e Katie se contorcendo como duas lombrigas.
-Mas isso... voc t realmente incomodada com esse nosso lance? - perguntou, enquanto um intenso e estranho brilho surgiu em seu olhar. -Ou todas as DPAs te incomodam 
do mesmo jeito? Eu pensei que voc havia mudado sua opinio agora que est apaixonada. Mas pelo jeito que as coisas so entre vocs dois, eu acho que no.
Foi como se eu tivesse sido atingida por um caminho ou algo parecido. Paul havia me perguntado tantas coisas de uma vez s, que eu nem sabia as respostas.
-Ei, desculpa por ter demorado tanto! - ergui a cabea e vi Katie em p ao lado da nossa mesa. Ela sorria para Paul, mas havia algo em seus olhos que fazia o sorriso 
parecer forado.
Paul levantou, envolveu - a com o brao e puxou - a para perto de si.
Frank voltou do caixa.
-Bem, acho que j podemos ir.
Todos sorrimos aliviados.

***

Deixei meu corpo cair pesadamente na cama e me cobri com o edredom. Um caderno repousava sobre a minha barriga. Eu tinha que comear a escrever o meu artigo sobre 
o dia dos namorados. Mas no conseguia me concentrar, no conseguia entender com todas aquelas opinies fortes que eu tinha.
O mais assustador  que eu havia comeado a sonhar com o que eu ganharia de Frank no dia dos namorados.
Naquela noite, depois que ns samos da lanchonete, Paul e Katie viraram para a esquerda; Frank e eu viramos para a direita. Ele me acompanhou at em casa e nossa 
conversa se concentrou no filme em que havamos assistido - que, por sinal, Frank havia odiado. Mas ele no falou nada negativo sobre o encontro em si, o que eu 
achei super legal da parte dele.
Meus dedos comearam a formigar com a lembrana do beijo. Ns havamos ficado em p diante da minha casa, nos olhando fixadamente. Ento, antes que eu percebesse 
o que estava acontecendo, ele pegou meu queixo com a mo e inclinou - se lentamente, encostando suavemente seus lbios nos meus.
Senti meu corpo inteiro amolecer. Seus braos me envolveram enquanto ele me beijava mais intensamente...
Garfield miou, me retirando de minhas memrias. Eu pulei da cama para agarrar o telefone, esperando a voz grave de Frank a me desejar bons sonhos.
-Ei.
-Oi, Paul.
-Escute, eu estou realmente arrependido por hoje a noite.
-Tudo bem. - falei distraidamente. -Eu acho que voc e Frank no foram feitos para serem grandes amigos mesmo.
-Voc est bem?
-To tima - falei, quase piando. Paul me conhecia bem o bastante para saber que toda vez que eu soava como um passarinho era por que no estava bem de fato.
-Ah, que bom. Bem, de qualquer modo, me fala o que voc achou da Katie. Eu queria muito ouvir sua opinio.
Isso era estranho. Ele nem havia percebido a minha voz de periquito?
-Ela parece ser bem legal - disse, bem sincera. -Mas eu no conversei muito com ela.
-Quer sair com a gente amanh a tarde? - perguntou ele. Voc pode aproveitar para conhece - l melhor. Acho que vocs iriam se dar bem.
Eles se viam em dois dias seguidos? Era srio mesmo.
-Amanh? - hesitei. Eu tinha planejado ajudar Frank em sua campanha durante a tarde, mas no queria mencionar isso a Paul. -A que horas?
-Por volta das duas. Eu vou levar Katie ao Bowl - a Rama.
Dei uma piscada.
-Ah - tentei falar algo. De algum modo aquilo soou estranho, Paul levando Katie ao nosso ponto de encontro. -A Katie gosta de jogar boliche? - perguntei. Fiquei 
imaginando se Frank j teria alguma vez jogado boliche. At ento, ns no havamos conversado sobre nada a no ser jornalismo.
-Ah, na verdade, no - ele deu uma pausa. -Quer dizer, ela nunca jogou boliche,  isso. Mas eu imaginei que ns pudssemos ficar na sala de fliperamas.
Eu soltei uma gargalhada.
-E voc quer que eu te d uma "surra" na frente de Katie?
-Perdo? Eu sou o campeo reinante dessa amizade, Erica, e... - fez um clique no telefone. -Ah, espera um minuto.
Esperei enquanto Paul respondia a outra chamada.
-Ei, Erica? A Katie est na outra linha. Eu tenho que desligar.
-Ah, tudo bem - falei.
Mas eu estava chocada. Paul nunca havia desligado o telefone no meio de uma ligao comigo, por ningum. "As coisas so diferentes agora", lembrei a mim mesma. "E 
isto  bom".
-Vejo voc amanh - continuou Paul. -Voc pode me encontrar l certo?
Mordi o lbio.
-Ah...certo.
-Ok, at l.
Eu fitei o aparelho eletrnico.
Outra garota havia tomado o meu lugar na vida de Paul.

Transcrio da entrevista com Sharon Martell

Erica: Voc tem alguma recordao especial do dia dos namorados?

Sharon: Infelizmente no. Eu nunca ganhei um presente no dia dos namorados. Bem, exceto um presente da minha me, mas isso no conta.

Erica:Mas voc j namorou diversos garotos, por que o dia dos namorados  to importante?

Sharon: Ah, vai  super difcil. Voc tem que olhar todas as outras garotas com bombons, bichinhos de pelcias e flores, e alm disso os casais ficam ainda mais 
grudados. O pior  ver o cara que voc est a fim entregando presentes para a namorada dele. Alex terminou comigo em janeiro do ano passado, a, um tempo depois, 
no dia dos namorados, eu entrei na aula de ingls e l estava a nova namorada dele com um buqu enorme que ele havia dado. Foi muito doloroso.

Erica: Tudo bem, ento talvez nos devemos focar no futuro. Quais so os seus planos para o prximo dia dos namorados?

Sharon: Eu tenho que encontrar um par para o baile, a eu no vou me sentir uma perdedora completa. Mas, acredite em mim, a coisa mais difcil desse dia  ver o 
cara que voc gosta com outra garota.

SETE

Paul estava debruado sobre uma mquina de fliperama, e Katie estava em p ao lado dele, sorrindo. A cala creme e o suter de tric preto que ela usava a deixavam 
com uma aparncia muito delicada para o local. Dei uma espiada na minha roupa, cala jeans e camiseta azul-marinho de mangas compridas, e me senti um tanto mal vestida 
ao lado dela.
- Oi, pessoal.
- Espera s um... - resmungou Paul, apertando os botes para manter aquela pequena bola de metal em movimento. - Arrgh. Detonei! , bem, de qualquer modo a Katie 
no  muito ligada em fliperama.
- Isso me deixa com dor de cabea - admitiu ela.
- Agora que voc chegou, ns podemos jogar Super Pinball - disse Paul.
Eu percebi um certo nervosismo nos olhos de Katie.
- No  to difcil assim - eu lhe disse, enquanto seguamos Paul em direo aos fundos da sala de jogos.
Ela sorriu agradecida e chegou um pouco mais perto de mim.
- Eu nunca havia vindo num lugar como esse antes - sussurrou ela - O que voc j deve ter reparado. O Lee me preveniu para tomar cuidado com o lugar onde eu vou 
me sentar com essa cala.
Paul tinha apresentado a Katie ao Lee? Eu senti uma outra pontada daquela dor estranha. Lee era meu amigo, meu e de Paul, e ele j estava dando conselhos a Katie 
de como evitar uma conta na lavanderia?
"Pare de bobeira", eu me repreendi. Lee conversava com diversas pessoas alm de Paul e eu. Ento, qual o problema se Katie era uma delas agora?
- Chegamos - falou Paul, tomando a mo de Katie. - Ta vendo? Parece com uma pequena pista de boliche, no ? - ela concordou com a cabea. - A diferena  que voc 
no vai ficar tentando derrubar nada, apenas deixar as bolas carem naqueles buracos com o maior nmero de pontos. Entendeu?
Ela balanou a cabea, olhando tensa para mim. Ser que ela estava com medo de bancar a idiota na frente de Paul? "Ela realmente deve gostar muito, muito dele", 
pensei.
- Vamos fazer um jogo-teste juntos - sugeriu Paul. Ele enfiou uma ficha na mquina, ento ficou de p atrs de Katie e segurou o seu brao, guiando-a para balanar 
a bola.
Eu balanava o corpo para frente e para trs sobre os meus ps, mordendo os lbios, enquanto observava o modo gentil como Paul segurava o brao de Katie e a ensinava 
as etapas do jogo. 
Ele era to amvel. To paciente. To carinhoso.
To bonito.
"Espere a. De onde veio esse pensamento?"
Sim, Paul era bonito. Mas ele sempre havia sido bonito, era apenas mais um fato. Ento, por que eu estava percebendo isso de um modo diferente agora?
" s porque ele est aqui com Katie e voc est observando a maneira como ele olha pra ela. Isso faz sentido."
Fiquei pensando como seria estar ali com Frank, mas no conseguia imaginar ns dois trocando carinhos como Paul e Katie.
Finalmente Katie pegou o jeito do jogo, e eu fui para a mquina ao lado de Paul. Durante os primeiros minutos Paul continuou fazendo pausas para ajud-la, mas logo 
ele ficou envolvido pelo jogo e ns comeamos a nossa disputa habitual. 
- Olha isso! - eu cutuquei o ombro de Paul e marquei 520 pontos no meu placar.
- Como voc fez isso? - ele perguntou surpreso.
- Fiz quinhentos! - anunciei orgulhosa.
- Ok, agora voc est em maus lenis por causa disso - falou Paul, sorrindo pra mim.
- Eu vou dar um tempo - Interrompeu Katie. - Tem um garoto l esperando por essa mquina, e eu to com um pouco de sede mesmo.
Paul olhou para mim e, em seguida, para Katie.
- Ah, tudo bem - falou ele. - Voc quer que a gente te acompanhe?
- No - ela assegurou a ele. - Eu volto j. S vou pegar um refrigerante.
- Tudo bem - Paul olhou aliviado. Ele a beijou na bochecha e ela foi embora.
Paul e eu reassumimos o jogo e, pouco tempo depois, ns j estvamos rindo e fazendo piadas.
- Droga, acabaram minhas fichas - falei.
Ele enfiou a mo no bolso e retirou duas fichas, colocando-as em uma das mquinas.
- So as minhas ltimas - falou. - Vamos rachar.
Eu sorri. Pelo menos algumas tradies continuavam sendo s nossas, como jogar o ltimo jogo juntos. Ns ficvamos nos revezando na mesma mquina, assistindo s 
jogadas um do outro.
- Empatamos! - anunciei.
- Uau! Ns dois somos muito bons! - Paul me deu um grande abrao, e colocou meus braos ao redor do seu pescoo, sorrindo. Ento ele comeou a me girar, tirando 
os meus ps do cho. Ns rimos tanto que quase camos. Mas ento, subitamente, ele me colocou no cho e deu um passo para trs.
Eu me virei, e l estava Katie, nos observando com uma expresso de "vou-comear-a-chorar". Paul andou em sua direo, mas ela correu para a lanchonete.
- Deixe que eu converso com ela - falei para Paul. - Posso explicar isso.
Ele assentiu com um movimento de cabea, e eu fui atrs dela.
Ela estava sentada em um banco da lanchonete, rasgando um guardanapo. Parecia que ia comear a chorar a qualquer momento.
- Katie, - falei suavemente, sentando-me ao lado dela - eu sei que deve ter parecido estranho, mas...
- Erica, - interrompeu ela - eu sei que vocs dois so apenas amigos. Paul j me falou isso - a expresso do rosto dela estava definitivamente na zona de perigo, 
mudando do vermelho para as lgrimas. - Mas o jeito como ele fala de voc, e o modo como vocs ficam juntos...
Eu balancei a cabea. 
- Ns nos conhecemos desde que brincar em montes de lama era a coisa mais importante na vida. - expliquei. - Ento, ns apenas... quer dizer, ns temos essa maneira 
natural de nos comunicarmos, como se estivssemos um na mente do outro s vezes. E  por isso que eu sei que ele est totalmente maluco por voc.
Ela virou-se pra me ver.
- Mesmo? - perguntou.
- Sim, mesmo. Voc deveria ver o modo como ele se empolga ao falar de voc. Katie, voc tem feito ele to feliz... - eu emperrei. Talvez toda aquela conversa melosa 
estivesse afetando o meu crebro. - No h nada com que voc tenha que se preocupar, acredite em mim.
", porque Paul adquiriu esse novo hbito de me dispensar - que havia acabado de acontecer literalmente - sempre que voc liga ou aparece."
- Eu vou l pedir desculpas - disse Katie. - Obrigada, Erica. Eu to me sentindo uma idiota.
- Sem problemas - garanti a ela.
Mas por que, de repente, eu senti como se tambm precisasse ser confortada?
Ela saltou do banco.
- Voc no vem?
- Ah, acho que no - respondi. - Eu tenho que encontrar o Frank daqui a pouco. D "tchau" pro Paul por mim, ta bem?
Ela concordou com a cabea.
- Obrigada novamente.
Ainda que eu estivesse indo encontrar Frank, me senti deprimida ao sair do Bowl-a-Rama. Paul havia trazido Katie para o nosso ponto de encontro, para o nosso mundo, 
e ela nem mesmo gostava daquele lugar. Como algum podia no amar fliperama e boliche?
E mais importante, como Paul podia amar uma garota que no amava todas essas coisas?

Aaaa... tchim! Ugh. Como era embaraoso espirrar - um grande, barulhento e horrvel espirro - na frente do Frank! Aaaaaa... tchimm!
Ele continuava a digitar em seu laptop. Estvamos em seu quarto, que era imaculado de to arrumado. A nica exceo era a baguna que eu havia feito com cartolina, 
giz de cera, cola e purpurina sobre o carpete ao lado da cama dele. Ou a me dele era uma exmia faxineira ou Frank era muito, muito, muito organizado.
Era to legal estar na casa dele, no quarto dele. Eu pensei que poderia conhecer um pouco mais sobre ele, vendo os psteres nas paredes ou as coisas favoritas que 
ele mantinha ao redor, mas s havia coisas comuns de se encontrar num quarto e alguns poucos livros sobre jornalismo.
- Aaaa... Tchimm!
- Posso pegar um leno? - perguntei a ele.
Sem respostas.
- Frank? Um leno? - repeti.
Ele agarrou a caixa e a passou pra mim sem nem virar a cabea.
- Obrigada - retirei alguns poucos lenos, extremamente atenta  quantidade de barulho que fazia para assoar o nariz. Isso era to embaraoso! E to idiota. Quer 
dizer, eu at poderia imaginar a Linda ficando preocupada por soltar espirros barulhentos diante de um namorado. Mas eu? Paul teria rido da minha cara se pudesse 
ler meus pensamentos nesse momento. Eu j devia ter espirrado um milho de vezes na frente dele durante esses nove anos, sem uma ponta de constrangimento.
Era justamente esse tipo de coisa que eu pretendia ridicularizar em meu artigo anti-Dia dos Namorados. Tenho certeza de que Linda e mais zilhares de outras garotas 
sairiam correndo do baile em estado de pnico se comeassem a espirrar dessa maneira na presena de seus pretendentes. E eu achava isso a coisa mais estpida do 
mundo.
Antes de conhecer Frank.
Eu s esperava no ter pego uma gripe. Faltavam apenas seis dias para o Dia dos Namorados.
Coloquei minha ateno de volta no cartaz da campanha que estava fazendo. Eu no era uma grande artista - cola, papel e purpurina estavam espalhados por toda parte. 
A nica tcnica que eu dominava era o giz de cera.
- Ento, como vai indo a edio do seu discurso? - perguntei para as costas dele.
- Ah-h - respondeu ele.
Suspirei. Quando Frank me convidara para ajudar em sua campanha, a ltima coisa que eu imaginara era ficar sentada no cho de seu quarto com manchas brilhantes grudadas 
no dedo. Eu havia me imaginado trabalhando em seu discurso, usando o crebro em vez das minhas mos claramente ineficazes.
"Como se Frank London necessitasse de algum para ajud-lo a escrever. Isso seria como se Salvador Dal pedisse a algum... bem, como eu para ajud-lo a pintar." 
Se bem que eu acho que poderamos dizer que meus cartazes estavam saindo com um certo toque surrealista.
Repentinamente, Frank inclinou sua cadeira para trs e deu um giro.
- Tenho que dar um telefonema - disse ele. - Pode dar uma revisada nisso pra mim? - ele apontou a tela do laptop.
Meu corao pulou. Ele queria mesmo os meus conselhos.Eu me levantei, arrancando vrios instrumentos de arte em cima de mim e colocando nas toalhas de papel que 
cobriam o tapete. Ele abaixou o olhar para aquele pequeno desastre e franziu o nariz.
- O que voc fez? - perguntou ele com uma voz horrorizada.
Minhas bochechas queimaram.
- Eu, ah,  um tipo de trabalho em processo - falei, sem convencer muito. - Quer dizer, so alguns trabalhos em... processo.
Frank encolheu os ombros.
- Deixa pra l. Eu j volto, ok?
Eu apertava mecanicamente as teclas e o corretor ortogrfico do computador fazia o seu trabalho. Na verdade, eu me senti bem pouco importante enquanto pedia ao computador 
para substituir ou ignorar todas aquelas palavras absurdas do vocabulrio do Frank. Ser que algum da nossa sala conseguiria entender uma palavra do que ele estava 
falando?
Eu j havia terminado quando Frank retornou, e fiquei pensando se deveria mencionar alguma coisa sobre a escolha das palavras. Eu no queria que ele pensasse que 
eu no conseguia entender o discurso.
Ainda que eu j estivesse bastante certa de que Frank gostava de mim, ainda ficava preocupada em fazer algo que demonstrasse que eu no estava no mesmo nvel que 
ele.
-Obrigado - disse ele, parando atrs de mim, esfregando os meus ombros. Ele abaixou sua cabea para perto da minha orelha. -Eu realmente fico feliz com toda sua 
ajuda.
Tudo bem, falar alguma coisa naquele momento era definitivamente impossvel com toda aquela purpurina brilhando pelo meu corpo.
E naquele exato momento, eu espirrei. "timo. Logo quando ele est me tocando. Muito romntico, Erica!"
-Ah, Frank. Pode me passar aquela caixa de lenos novamente? - pedi.
Ele alcanou a caixa e a entregou a mim, ento se sentou na beirada de sua cama, fitando o meu rosto. Eu assoei rapidamente o nariz de novo.
-Passei o olho pelo seu discurso enquanto estava usando o corretor.
-Bastante bom, no ? - ele me olhava como se minha opinio fosse importante.
-Estava timo,  obvio - comecei. Frank concordou com a cabea. -Mas eu realmente acho que voc deve suavizar um pouco a linguagem.
Ele franziu a testa.
Imediatamente eu me arrependi de ter dito alguma coisa. Agora Frank pensaria que por trs daquela mquina de espirros existia uma completa idiota.
-Bem.. acho que voc est certa - reconheceu ele. Eu soltei a respirao aliviada. -Eu esqueci que os Qis dos nossos colegas no correm o perigo de chegar aos trs 
dgitos.
Eu mordi o lbio. Aquilo tinha sido grosseiro.
-Bem, no foi isso que eu quis dizer - falei cuidadosamente. -No  por que as pessoas so idiotas ou no entendem o seu discurso. Mas nem todo mundo est preocupado 
com todos esses detalhes. E bem, acho que voc prefere expor suas idias de um modo que interessem a eles... e no fazer com que precisem olhar o dicionrio mais 
prximo, no ?
Frank concordou, balanando a cabea.
-Essa foi uma boa sugesto.  engraado, voc falou exatamente como o Doug. Ele sempre diz que eu tenho que simplificar meus textos - falou Frank, me olhando profundamente. 
-Eu tenho tanta sorte de ter voc ao meu lado.
A intensidade do olhar dele estava ficando quase exagerada; eu desviei o rosto e, em seguida voltei a encara - lo. Eu o havia realmente impressionado a falar as 
mesmas coisas que o Sr. Serson.
"Eu tenho sorte", pensei, enquanto ele dava um passo para frente e me beijava, retirando um punhado de purpurina do meu cabelo. "Eu sou uma garota sortuda. Sortuda 
e com problemas artsticos."
Aaaaa...tchimmmm!

OITO

-Isso  uma droga - declarei ao desligar a televiso. Eu havia passado todo o meu dia assistindo a programa de entrevistas e novelas, no agentava mais.
" claro que eu precisava ficar doente exatamente no dia em que tanto Charlie quanto Ellen tinham atividades depois da escola", pensei, me sentindo uma miservel. 
Naquela hora eu poderia estar jogando vdeo game com meu irmozinho. Ao menos haveria algum tipo de contato tridimensional.
Eu estiquei o brao para pegar um leno de papel da caixa que j estava quase vazia quando o telefone tocou. Pulei do sof e corri da cozinha para atende - lo.
-Alom? - tentei falar. "Nariz entupido incomoda tanto."
-Oi, Erica?
"Frank"
Obviamente ele tinha percebido que eu no tinha ido a escola e estava me ligando pra saber como eu estava me sentindo! Como era carinhoso!
-Voc est resfriada? - perguntou ele.
-To. Eu acordei hoje de manh e mal conseguia respirar - respondi ao deixar o corpo cair sobre uma das cadeiras da cozinha, apoiando os meus cotovelos sobre a mesa.
- mesmo. Voc estava espirrando um monte ontem - disse ele. -Como est se sentindo agora?
-Um pouco melhor, eu acho - falei e assoei o meu nariz novamente.
-Que bom. Ento, voc acha que vai a escola amanh?
Ele sentiu falta de mim de verdade! A dor do meu nariz vermelho de tanto ser assoado, j estava comeando a desaparecer.
-Eu acho que sim - falei. -Mas meu resfriado est bem forte.
-ah...sabe, eu notei que precisava usar mais alguns cartazes pra minha campanha. Eu colei aqueles que voc terminou ontem, mas seu amigo Paul fez uns realmente profissionais. 
Ento, se voc for a escola amanh e no estiver to mal, talvez pudesse trabalhar em mais alguns cartazes durante a tarde.
Paul tinha cartazes profissionais para a campanha? H?
-E eu marquei uma reunio rpida do Postscript para hoje - continuou ele. -Dale saiu do jornal por causa de um motivo bobo, ento eu repassei o artigo que ele estava 
escrevendo para voc. Se voc concordar,  claro. Poderia ser alguma coisa relacionada ao curso de msica da escola.
-Ah...certo. Sem problemas. - falei, sem pensar. Por que ele estava falando comigo como se eu ainda fosse sua assistente em vez de sua co - editora? "No  por culpa 
dele que voc ficou doente e faltou a reunio", disse a mim mesma.
Certamente Frank no tinha tempo de escrever o artigo, e ele confiava mais em mim do que em qualquer outra pessoa para fazer isso. O que era um elogio.
-timo. - disse ele. -Isso ser um grande favor. E como vai indo o seu trabalho sobre o Dia dos Namorados?
Na verdade, era um tanto duro me manter cnica agora que eu tambm fazia parte dos "cegos de amor". Por isso eu ainda no havia marcado aquela entrevista com Paul 
e Katie. Era muito difcil assistir meu amigo fazendo todas aquelas coisas sentimentais e carinhosas que eu desejava que Frank fizesse.
Mas eu apostava qualquer coisa que a viso de Frank havia mudado tambm. Quer dizer, como poderia no ter mudado depois de todos aqueles beijos de perder o flego 
que havamos dado? E qual o melhor modo de faze - lo perceber isso seno entrevistando - o.
-Hum... Frank, eu gostaria muito de entrevista - lo para o meu artigo sobre o dia dos namorados.
-Se eu tiver tempo,  claro - disse ele. -Eu estou realmente ansioso para o baile no sbado a noite. Ns iremos colher um excelente material.
-Com certeza - retruquei, instantaneamente comeando a sorrir com o pensamento do baile. "Um excelente material, para nos mostrar o quanto mudamos". - Eu estou ansiosa 
por isso tambm - completei.
Eu tinha a sensao de que depois daquele baile eu e Frank nos tornaramos um casal de verdade. De certa forma j ramos, mas no oficialmente. Eu no queria levantar 
nenhuma conversa sobre isso, por que sabia como Frank reagia em relao a rtulos.
Mas se eu queria cham-lo de meu namorado, talvez ele quisesse me chamar de sua namorada tambm.
"Frank London, meu namorado"
- Eu tenho que estudar para uma prova - continuou Frank. - At amanh.
- At amanh - repeti, consciente do sorriso sonhador no meu rosto.
A campainha soou no exato momento em que desliguei o telefone.
Espiei atravs da cortina que cobria a janela de vidro da porta: Paul.
Ele no se importaria com a minha aparncia de desastre completo, certo? Claro que no! Ele j havia me visto pior do que isso inmeras vezes. Dei uma conferida 
no visual pelo espelho ao lado da porta. Eu estava pssima, mas no havia nada a fazer em relao a isso. 
" s o Paul", falei a mim mesma. "Qual o problema?" Talvez fosse porta Katie estivesse sempre bonita e arrumada.
Abri a porta. Paul sorriu para mim.
- Eu trouxe um kit completo de sade para voc - anunciou ele, levantando a enorme sacola de compras que carregava. Paul me seguiu at a sala e afundou no sof, 
colocando a sacola sobre a mesa de centro. Ele olhou o meu rosto bem de perto. De repente, eu desejei no estar to feia. 
- Parece que seus olhos esto bem - disse ele. - Ento, provavelmente no h febre, certo?
Eu balancei a cabea, rindo do diagnstico amador dele.
- O nico problema  o meu nariz, que est me deixando maluca! - expliquei, sentando-me ao lado dele no sof. Paul enfiou sua mo dentro da sacola e retirou uma 
caixa de lenos de papel e uma lata de sopa de galinha. 
- Isso deve ajudar - falou, colocando tudo sobre a mesa. - E os lenos tm aquela coisa hidratante que no deixa o nariz ficar machucado.
Ri, maravilhada de como os presentes dele eram perfeitos.
- Paul, muitssimo obrigada! Isso  exatamente o que eu preciso.
- Bem, voc provavelmente no precisa disso - falou, puxando um mao de folhas de papel deixando-o cair entre ns dois. - Eu pedi aos seus professores que me passassem 
as suas tarefas de casa, pois eu sei que voc odeia ficar atrasada. Mas antes que voc se preocupe, tem um pouco de diverso tambm. 
Ento, ele sacou um vdeo: Grease, nos tempos da brilhantina, um dos meus filmes favoritos.
- Que mximo! - exclamei. - Tem pipoca na sua sacolinha de delcias tambm? - perguntei ansiosa.
- Sinto muito - Paul balanou a cabea, seus olhos piscando - , mas pipoca no  bom para voc.
Eu grunhi.
- Ah, vai doutor,  s um resfriadinho.
Ele colocou a mo na minha testa para checar a minha temperatura.
-  mais do que isso, minha doente.
Eu empurrei a mo dele para longe, mas por causa do remdio para gripe que havia tomado e do movimento brusco, eu cambaleei para frente sobre ele. Ele levantou as 
mos para me parar, segurando meus braos. Nossos rostos ficaram a apenas alguns centmetros de distncia, e nos olhamos, sem falar nada, sem rir, sem nem sorrir. 
Eu tive um estranho impulso de acariciar aquele tufo de cabelo que saa de sua nuca. Um estranho impulso...
Tum-tum-tum. Tum-tum-tum.
"Ahn? O que est acontecendo aqui? Este  o Paul. Meu melhor amigo."
Eu engoli a seco e me movi um pouco para trs.
- Desculpe - murmurei.
- Voc sempre ataca seus mdicos? - falou, esforando-se para fazer uma brincadeira. Mas ele no estava sorrindo, e sua voz estava com um tom mais grave. - Ento... 
eu acho melhor eu ir embora - disse ele, levantando do sof. 
Ele tambm tinha sentido aquilo. Caso contrrio, estaria colocando Grease no videocassete, esquentando a sopa e me contando algo engraado que acontecera durante 
o almoo.
- Alguma coisa muito estranha tinha acabado de acontecer entre ns. Paul sabia disso e eu tambm.
Alguma coisa muito estranha tinha acabado de acontecer entre ns. Paul sabia disso e eu tambm.
- Eu tenho que, eh, encontrar a Katie daqui a pouco - acrescentou ele. - Ela est me ajudando com o meu discurso. Para o cargo de historiador.
Katie. Bom, talvez eu estivesse errada. Talvez eu estivesse completamente errada. 
Ela estava ajudando Paul em sua campanha? Ah, ento era por isso que ele tinha cartazes profissionais. Katie era tima com desenhos e arte. Eu deveria ter imaginado 
que ele pediria ajuda a ela. Ser que existia alguma parte da minha vida que essa garota no tinha tomado conta?
- Bom, obrigada por tudo - agradeci e me levantei.
- E Katie me contou que est se preparando para ser entrevistada por voc para a edio sobre o Dia dos Namorados. Ela disse que amanh antes da primeira aula seria 
timo para ela. Isso se voc for  escola.
A ltima coisa que eu queria fazer era entrevistar a Katie.
- Humm, ... legal. Tenho certeza de que eu vou me sentir melhor quando acordar.
- Ok, ento melhore - ele andou em direo  porta, com uma expresso claramente artificial.
Eu abri a porta, sem querer que ele sasse, sem querer que ele ficasse. O que eu queria?
Ele se inclinou e me beijou na bochecha. Exatamente como j havia feito um milho de vezes antes.
Mas dessa vez a sensao estava mais presente. Da sua proximidade. Do seu perfume de sabonete. Ele desceu os degraus aos solavancos, virando-se para acenar, e eu 
sorri para ele.
"Por favor, espero que isso seja o remdio afetando o meu crebro, o meu sistema nervoso e o meu corao", eu rezei. Tinha que ser o efeito do remdio para gripe. 
Tinha que ser.

Transcrio da entrevista com Katie Wing

Erica: Ento, na sua opinio qual  o propsito do Dia dos Namorados?

Katie: [Risadas] Bem, isso no  meio bvio? [Mais risadas] Eu mal posso esperar para ver Paul vestido para o baile. Eu sei que ele vai ficar lindo. Eu acho que 
ele deveria usar gravata, mas ele falou que...

Erica: No gosta de gravatas, eu sei. Humm, voc tem alguma expectativa em relao a essa data?

Katie: Lgico! Como voc pode realmente gostar de algum e no ter expectativas?  o dia reservado para todas essas coisas romnticas e piegas. Bombons, flores, 
coraes, voc sabe. E muitos e muitos beijos. Eu j falei que Paul tem o beijo mais maravilhoso que eu j...

Erica: Ok, Katie, muito obrigada.  tudo de que eu preciso.

NOVE

- Voc conseguiu - Paul me cumprimentou assim que eu me sentei ao lado dele na aula de histria.
- Eu t me sentindo bem melhor - falei animada. Sorri para ele e ele sorriu de volta.
"Est vendo? Tudo voltou ao normal", eu me tranqilizei, percebendo que ele vestia o suter azul-escuro que eu havia dado no Natal. Percebi, tambm, o quanto ele 
ficava bem nele...
"Isso no  voltar ao normal, Erica. E ontem  noite voc no dormiu sob nenhum efeito do remdio."
- Tem algo que eu preciso conversar com voc - sussurrou ele. -  sobre sbado.
- Sbado?
- , humm, a conveno de histria em quadrinhos... - ele enrolava para falar enquanto os seus olhos passeavam ao redor da sala, olhando para todos os lados exceto 
para mim. - Bem,  no Dia dos Namorados, e acho que eu deveria passar o dia com a Katie.  importante para ela. Mas voc provavelmente sabe disso, j a entrevistou.
Abaixei a cabea e olhei para o meu caderno vermelho.
- Tudo bem, no ? - perguntou ele, com uma preocupao em seus olhos escuros. - Quer dizer, voc provavelmente quer passar o dia com o Frank, certo?
Senti uma pontada atrs das minhas plpebras. Lgrimas.
Passei o dedo no canto do olho para enxugar as lgrimas e voltei a encarar Paul.
- Claro. Tenho certeza de que Frank vai querer fazer alguma coisa romntica durante a tarde. Ento... talvez seja melhor a gente cancelar.
Na verdade, Frank no havia comentado nada sobre o sbado  tarde.
- Quer saber, talvez eu v  conveno com Frank - contei. - Seria legal mostrar a ele algo que me interessa.
- Essa vai ser a primeira conveno de quadrinhos que ns vamos perder... at hoje - lembrou ele, olhando-me nos olhos. - Vai ser um pouco estranho no ir - continuou. 
Eu concordei com a cabea, sem saber o que dizer. - Ah, e eu esqueci de te falar ontem. Katie me contou sobre o papo de vocs duas no Bowl-a-Rama e o quanto voc 
a fez se sentir melhor. Ela andava preocupada que voc fosse minha outra namorada ou alguma coisa do gnero. Mas depois da conversa, ela percebeu o quanto eu tenho 
sorte por ter uma amiga como voc.
"A outra namorada dele. A outra. Como Katie ousava pensar que eu seria apenas uma outra na vida de Paul!"
"Pera! Calma, Erica. Seja l o que est acontecendo, est ficando bem estranho."
- Eu preciso muito de um favor - ele falou baixinho. - Amanh, depois da escola, eu tenho que comprar o presente do Dia dos Namorados para Katie. Voc poderia me 
ajudar a encontrar algo para ela?
O que era aquela sensao de punhalada no meu peito? Eu engoli seco, aliviada que o nosso professor tinha acabado de entrar na sala.
- Sem problemas - afirmei para ele, enquanto meu corao estava sendo retorcido.

- Bem, vamos deixar as coisas mais claras - falou Linda, empurrando o cabelo para rs dos ombros. - Agora voc est deprimida por causa de Paul e da namorada dele? 
Mesmo com Frank London, o deus do jornalismo, caindo de amores por voc?
Dei uma pausa, respirando profundamente.
- Eu estou feliz por Paul e Katie, de verdade - argumentei. -  s que, por algum motivo, uma sensao me incomoda. Uma sensao de que ela est tomando conta de 
tudo que era meu, entende?
Era esse o problema, eu havia decidido durante a aula de histria. A questo no era que depois de nove anos eu estivesse tendo sentimentos inesperados por Paul. 
No era que estivesse com cimes dele e de Katie. E no era que eu estivesse magoada por ele ter me dispensado para passar o Dia dos Namorados com Katie. Eu estava 
louca pelo Frank.
Linda levantou uma sobrancelha.
- Voc quer dizer tomando conta de Paul.
- No - falei, olhando para meus livros. - Eu no quero ser a namorada de Paul. Eu nunca quis, voc sabe disso.
- E as coisas andam bem com o Frank, certo? - interrompeu Linda, passando os dedos pelo cabelo como se estivesse olhando no espelho de dentro de seu armrio.
- Sim - eu comecei a cutucar os livros nos meus braos - Ele ... incrvel. Mas mesmo assim, eu no consigo evitar essa sensao de que estou perdendo Paul ou algo 
parecido.
Linda balanou displicentemente sua mo pelo ar.
- Escute, essa  a questo. Voc est acostumada a ser a pessoa favorita do Paul, e est se sentindo excluda apenas porque no  mais. E isso  tipo um chute no 
ego, no ?
Eu estremeci. As palavras speras dela tinham feito com que eu me sentisse uma pessoa pssima, especialmente porque eu sabia que ela estava certa.
- Mas - continuou Linda - voc vai superar isso logo. Especialmente com algum lindo como Frank London do lado para aliviar o choque.
Ela sorriu, e eu no tinha outra sada seno retribuir o sorriso. s vezes, era bom ter uma amiga to direta. 
O sinal tocou.
- Obrigada, Linda.
"Linda  sempre boa para nos trazer de volta  realidade", falei para mim mesma enquanto atravessava o corredor. "Provavelmente s estou estranhando o modo como 
Paul faz to bem essas coisas romnticas - me levando sopas e lenos de papel quando eu estou doente, preocupando-se com o presente de Dia dos Namorados, comprando 
o livro de artigos da minha jornalista favorita para comemorar o meu novo cargo de editora do Postscript."
Talvez eu esperasse que Frank fosse um pouco mais atento. Um pouco mais como Paul. No que eu quisesse Paul propriamente dito.
No era esse o caso, definitivamente. E depois de uma tima tarde na conveno de quadrinhos com Frank, e da incrvel noite no baile, eu teria certeza absoluta disso. 
Tudo voltaria ao normal.

***

Eu coloquei minha bandeja sobre uma mesa nos fundos da lanchonete para observar com calma o comportamento dos casais da escola Emerson. Tinha certeza de que colheria 
um material interessantssimo, e eu precisava comear a escrever o meu artigo para o Postscript. Peguei o meu cheeseburger e olhei ao redor.
Meu olhar se fixou em Marie Ikrath, uma garota que eu deveria ter entrevistado. Ela estava sentada ao lado de seu namorado, Clinton Arrowood. Eles conversavam, riam, 
conversavam, riam, se tocavam, se beijavam. Marie e Clinton namoravam h um tempo. E me lembrei do ltimo Dia dos Namorados: ele tinha trazido um enorme buqu de 
rosas para a escola e entregado para Marie no meio do corredor, diante de todos os alunos. Eu havia achado aquilo to forado!
Mas agora morreria de felicidade se Frank fizesse a mesma coisa.
Clinton levantou o copo de refrigerante de Marie de modo que a nica coisa que ela precisaria fazer era dar um gole. Depois, colocou o copo sobre a mesa e deu um 
beijo na bochecha dela. Aquilo me fez lembrar o modo como Paul sempre adivinhava quando eu queria algo, mesmo antes de pedir.
Agora, o casal estava de mos dadas, e, de vez em quando, Clinton puxava as duas mos em direo a sua boca para beijar os dedos de Marie.
"Se voc sentisse aquilo por algum, no acharia DPA algo to grosseiro." As palavras de Paul daquele dia fatdico no Bowl-a-Rama voltaram para me assombrar. De 
fato, no achei que aquilo que Marie e Clinton estavam fazendo fosse grosseiro.
Percebi o quanto era carinhoso, bonito e maravilhoso. Era amor. E era algo que voc nem poderia evitar, caso estivesse amando daquela maneira.
Eu virei meu rosto, com a sensao repentina de que estava invadindo um momento de privacidade.
Ento, agora sabia por que no havia conseguido entrevistar as pessoas. Por que no havia trabalhado em meu artigo. Como poderia ridicularizar algo que, agora, eu 
levava to a srio? Eu passei a entender que DPAs eram algo natural.
E que carinho no era algo para se debochar.
- Ei, Erica. Observando todos esses casais afetados, h? - Frank sentou-se do outro lado da mesa e desembrulhou um sanduche. Obviamente ele havia me procurado pela 
lanchonete toda antes de me achar escondida ali no fundo. Isso tambm era romntico. O fato dele no gostar de DPAs no significava que ele no sentisse o mesmo 
que eu sentia.
"Mas, o que eu sentia, afinal?"
- Bem, voc fez aquele artigo sobre o curso de msica da escola? - perguntou, tomando um gole do seu ch gelado.
- Nossa, eu me esqueci completamente disso! - admiti, surpreendida com a minha sinceridade. - Eu estava muito doente ontem, e hoje tenho um monte de coisas para 
colocar em dia...
- Tudo bem - disse ele. - Mas se voc conseguir fazer at amanh...
- Claro - retruquei, sorrindo para ele. Ento, percebi que estava esperando ele me perguntar se eu me sentia melhor, se eu precisava de alguma coisa. Mas ele no 
falou nada. Provavelmente tinha muitas coisas com que se preocupar, como o Postscript e a campanha de historiador da escola.
- Sem querer eu ouvi a histria mais triste do mundo enquanto estava na fila para comprar meu cheeseburger - falei, espremendo um sach de ketchup sobre as minhas 
batatas fritas. - Quer um pouco? - perguntei.
- Obrigado, mas eu tento evitar essas coisas gordurosas - ele me lembrou. Naquele dia horrvel em que saramos com Katie e Paul, ele havia mencionado que no comia 
fritas ou qualquer outra coisa ensopada em leo. Acho que eu no tinha registrado essa informao. Como que algum podia no amar batatas fritas?
- Mas qual histria piegas que voc ouviu? - ele revirou os olhos. - Eu tenho certeza de que vou perder o apetite - falou, colocando o seu sanduche sobre a mesa.
- No, foi realmente comovente - falei a ele. - Um garoto contava para a namorada que quando ele era mais novo havia um costume na escola de dar presentes secretos 
durante a semana do Dia dos Namorados - contei, enquanto Frank balanava a cabea, sem demonstrar muito interesse. - Ento, os alunos deixavam coisas dentro do armrio 
da pessoa escolhida, todos os dias da semana. A, o Anthony...
Frank franziu a testa.
-  importante manter as fontes annimas - interrompeu ele. - At mesmo se voc estiver apenas me contando algo.
Engoli seco.
- Eu sei.
- Ei, no fique chateada - falou ele, sorrindo. - Mas lembre-se disso para o futuro.
"Isso foi um pouco irritante", pensei, dando uma mordida em meu cheeseburger para esconder a expresso em meu rosto. Ele sempre tinha que fazer algum comentrio 
profissional? Estvamos apenas eu e ele. At parecia que eu sempre mencionava os nomes das pessoas em meus artigos.
"Erica, foi exatamente isso que fez voc se sentir atrada pelo Frank no incio. Ele  um 
jornalista srio, exatamente como voc. Fica fria."
- E a? - perguntou ele.
- A, a fonte passou a checar seu armrio todos os dias, excitado com o que iria encontrar. Mas nunca havia nada. E ento, essa  a pior parte, no ltimo dia, ele 
imaginou que haveria algo muiiiiito grande para compensar toda a semana. Ele ficou totalmente fixado nessa idia e...
- No havia nada no armrio - finalizou Frank, balanando a cabea como se j conhecesse o fim.
-  - falei. - No  horrvel?
-  exatamente por isso que essa data  uma grande bobeira - afirmou Frank.
Franzi a sobrancelha, surpresa de que Frank no tivesse se sentido tocado do mesmo modo que eu. Ele no conseguia imaginar a expresso no rosto do pobre Anthony 
ao abrir o armrio vazio na sexta-feira?
- Ah, e sobre a minha entrevista - acrescentou Frank. - Talvez pudssemos faz-la durante o baile. Eu vou estar bastante ocupado at l por causa da minha campanha 
para historiador da escola. 
Concordei com a cabea. A ltima mordida daquele cheeseburger se transformou numa massa dentro do meu estmago. Ento, os pontos de vista de Frank continuavam os 
mesmos? Eu tinha imaginado que os sentimentos dele por mim fariam com que alguma coisa mudasse. Mas ele soava to cnico quanto no incio. Ser que isso significava 
que ele no gostava realmente de mim? 
- Ah, e eu acho que ns deveramos nos encontrar no sbado  tarde - disse Frank - , assim poderamos decidir o que iremos cobrir durante o baile. 
Uma exploso de excitao tomou conta de mim. Frank queria passar todo o Dia dos Namorados comigo! E ele estava pedindo daquela mesma maneira adorvel. S porque 
eu me transformara em uma bola de sentimentalismo, no significava que ele tambm precisava me acompanhar nessas loucuras. 
E s porque ele no era um palerma, no significava que no estivesse louco por mim. 
O jeito de ser de Paul no era o nico. As pessoas podiam expressar os seus sentimentos de modos diferentes, e isso era tudo. 
Era isso! Era esse o mote para o meu artigo. Por todo esse tempo eu no tinha conseguido imaginar como abordar o assunto, agora que eu entendia os DPAs... certo, 
agora que eu tinha expectativas em relao ao Dia dos Namorados. 
Que alvio! Estava to inspirada! E era graas ao Frank. 
- timo! - falei a ele. - Na verdade, eu quero muito, muito mesmo, ir a um certo lugar no sbado  tarde e eu gostaria que voc fosse comigo.  uma conveno de 
histrias em quadrinhos que eu visito todos os anos, e garanto que voc vai se divertir. 
Frank me encarou, perplexo. 
- Uma conveno de histrias em quadrinhos? - repetiu ele. - Voc est brincando? 
Ser que ele havia percebido a minha cara cair? 
- Bem... na verdade... no.  realmente divertido.
Ok, talvez eu e Frank no concordemos em absolutamente nada. Mas isso significa uma relao mais saudvel, certo? 
- Mas se no estiver a fim, ento...
- Eu vou - disse Frank. - Apesar de ter que admitir que estou surpreso de saber que uma pessoa como voc passaria uma tarde olhando desenhos - ele riu. 
- Histrias em quadrinhos - murmurei suavemente, mordendo o meu lbio. 
- O qu? - perguntou ele. 
Balancei a minha cabea e sorri para ele. 
- Bem, se  importante para voc, ento  claro que eu irei ele me fitou, aproximando-se de mim. - Erica, eu realmente valorizo isso. Essa conexo que ns temos. 
Voc sabe disso, no sabe? 
Eu olhei para aqueles olhos verdes cheios de sinceridade. 
- Sei - falei timidamente. - E, bem, vai ser no Dia dos Namorados. 
Frank sorriu. 
- Ah, e nenhum casal de estudantes que se preze perde a oportunidade de fazer alguma coisa nessa data - brincou ele, seus olhos brilhavam. 
"Casal de estudantes." Meu corao comeou a fazer passos de bal dentro do peito. Frank havia nos chamado de casal sem pestanejar. 
Isso era definitivamente um rtulo.

Transcrio da entrevista com Paul Garabo.

Erica: Bem, eu ainda no entendi por que voc insistiu que eu te entrevistasse. Eu imaginava que voc fugiria aos berros desse gravador. E mais, voc no est preocupado 
com o que ir comprar para Katie para o Dia dos Namorados? 

Paul: Para que servem os amigos, no ? Isso  para te ajudar com o seu artigo. Ah, a gente tem que dar uma olhada naquela loja. 

Erica: Uau, olha s todas aquelas coisas na vitrine! Eu nunca havia visto tantas caixas de bombons em formato de corao e tantos bichinhos de pelcia em toda a 
minha vida. Ei, mas quer dizer que agora voc est disposto a dividir as suas opinies, mesmo que anonimamente, com toda a escola? 

Paul: Para ajudar voc sim, senhorita editora.

Erica: Humm, Ok. Ento, voc, tem alguma recordao especial do Dia dos Namorados? 

Paul: Pera, voc sabe tudo o que aconteceu na minha vida. 

Erica: Voc entende qual o significado da palavra entrevista? [suspira profundamente] Ok, prxima pergunta. Na sua opinio, qual  o propsito do Dia dos Namorados? 

Paul:  fcil.  um dia para liberar os seus sentimentos e fazer que algum em sua vida sinta-se especial. 

Erica: Dando a essa pessoa chocolates e flores mais caros do que o habitual? 

Paul: No, compartilhando smbolos tradicionais do amor como um modo de representar os seus sentimentos. 

Erica: As lojas esto te pagando alguma coisa? Ei, pare, sem bater na sua entrevistadora. [barulhos de confuso] Ento, espera, voc est falando que aquelas pequenas 
caixas de bombons em formato de corao so especiais pelo fato de no serem nicas? 

Paul: Ei, sem chutar o entrevistado! [mais barulhos de confuso] ,  exatamente o que estou falando. Veja dessa maneira: quando um homem pede uma mulher em casamento, 
ele sempre d a ela um anel de diamantes, certo?  uma coisa universal. No , de modo algum, nico. Mas  exatamente o significado por trs desse velho gesto repetido 
inmeras vezes que torna o anel de diamantes algo importante. 

Erica: [silncio] 

Paul: Nenhum comentrio irnico? Voc provavelmente est achando que  a coisa mais estpida que j ouviu na vida, certo? Piegas e sentimental. 

Erica: [barulho de pginas de caderno sendo folheadas] Eu estou entrevistando voc, Sr. Garabo. Prxima pergunta. Como voc, hum, planeja celebrar o Dia dos Namorados 
esse ano? 

Paul: Com a garota que eu ... bem, com Katie. 

Erica: [silncio por um longo intervalo de tempo, depois fecha rapidamente o caderno] Ok, obrigada, Paul. 

Paul: Mas eu pensei que voc tinha mais ... 

Erica: No, eu tenho tudo de que precisava. Vamos logo resolver essas compras, certo?

DEZ

- O ursinho ou o diabinho vermelho? - falou Paul, levantando os dois bichinhos de pelcia na frente dele.
Eu grunhi. O ursinho era realmente adorvel.
- Eu no sei, Paul. Eu no a conheo muito bem.
O sorriso dele desapareceu.
- O ursinho , sem dvida, mais romntico - concluiu, jogando o diabo de volta na prateleira. - Por que eu ainda te pergunto sobre bichinhos de pelcia? Voc odeia 
essas coisas!
"Odiava. Eu provavelmente me derreteria caso Frank me desse um lindo ursinho de pelcia."
- Isso est sendo uma tortura para voc, no ? - perguntou ele, rindo. - O maior dos pesadelos: fazer compras para o Dia dos Namorados.
Ento ele achava que era por isso que eu estava to irritada? Pelo menos, Paul no percebera nada: eu j estava farta de rodar pelo shopping procurando o presente 
absolutamente perfeito... para Katie.
- Ele tem olhos mai atraentes que os do diabo - comentei, entregando o ursinho para Paul.
- Voc acha mesmo? - Paul estudou o rosto do brinquedo muito seriamente.
- Voc j t pronto? - falei, tentando acelerar a deciso. Nesse momento, uma mulher que corria para a seo de cartes deu um esbarro em mim e eu tropecei. O lugar 
parecia um campo de batalha naquele dia.
Paul olhou indignado para ela.
- Voc est bem? - perguntou ele, virando-se para mim com um olhar de preocupao. Ele colocou a mo sobre o meu ombro e, mais uma vez, fiquei atenta  sensao 
do toque e peso de sua mo. Um arrepio subiu pela minha coluna at chegar na nuca.
O que est acontecendo comigo? Esse tipo de sentimento deve ser reservado apenas para o Frank. O toque dele pode fazer isso comigo, no o de Paul.
"Era como Linda dizia", pensei. "Algum tipo de ego machucado, agora que eu no posso t-lo. Agora que eu no sou mais a primeira. Agora que ele est apaixonado por 
outra garota." Era a nica explicao que fazia algum sentido.
- T bem - assegurei a ele. - Est muito cheio. Talvez ns devssemos ir embora agora que voc j tem tudo.
Ele assentiu com a cabea, observando novamente o ursinho que havia colocado na cesta da loja e dando uma olhada na sacola que segurava com a outra mo. Caminhamos 
para o final da longa fila do caixa.
- bem, eu j tenho os bombons, o bichinho de pelcia, o papel de presente e as fitas para embrulhar - disse Paul.
- E o carto que voc demorou uma hora para escolher - lembrei a ele. - Acho que est tudo resolvido.
Virei a cabea e avistei um monte de bales a gs com mensagens de amor. "Minha paixo." "S quero voc." "Eu te amo." H duas semanas atrs eu tiraria uma foto 
e escreveria uma legenda sarcstica sobre o quanto era ridculo ver aquelas palavras num balo. Mas agora eu queria os bales! Eu queria tudo naquela loja!
- Voc no acha que eu devia comprar algo mais pessoal para ela? - perguntou Paul.
"No, eu no acho. Voc s est saindo com ela h uma semana e meia. Ela no merece um tipo de presente mais pessoal que, at hoje, voc s havia comprado para mim."
- Bem, talvez algo pequeno - concordei, percebendo que ele estava realmente falando srio sobre isso. - Se voc acha que deve.
"Ele deve gostar muito de Katie. Talvez ele at esteja apaixonado."
Ele me fitou por um segundo, ento me puxou para perto dele, no momento em que um grupo de mulheres enlouquecidas passou aos solavancos em direo ao estande vermelho, 
rosa e branco abarrotado de chocolates.
- Desculpe se eu fui muito brusco.
Dvamos uns passinhos para frente conforme a fila andava.
Paul sorriu de maneira sem graa.
- , eu imagino que voc e Frank nem vo trocar presentes, no ?
- Bem, ele no curte muito esse tipo de coisa - justifiquei rapidamente. "Na defensiva, na defensiva." - As pessoas expressam os seus sentimentos de maneiras diferentes, 
Paul- falei o meu mais novo lema, minha opinio oficial sobre o "assunto Dia dos Namorados". Mas ento por que aquilo soava to falso?
Ele deu de ombros:
- Ento me ajuda a pensar o que mais eu posso dar pra Katie.
Finalmente chegamos at o caixa da loja, e alguns minutos depois, eu estava suspirando aliviada por ter sado daquele lugar.
- Por que no damos uma volta e vemos se alguma coisa chama a nossa ateno? - sugeri, enquanto avanvamos pelo meio da multido. - O que ela gosta?
- Ela  uma excelente artista - falou ele. - Ela adora desenhar. Talvez eu devesse comprar algum material de pintura. Ah, isso  to difcil... - desabafou. - Eu 
nunca tive nenhuma dificuldade para comprar algo para voc.
Nesse momento, ns havamos chegado ao enorme poo dos desejos, bem no centro do shopping. Paul retirou uma moeda de seu bolso e jogou l dentro. Ficamos observando 
todas as moedas no fundo do poo.
- Qual foi o seu desejo? - perguntei suavemente.
- No posso falar, bobinha - disse ele. - Seno no se realiza.
Eu tinha certeza de que era algo relacionado a Katie.
- Aqui - disse ele, passando uma moeda para mim. - Faa um pedido.
Eu peguei a moeda, que ficou bem quente em minha mo, e fechei os olhos. "Eu quero..."
"O que eu quero?"
- Ah, eu esqueci - disse ele. - Fazer pedidos no faz muito o seu gnero.
Por que ser que aquilo me magoou? Nunca havia feito o meu gnero mesmo e Paul sabia disso. Ento por que ele tinha me dado aquela moeda?
- Eu vou guardar para a passagem de nibus - brinquei, jogando-a dentro do bolso da minha cala.
- Katie e eu estamos ficando ntimos - falou Paul, sentando-se num banco diante do poo. - Ns podemos nos considerar um casal agora. Tudo aconteceu to rpido, 
sabe?
Sentei-me ao lado dele, com uma sensao de aperto dentro do peito.
- Uau. Que bom, Paul.
- Eu gostaria de saber o que mais posso dar a ela - continuou ele.
- Ento foi isso que voc pediu - brinquei. - Para ns,  fcil comprar presentes um para o outro porque nos conhecemos muito bem. E ns amamos as mesmas coisas.
Ele olhou para mim, depois para o cho.
- Sabe, tinha uma msica tocando no lugar em que eu e Katie fomos, em nosso primeiro encontro, que ela adorou. Eu poderia dar aquele cd.
Agora eu tambm estava fitando o cho.
- Pssima idia? - Paul me perguntou ansiosamente.
- No,  perfeito - eu quase sussurrei. -  encantador.
Paul sorriu, se levantou e agarrou suas sacolas.
- Vem. Vamos at a loja de cds.
Tambm me levantei e enfiei as mos no bolso. Pude sentir a moeda, ainda com o calor da mo de Paul.
Vinte minutos depois, Paul tinha uma outra sacola e uma expresso de alvio.
- Quer dar uma parada na Book Nook? - falou, apontando para a minha livraria predileta.
Eu sorri. Paul sabia que eu nunca ia ao shopping sem ficar um longo tempo bisbilhotando todos os livros que eu gostaria de comprar. Entramos. Primeiro eu dei uma 
olhada nos lanamentos, depois fomos para a seo de jornalismo no fundo da loja.
Subitamente eu fiquei paralisada. Frank estava parado no corredor, virado de costas para ns; ele estava segurando o livro que eu havia dito a ele que estava doida 
para comprar. Dei um giro e agarrei Paul, puxando-o para trs da pilha de livros mais prxima.
- O que voc est fazendo? - ele gemeu.
- Shh - sussurrei, colocando o dedo na frente dos meus lbios. Nos esprememos atrs dos livros, com os ombros grudados. Mais uma vez eu estava bastante atenta ao 
toque de Paul, atenta  sensao de ter sua mo nas minhas costas. Olhei para ele, e suas bochechas estavam vermelhas, seus olhos mais escuros que de costume. Ele 
me fitava com aquela mesma expresso que tivera no dia em que revelou seus verdadeiros sentimentos por mim.
Mas esse no era o caso agora. Ele estava claramente interessado na Katie. Tudo o que ele sentia por mim naquele momento era preocupao. Alm do mais, apenas uma 
psictica o teria agarrado e jogado atrs dos livros sem nenhuma explicao.
-  o Frank - sussurrei, dando uma espiada ao redor. Ele no estava mais em p no corredor. Virei a cabea para o outro lado e dei uma bisbilhotada. Agora Frank 
estava no caixa da loja, comprando o livro.
Eu o observei indo embora, ento me levantei. Meus joelhos doam por ter ficado agachada. Paul tambm se levantou, me olhando como se eu estivesse maluca.
- O que foi tudo isso? - perguntou ele.
- ,  estpido, mesmo - gaguejei. - Eu vi Frank l atrs e imaginei que ele estivesse comprando algo para mim pelo Dia dos Namorados. Eu no queria que ele me visse 
e acabasse a surpresa.
De repente, aquilo parecia pouqussimo relevante. Eu ainda estava tentando controlar as batidas do meu corao e fazer com que minhas mos parassem de tremer. Ter 
ficado to perto de Paul havia causado algo muito estranho em mim. Algo bem diferente de "sentimento-por-um-melhor-amigo". Meu pescoo no estava acostumado a sentir 
arrepios s porque havia ficado perto dos lbios de Paul.
Paul balanou sua cabea.
- Desde quando voc se comporta desse jeito por causa de um cara?
- O qu? - perguntei, engasgando. "Pera, ele est falando do Frank", percebi aliviada.
- Ok, foi bobo - admiti, passando os dedos sobre a capa de um livro no estande de promoes perto de mim. Meus dedos ainda estavam tremendo um pouco, mas meu pulso 
estava lentamente voltando ao normal. - Mas eu s fiquei surpresa de v-lo comprando um presente para mim, s isso.
Eu havia contado a Frank o quanto eu queria aquele livro e que no tinha dinheiro para compr-lo porque era uma edio de capa dura.
- Mas tudo bem. Afinal,  seu namorado - falou e em seguida bateu a mo em sua testa. - Oops, eu j ia me esquecendo. Vocs dois no acreditam nesse lance de comprar 
presentes, ou em qualquer outra coisa romntica.
- No fique to certo disso - falei zangada, endireitando a coluna. - Ontem ele at nos chamou de casal. Ele tambm tem um lado romntico ... s no gosta de mostr-lo 
muito.
- Um lado romntico? - Paul soltou uma gargalhada, seus dentes brancos brilhavam. - Isso no vai contra tudo em seu artigozinho?
Eu vacilei.
- Eu no ... isso no ... - gaguejei, depois soltei um suspiro. - Esquea, t bem? - falei e dei as costas para Paul, envergonhada das lgrimas que escorriam dos 
meus olhos. - Podemos ir pra casa?
- Erica, eu no quis ...
Olhei para ele, e ele se calou. Samos da livraria num silncio absoluto.
Linda havia errado. Esse lance com o Paul no tinha nada a ver com cimes ou com meu ego. Era muito mais do que isso. Eu havia mudado. Tudo estava diferente. O modo 
como eu me sentia em relao a namoros, romance, bichinhos de pelcia, cartes de
amor e... Paul.

***

" vlido cobrar uma taxa para participar da banda da escola? E como podemos comparar o valor dessa experincia com, por exemplo, a oportunidade de integrar o time 
de handebol?
Olhei fixamente as palavras at elas ficarem desfocadas sobre a pgina, ento amassei o papel e joguei-o no cho onde os restos das minhas ltimas vinte tentativas 
j formavam uma pilha.
Desde que Frank havia se referido a ns como um casal, eu no conseguia escrever uma frase de um artigo sem surtar imaginando qual seria a opinio dele sobre o meu 
texto.
Arranquei uma pgina em branco do meu caderno e tentei novamente, esforando-me para captar o estilo de escrever de Frank. Mas isso soava to forado, to "outra 
pessoa"...
" impossvel", pensei frustrada, fitando o nada.
- Querida? Voc est bem?
Levei o olhar para a porta do meu quarto. Minha me me observava com a testa franzida.
- T bem - abri um sorrisinho para ela. - S tem ... umas coisas acontecendo.
- Que tipo de coisas? - perguntou ela, sentando-se ao meu lado na cama.
- Eu no sei - gemi. - As coisas com o Frank esto indo superbem, mas eu no tenho certeza se ns temos muito em comum.
- Voc quer dizer, como voc e Paul tm - ela sorriu para mim.
"Por que as mes sempre sabem tanto? Eu mal contei a ela sobre Frank, apenas disse que ns estvamos saindo juntos e que eu realmente gostava dele."
Concordei com a cabea.
-  estranho, mas eu sempre pude conversar com Paul sobre jornalismo tambm, ainda que isso no fosse algo muito importante na vida dele. E do mesmo modo como eu 
gosto de ficar com Frank, no est sendo confortvel como estar junto de Paul. Frank e eu no nos divertimos juntos de fato, sabe?
- Bem, querida - ela falou gentilmente -, Frank no  o Paul. As coisas sero diferentes com ele. Mas voc tambm no disse que ainda no havia mostrado a ele as 
coisas de que gosta? Como quadrinhos, boliche, fliperama e um monte de batatas fritas? Talvez vocs se divertissem juntos se fizessem as coisas de que gosta.
Ela estava certa.
"Obrigado, mas eu realmente tento evitar essas coisas gordurosas..."
Ok, ento ele no gostava de batatas fritas. Mas assim que visse todos aqueles quadrinhos incrveis da conveno, ele definitivamente entenderia porque eram legais. 
Ele at poderia se tornar um grande f, e ento ele e Paul teriam algo em comum tambm. E que cara no gosta de fliperama e boliche?
"Frank no  o Paul."
O Garfield miou.
-  a minha deixa - falou minha me, levantando-se. - Venha conversar mais tarde se precisar.
- Obrigada, me - falei enquanto ela saa. Depois pulei para agarrar o telefone. Era Katie.
- Eu estava pensando se voc no poderia me dar um conselho - disse ela - sobre o que comprar para Paul pelo Dia dos Namorados.
Prendi a respirao por uns segundos. Por acaso isso era algum tipo de teste? Porque eu j estava quase chegando no meu limite. Frank e eu no tnhamos muito em 
comum alm do jornalismo, mas mesmo assim eu no precisava consultar ningum sobre o que dar a ele no Dia dos Namorados. Eu estava planejando dar-lhe um dirio com 
capa de couro e uma caneta bacana.
- Bem - falei lentamente, enquanto sentava em minha cadeira -, o que voc estava pensando?
- Eu no sei - confessou Katie. -  por isso que pensei em te ligar. Quer dizer, afinal voc o conhece melhor do que qualquer um.
Aquelas palavras foram como dardos sendo lanados sobre mim ao acaso, sendo que a ltima frase havia acertado na mosca.
"Melhor do que qualquer um... " Ser que isso ainda era verdade?
- Voc sabe que ele gosta de boliche - falei, batendo meus dedos sobre a mesa. - E videogames. E... histrias em quadrinhos.
- Ah. Infelizmente - ela deu uma pausa. - Deu pra perceber o quanto eu odiei cada minuto l no Bowl-a-Rama?
- H? Eu sabia que voc no estava muito animada - falei. - Mas odiar?
- Por favor, no conte a Paul. Tenho certeza de que ele ficaria magoado, mas eu no ligo muito para aquelas coisas.
- Ok, ento voc no ir dar a ele um daqueles pares de sapatos horrorosos para boliche.
Katie soltou uma gargalhada.
- Sem chance.
- E que tal um vdeo? Ele adora essas comdias absurdas - sorri ao me lembrar de como era engraada a imitao que Paul fazia do Monthy Python.
- Eu sei - disse Katie. - Ele tem um excelente senso de humor, at mesmo com todas aquelas piadas sem-graa que vive contando.
Piadas sem-graa? Essa era uma das melhores qualidades de Paul! O que a Katie via nele se no conseguia apreciar o quanto ele era engraado?
- Eu no sei mais o que sugerir - falei.
- Deve estar parecendo que eu quero acabar com o Paul - falou ela. - Mas eu gosto muito dele. Ele ... ele  to doce.
, doce, e engraado, e maluco, e aventureiro, e milhares de outras coisas que Katie no apreciava.
"Pare com isso", eu me repreendi. "Se Katie e Paul esto felizes juntos, no  da minha conta julgar nenhum dos dois."
- Eu tive uma idia - contei a ela. - Por que voc no desenha algo para ele? Paul falou que voc  uma tima artista.
- Mesmo? Ele falou?
- . Tenho certeza de que ele gostaria se voc fizesse um desenho ou um quadro, sabe, especialmente para ele - respondi, enfiando os meus dedos no carpete. J podia 
imaginar a alegria de Paul ao ver o desenho, o modo como os seus olhos enrugariam nos cantos com o enorme sorriso que tomaria conta de seu rosto.
"Eu estou fazendo a coisa certa", disse a mim mesma, torcendo minhas duas mos sobre o meu colo.
- Obrigada, Erica,  uma excelente idia.
- De nada - respirei.
- Ok, tchau, e obrigada novamente.
- Ah. Tchau.
Ouvi satisfeita o barulho do telefone sendo desligado e, imediatamente, cobri o rosto com as mos.

ONZE

- Isso  para a seo de esportes - o Sr. Serson disse, enquanto Jolie se sentava. - Editores?
Frank se levantou, e eu comecei a segui-lo, mas ele colocou sua mo sobre o meu ombro.
- Eu fao isso - falou.
Olhei surpresa para ele. Ns ramos co-editores. Isso significava que deveramos anunciar os artigos juntos. Ele sorriu e piscou para mim, depois passou por todos 
at chegar na frente da sala.
- O que foi isso? - sussurrou Linda.
Eu dei de ombros.
Frank limpou sua garganta:
- Depois da prxima edio sobre o Dia dos Namorados comeou ele, com um ar de repugnncia na voz -, ns iremos finalmente focar algo importante: o problema da violncia 
e segurana nas escolas de segundo grau. O editorial ser dedicado a isso.
"Como?"
- Carrie, eu sei que voc  da produo, mas ns podemos ter uma ajuda extra para a pesquisa. Se voc pudesse coletar diferentes pontos de vistas na caixa de opinies 
dos alunos e...
Meu pensamento comeou a voar, meu queixo estava cado em estado de choque. Eu no tinha ouvido nada sobre isso. Minhas mos se fecharam e todo o meu corpo ficou 
tenso de raiva.
Linda deu um cutuco forte nas costelas.
- Qual  o problema? - falou baixinho.
- Eu te falo depois - murmurei. Eu no queria fazer um escndalo no meio da reunio.
Escutei, perplexa, enquanto Frank continuava anunciando todos os assistentes e explicando tudo o que queramos para a edio. Quando ele finalizou o assunto e sentou-se 
ao meu lado, meu sangue estava fervendo.
Comecei a bater o meu p no cho e cruzei os meus braos sobre o peito. Minhas unhas afundavam em minha pele, atravs do fino suter que estava usando.
- Ok. - anunciou o Sr. Serson. -  tudo por hoje. E eu prometo: no acontecero mais reunies na hora do almoo - terminou, enquanto todos se levantavam. - Erica 
e Frank, fiquem mais um minuto, por favor.
- Eu te ligo mais tarde - cochichou Linda.
- Por que voc foi l em cima falar sozinho? - o Sr. Serson perguntou a Frank depois que todos j tinham sado da sala. Minhas orelhas se levantaram, esperando por 
uma explicao.
- Ah, Erica no sabia sobre o assunto - disse Frank. - Os outros editores e eu tivemos essa idia na segunda. E Erica faltou porque estava doente.
"Voc poderia ter me contado sobre isso", pensei irritada. "Em alguns dos dias entre segunda-feira e hoje." 
Por que eu no conseguia dizer isso em voz alta? Eu nunca havia tido problemas em chamar a ateno de Paul quando ele fazia algo que me incomodava.
- Na verdade, eu gostaria que voc tivesse me contado - falei.
- Desculpe - comeou Frank - , mas voc estava doente, e eu sabia que precisava colocar vrias coisas em dia, como as tarefas da escola e aquele artigo sobre o curso 
de msica da escola, que, por sinal, estava excelente.
Excelente?
Ento ele tinha gostado da minha verso final? Isso me deixou aliviada. Afinal, eu tivera bastante dificuldade com aquele texto. Mas era estranho ele achar excelente 
enquanto eu achava idiota.
- Eu pensei estar te fazendo um favor resolvendo esse assunto sozinho - explicou Frank, de modo bastante sincero.
Olhei para o Sr. Serson que estava balanando a cabea lentamente.
- Voc teve as melhores intenes - ele assegurou a Frank. - Mas daqui para frente, vocs dois devem fazer tudo juntos.  por isso que existem dois editores, certo?
Frank concordou com a cabea.
-  claro. Erica, me desculpe.
Eu abri um sorriso forado. Frank comeou a organizar uns papis e, assim que o Sr. Serson saiu, ele pegou a minha mo.
- Eu realmente no imaginei que ficaria to chateada por causa disso - falou.
Olhei para o cho, acompanhando as linhas do piso de borracha com a ponta do meu tnis.
- Erica? - perguntou ele suavemente, colocando as mos em meus braos.
Olhei para ele, tentando achar verdade em sua expresso. Seus olhos verdes estavam srios, e eu senti a minha raiva comear a desaparecer.
Mordi O meu lbio. Ns no precisvamos ter uma grande discusso bem antes do Dia dos Namorados.
- Fico feliz que voc tenha gostado do meu artigo sobre o curso de msica.
- Estava brilhante - respondeu ele. Frank deu um passo para frente e pegou meu queixo com sua mo.
Eu dei um passo para trs, e sua mo caiu. "Que atitude estranha a sua, Erica", eu pensei. Mas eu estava um pouco chateada, ento acho que era compreensvel eu no 
querer que ele me beijasse ou coisa parecida.
- Voc est assim to irritada comigo? - perguntou Frank.
- Eu supero - falei, sorrindo. - Olha, vamos esquecer isso, t bem?
- T bem - concordou ele. - Bom. Como eu tenho que fazer umas coisas por aqui e no vou poder pendurar os outros cartazes que voc fez, ento pensei que voc no 
se incomodaria de ...
Minhas sobrancelhas se levantaram. Ele estava usando aquele momento particular para pedir favores?
- Erica, me desculpe por estar pedindo isso - continuou ele. - Mas eu preciso estudar para uma prova, e amanh de manh  o debate, ento eu queria ensaiar o meu 
discurso mais uma vez. Voc fez um excelente trabalho com os cartazes, por isso eu acho uma pena no coloc-los na escola.
Eu suspirei, esfregando as minhas tmporas, pois minha cabea comeava a latejar.
- Onde esto eles? - perguntei, com um sorriso forado.
Frank procurou embaixo da cadeira e puxou uma sacola.
- Muito obrigado, Erica. Voc est salvando a minha vida.
Sorri.
- Boa sorte com o seu trabalho. Eu dou uma passada aqui quando j tiver terminado.
- Ok, timo, at mais tarde - ele sentou-se e ligou o laptop.
Dispensada.
Ele no deveria estar rastejando pelo meu perdo? Tentando me dar beijos carinhosos de agradecimento por eu estar deixando de almoar para colar cartazes?
Deixa pra l. Talvez uns momentos de silncio e solido com as paredes da escola Emerson me ajudassem a entender melhor as coisas.

"Ali. Pronto." Finalmente eu fixei o ltimo cartaz. Recuei um pouco, olhando com aprovao o meu trabalho. Bem, talvez eu no fosse a melhor artista do planeta, 
mas o meu perfeccionismo no deixaria que eu pendurasse um cartaz minimamente torto.
Peguei as coisas e fui em direo da lanchonete. Eu estava faminta!
Assim que virei o corredor, escutei risadinhas. Tive a sensao de que eu estava prestes a interromper uma sesso de carinho entre namorados. H apenas duas semanas 
isso teria me feito perder o apetite. Agora s me deixava melanclica.
Olhei o casal... e paralisei.
Paul e Katie.
Paul e Katie... se beijando.
Engoli seco, e meus braos ficaram moles. A sacola com o rolo de fita adesiva caiu no cho fazendo um rudo alto. Pelo menos, foi um pouco de barulho no meio do 
silncio que repentinamente tomou conta do corredor. Paul e Katie deram um salto e olharam assustados para mim.
- Me-me ... desculpe - gaguejei, assistindo  fita adesiva ir rolando pelo cho na direo deles. O corpo no estava respondendo aos comandos que o crebro enviava. 
"Boca, pare de abrir. Braos, abaixem-se e catem as coisas." A parte mais importante no estava funcionando: "pernas, movam-se, agora."
Apenas os meus olhos funcionavam - e muito bem, por sinal. Eles no paravam de fitar as mos de Katie e Paul, ainda juntas.
Eles tinham colado cartazes tambm, conclui, notando dois deles que estavam no cho aos ps de Katie. A paralisia se dissipou, e os meus olhos comearam a seguir 
o rolo de fita adesiva.
- Oi - disse Katie, com o rosto vermelho. Fiquei imaginando que o meu rosto devia estar do mesmo jeito. - Ns estvamos colando uns ltimos cartazes.
- , eu tambm - falei, evitando olhar para Paul.
- E onde est o Frank? - perguntou ele.
- Ele tem um trabalho importante pro jornal - contei -, ento eu me ofereci para terminar de colar os cartazes dele.
Foi incrvel como achei muito mais fcil mentir sem olhar diretamente para Paul.
- Legal voc ter feito isso - opinou Katie.
Dei uma espiada no cartaz de Katie, admirada com a qualidade. As cores todas combinavam perfeitamente, e o olhar era guiado para as informaes mais importantes: 
as razes que tornariam Paul um bom historiador da escola.
Katie olhou para mim, depois para Paul.
- Bem, hum, talvez ns devssemos ir andando - disse ela.
As bochechas de Paul ficaram totalmente vermelhas.
- ,  melhor ir - ele concordou, livrando-se de um pigarro. - Vemos voc mais tarde, Erica.
Ele apanhou as coisas deles, depois colocou o brao ao redor de Katie e a acompanhou pelo corredor. Eles desapareceram dentro da lanchonete e as grandes portas laranjas 
fecharam-se atrs dos dois.
Eu me agachei e peguei o rolo de fita adesiva.
"O que h de errado comigo?", me perguntei, apoiando o meu peito sobre os joelhos.
Por que o fato de ter visto Paul e Katie se beijando paralisou totalmente o meu crebro?

Corri de volta ao escritrio do Postscript, ansiosa para contar a Frank que os cartazes j estavam pendurados e que eu iria comer o meu sanduche e relaxar um pouco 
antes da prxima aula. 
Eu estava prestes a entrar na sala quando ouvi a voz de Paul, cheia de raiva, vindo do escritrio.
- Voc est se aproveitando dela, e eu acho isso repugnante!
"Sobre o que ele est falando? E com quem ele est conversando?" 
Eu cheguei mais perto da porta entreaberta, tomando cuidado para que ningum pudesse me ver ali.
- Eu no devia ter deixado isso ir to longe - continuou Paul - , mas eu tinha a esperana de que Erica fosse sacar tudo sozinha - completou.
Eu no podia acreditar no que estava escutando. Como Paul ousava tentar interferir na minha vida desse jeito, sem me falar nada!
- Voc est contrariado s porque sabe que no tem nenhuma chance de ganhar a eleio para historiador - retrucou Frank.
- Estou falando de Erica - devolveu Paul.
Eu balancei a minha cabea com raiva, sem acreditar no que estava acontecendo. Mesmo namorando Katie, Paul ainda achava que podia se intrometer e manter o cara longe 
de mim! Eu escolhia os meus namorados, no Paul!
- Voc convidou Erica para sair antes da eleio ser anunciada oficialmente - falou Paul, com frieza. - timo momento para ficar interessado em algum que escreve 
to bem. Especialmente uma pessoa que, por acaso, era amiga de seu adversrio. Voc sabia que eu estava pensando em concorrer ao cargo de historiador. Eu havia mencionado 
isso algumas vezes nas reunies do livro anual dos alunos.
"Ai, meu Deus."
Paul achava que Frank estava me usando? Era isso o que o meu suposto melhor amigo pensava de mim?
Eu me recusei a ouvir mais. Abri a porta violentamente.
- Bem, bem - falei com os dentes cerrados, olhos fixos em Paul. - O que est acontecendo?
Frank olhou para Paul e levantou suas sobrancelhas.
- No  nada - respondeu Paul firmemente.
- Voc se importaria de nos dar um minuto a ss? - perguntei para Frank.
Ele deu de ombros.
- Sem problema. Eu j tinha terminado tudo mesmo - apanhou suas coisas e caminhou para a porta, parando para me dar um rpido beijo de despedida.
- Estou muito triste por isso - sussurrei antes que Frank sasse.
- No se preocupe - disse Frank, balanando a cabea. - Os cartazes esto todos pregados?
Fiz que sim com a cabea, sentindo uma estranha toro no meu estmago. "Ele s quer saber dos cartazes quando acaba de ter uma enorme discusso com o meu melhor 
amigo?"
"No", falei a mim mesma. "No deixe que as acusaes ciumentas de Paul atinjam voc."
- timo. Eu ligo para voc mais tarde. Voc pode me entrevistar hoje  noite para o artigo do Dia dos Namorados. Isso nos d uma boa desculpa para ficar muito tempo 
conversando pelo telefone - falou Frank. Ele lanou um olhar para Paul, depois saiu
do escritrio batendo a porta.
- O que voc est pensando? - eu berrei com Paul. - Voc  to imaturo que precisa ter tudo o que quer? Frank est certo eu balancei a minha cabea. - Voc est 
com cimes. Por causa da campanha para historiador e porque eu gosto dele!
- Isto no tem nada a ver com cimes - ele gritou de volta. -  verdade, eu no suporto esse idiota. E comecei a odi-lo muito antes de saber que voc gostava dele, 
Erica. Mas no tenho a menor dvida de que ele est te usando. Ele s quer ter certeza de que voc no est me ajudando com a minha campanha. Eu apostaria qualquer 
coisa nisso. Ento, me desculpe por no querer te ver machucada! - falou irritado e comeou a caminhar a passos largos em direo  porta.
- Espere um minuto! - agarrei o brao dele. - Como voc ousa?  to difcil acreditar que Frank London possa realmente gostar de mim? Muito obrigada, Paul. Voc 
 um invejoso! Voc ...
- Sou o qu? - ele interrompeu com frieza. - Algum preocupado com voc? - ele soltou o brao da minha mo. - Eu acho que j  hora de voc se virar sozinha.
Dei um passo em falso para trs como se tivesse levado um tapa na cara. Minhas pernas dobraram, e despenquei numa cadeira.
Paul nunca havia falado comigo daquela maneira antes. Nunca.
Ele respirou profundamente.
- Eu no queria dizer isso.
- Mas disse - falei, com um sorriso sem graa.
- Escute, talvez a gente s esteja precisando dar um tempo, entende?
Eu olhei para ele totalmente desnorteada.
- Um ... tempo? - perguntei com um fio de voz.
- Um tempo separados - respondeu, balanando a cabea.
- Tudo bem - concordei, ainda que no fosse "tudo bem" de fato.
- Ento ... at logo.
E ento ele saiu.

Transcrio da entrevista com Frank London

Erica: Eu acho que no preciso perguntar se voc tem alguma recordao especial do Dia dos Namorados.

Frank: Voc precisa cobrir todos os lados da histria, Erica,por isso vale a pena perguntar.

Erica: Certo, ento ...

Frank: Anote isso, para voc. [lentamente] "Todos os lados de histria."

Erica: [escrevendo alguns rabiscos num papel] Anotei. Ento?

Frank: Eu me lembro de ter vomitado um dia no primrio depois de comer toda a caixa de bombons que um cara tinha dado para minha irm.

Erica: [tentando no soltar uma gargalhada] Ento, na sua opinio, qual  o propsito dessa data?

Frank:  claramente uma ocasio criada pelo sistema capitalista para gerar vendas durante um ms em que no acontece nenhuma outra comemorao importante.

Erica: Mas todo mundo acaba comprando essa idia. Na sua opinio, por que isso acontece?

Frank: Todas as pessoas esto desesperadas por smbolos vazios de sentimento. Eles se agarram ao Dia dos Namorados como uma chance de fingir que existe alguma substncia 
real em seus relacionamentos.

Erica: Algumas pessoas dizem que aqueles smbolos so apenas maneiras de expressar sentimentos que muitas vezes so difceis de serem demonstrados. Assim, rosas 
vermelhas e ursinhos de pelcia teriam uma funo parecida com a de uma aliana de
casamento. Ns presenteamos com essas coisas porque elas podem ser facilmente reconhecidas como sinais de amor e carinho.

Frank: [risadas abafadas] Quem est te ensinando essas frases?

Erica: [engole seco] Eu s estou, eh, bancando o advogado do diabo. Tomando o outro ponto de vista, o outro lado, para mostrar que ele existe.

Frank: Muito bem.  uma habilidade importante de se dominar.

Erica: Certo, ento ...

Frank: Anote isso. [lentamente] "Bancar o advogado do diabo."

DOZE 

- E  por esta razo que vocs devem votar em mim, Frank London! - ele terminou, descendo do plpito enquanto as palmas tomavam conta do auditrio. Eu aplaudia mecanicamente.
Paul e Katie estavam sentados na primeira fila.
Eu havia chegado tarde para a assemblia, na tentativa de evitar um encontro com Linda e Sharon. Assim que elas me vissem perceberiam que havia alguma coisa errada. 
E se eu contasse o que acontecera com Paul no escritrio do Postscript, acabaria me desmanchando em lgrimas. E no queria que isso acontecesse. Por isso, tinha 
me sentado na ltima fila.
Ns j havamos assistido aos discursos de Jamie Waters e de Jennifer Connell. Agora seria a vez de Paul. Frank tinha se sado melhor do que Jamie e Jen, e todos 
em nossa sala j o enxergavam como um cara superinteligente, ainda que ele no fosse popular.
Eu havia notado com satisfao que Frank seguira o meu conselho e suavizara a linguagem do discurso.
- O prximo e ltimo candidato  Paul Garabo - anunciou o Sr. Kensington.
Paul levantou-se, depois abaixou a cabea para ouvir algo que Katie cochichou em seu ouvido. Enquanto ele subia os degraus para o palco, meu corao foi ficando 
apertado. Agora ele me odiava. E deixara isso bem claro.
- Eu sou provavelmente a ltima pessoa que todos esperavam ver aqui em cima - comeou Paul, apoiando os seus braos no plpito. - Normalmente eu no concorro a cargos 
importantes ou tento me esforar para conseguir algum destaque aqui em Emerson. Na verdade,  exatamente por isso que a possibilidade de ser o historiador da escola 
me atrai tanto.
Ele fez uma pausa, olhando na direo de Katie. Eu conseguia imaginar o sorriso de apoio que ela estava lanando para ele.
- Vejam s - continuou Paul -, eu no quero me destacar. Eu quero fazer parte de uma turma de vrias pessoas. Uma turma em que todos tm os seus talentos especiais, 
habilidades e qualidades. Eu quero representar o nosso grupo como um todo. Ento,
 por isso que em vez de falar sobre quem eu sou e sobre o que eu posso fazer, prefiro falar sobre quem ns somos, sobre a nossa escola.
Eu escutei sobre todas as diversas conquistas de nossos alunos e sobre as idias dele para o prximo livro anual. Estava tocada pela sinceridade de sua paixo e 
por tudo que aquela oportunidade significava para ele. Talvez Paul no soasse to refinado quanto Frank, mas era muito mais real.
Eu suspirei, recostando em meu assento e cutucando minhas unhas nervosamente.
"Eu deveria querer que Frank ganhasse", falei a mim mesma. "Frank  meu ... namorado. E depois de tudo o que aconteceu, Paul j quase no era mais um amigo."
Mas, ao assistir Paul l em cima, to cheio de energia e entusiasmo, tudo o que eu queria era faz-lo feliz. E estremeci ao perceber que esta sensao talvez no 
se encaixasse mais na categoria de amizade.

- Ei Erica - uma voz me chamou quando eu saa da aula de matemtica. Eu dei uma volta e vi Sharon correndo atrs de mim. - O Paul estava impressionante, no ? - 
perguntou ela, me observando de perto.
- O qu? - perguntei, andando para o lado do corredor a fim de no atrapalhar a passagem de ningum.
Sharon revirou os olhos.
- O discurso dele, hoje de manh!
- Ah, sim - respondi enquanto Sharon continuava a olhar para mim atentamente, apertando seus grandes olhos azuis.
- , ele estava muito bem - falei, ajeitando minha mochila no ombro. - E o Frank tambm, no ? - essas palavras saram numa voz esganiada, e eu sabia que estava 
destruda.
- Vamos l, solte - ordenou Sharon.
Eu suspirei, apoiando o corpo na parede.
- Paul e eu no estamos nos falando - confessei, observando Sharon arregalando os olhos.
- Vocs no esto o qu? - perguntou ela.
- ...  uma longa histria - dei uma espiada no meu relgio. - A aula j vai comear.
- Eu sei - retrucou ela. Seu olhar suavizou. - Ei, voc est com uma aparncia pssima, e parece que o Frank no  mais to importante assim...
- No - eu interrompi. - Isso no ... quer dizer, ele  muito importante. Mas  difcil porque eu estou muito confusa com essas coisas do Paul, entende? Tenho que 
admitir que os meus joelhos j no ficam moles toda vez que eu encontro Frank - confessei.
- Mas isso  normal, no ?  apenas um sinal de que estamos mais confortveis juntos.
Como se aquilo fosse verdade! Eu j no sentia meus joelhos virarem gelia, mas ainda tinha uma pontada de constrangimento quando conversava com ele.
Por que eu no havia contado a Frank o quanto ficara chateada com o modo como tomou todas as decises sobre o editorial sem falar comigo? Ou como fiquei triste com 
a discusso que ele e Paul tiveram? Ou como me sentia totalmente miservel por Paul no estar mais falando comigo?
De repente, avistei Katie vindo em nossa direo. Ela levantou o olhar no exato momento em que eu a avistei. Nossos olhos se cruzaram, ela sorriu nervosamente e 
veio ao nosso encontro.
- Oi, Erica - disse ela, apertando os livros contra o peito. - Humm, obrigada novamente pelo seu conselho. Sabe, sobre o que eu poderia dar a Paul no Dia dos Namorados.
Ser que Paul havia falado a ela sobre a nossa briga? Tinha minhas dvidas.
Eu ignorei a expresso de surpresa no rosto de Sharon.
- Ah, no foi nada - falei. - Eu fico feliz de ver que vocs dois esto to bem.
, feliz. Eu estava to feliz que chegava a estar... triste.
Eu olhei para os lados, examinando qual seria a melhor maneira de sair rapidamente dali. Foi ento que eu vi Cami, uma garota da cantina da escola, aproximando-se 
com um saco de bombons em suas mos. Meu corao comeou a pular. Um saco de
bombons do Dia dos Namorados! Talvez Paul no estivesse falando srio quando disse que deveramos dar um tempo. Afinal por que ele manteria a tradio de me enviar 
um daqueles sacos de bombons da cantina no Dia dos Namorados?
Um enorme sorriso tomou conta do meu rosto conforme eu antecipava que tipo de mensagem supercarinhosa dizendo "voc--minha-melhor-amiga" ele teria inventado neste 
ano. Eu guardava vrias dessas mensagens na gaveta da minha escrivaninha.
" uma maluquice pensar que Paul realmente deixaria a nossa amizade terminar", disse a mim mesma enquanto Cami chegava perto de ns. Com certeza eu havia exagerado 
os acontecimentos.
- Aqui - disse Cami, esticando a mo com o saco de bombons. Mas ela estava olhando para ... Katie. Eu congelei, o sorriso foi se desmanchando nos meus lbios. - 
Para Katie, do Paul - leu Cami, entregando os chocolates para Katie.
Os olhos de Katie se iluminaram. Ela apertou o saco de bombons com uma das mos, depois abriu o carto. Ento abriu um sorriso assim que leu a mensagem.
- Ele  to carinhoso - disse ela, olhando para mim.
- Ah - eu me forcei a responder.
O que havia de errado comigo?  bvio que Paul mandaria um saco de bombons do Dia dos Namorados para a namorada dele, e no para mim, sua ex-melhor amiga.
O sinal tocou. Katie sorriu e correu para a sala. Sharon olhou para mim com uma simpatia que praticamente saa dos seus poros.
- Eh - comeou ela - , voc e Paul no esto falan...
- Eu tenho que ir - cortei-a e sa apressada pelo corredor. Eu no conseguia acreditar que estava sendo to idiota.
Eu sempre havia caoado cruelmente de Paul por causa daqueles estpidos sacos de bombons, e agora eu estava quase chorando porque ele no havia me enviado um!
Isso significava que ele falava srio sobre dar tempo na nossa amizade. Ele no queria mais ser meu amigo.

Eu coloquei o p no escritrio do Postscript, ansiosa para comear a trabalhar em meu artigo sobre o Dia dos Namorados e esquecer o resto do mundo.
Frank estava sentado em sua mesa. O lindo, inteligente e dedicado Frank. Avist-lo deveria ter me alegrado consideravelmente. Mas naquele momento... no.
- Ei, Erica! Que bom que voc est aqui.
- Mesmo? - eu larguei a minha mochila e me apoiei na beira de sua mesa.
- Ah. Eu fiquei pensando que ns precisamos escrever sobre esses sacos de bombons do Dia dos Namorados. Talvez uma daquelas listas estpidas das dez razes que 
tornam os sacos de bombons a maneira mais estpida de expressar como voc se sente.
Eu tive um sobressalto.
- , eu acho que a gente podia fazer isso - concordei. Afinal de contas, eu odiava aqueles sacos de bombons agora.
Frank espremeu os olhos para me observar.
- Tem alguma coisa errada? - perguntou ele.
Eu dei de ombros.
-  uma longa histria. Mas, na verdade, eu vim para trabalhar naquele artigo, ento eu acho que  bom que ns dois estejamos aqui - dei uma pausa, respirando profundamente. 
- Por que no comeamos com os sacos de bombons? O que poderamos dizer?
- Poderamos lembrar que as pessoas pagam quase o triplo do que esses sacos insignificantes realmente valem - sugeriu ele.
Abri um sorriso. Eu sempre havia feito o mesmo comentrio para Paul.  claro que isso foi antes de eu me sentir destruda por no valer um desses malditos saquinhos.
"Ento essa era a questo", eu me dei conta. "Valer." Demonstraes de afeto existiam basicamente para mostrar s pessoas o quanto elas significavam para voc. Seja 
um saco de bombons comprado com algumas moedas ou um colar de milhes de dlares ou algo que voc mesmo faz sem gastar nada. Tudo existe para fazer com que a outra 
pessoa se sinta querida.
Eu recostei em minha cadeira.
- No se esquea de mencionar as garotas que passam o fim do dia chorando no banheiro porque no ganharam nada.
Frank revirou os olhos.
- Voc est falando srio? - perguntou.
Engoli seco.
- ,  a verdade - falei. "Especialmente quando o seu melhor amigo no te envia um porque ele..." Por que Paul e eu no estvamos nos falando? Tinha feito sentido 
quando ele me disse que queria um tempo, por causa da briga e da tenso, mas agora isso parecia to estranho!
Teria sido por que a gente no estava se dando bem? Por causa do Frank? Por causa da Katie? Por que ele havia mudado e agora estava apaixonado?
Ou por que ele realmente pensava que Frank estava me usando e por que eu havia gritado com ele, acusando-o de ter cimes?
" voc que est com cimes. Voc est triste porque Paul no se sente mais daquela maneira em relao a voc, justamente quando voc comeou a se sentir daquela 
maneira em relao a ele. Quando voc percebeu que tudo aquilo com que voc vinha sonhando no era o que queria."
"O que voc quer  um saco de bombons do cara com quem voc realmente se diverte. O cara que te d todas as razes para am-lo. O cara que leva lenos de papel e 
sopa quando voc est doente, e repreende o seu namorado quando nota que ele est te magoando. O cara que faz com que voc se sinta totalmente cem por cento, bem." 
Eu me dei conta de que meus olhos comearam a se encher de gua. Mas eu no podia chorar ali, na frente de Frank...
- Acabei de me lembrar que eu tenho que sair - falei rapidamente, agarrando a minha mochila.
- O qu? - Frank olhou espantado para mim, balanando sua cabea. - Mas voc acabou de chegar.
- , eu sei. Eu... eu me lembrei de que tenho uma coisa para fazer em casa.
- Ok. Eu acho que te vejo amanh, no ?
"Amanh."
Dia dos Namorados.

TREZE

- Ah, olhe! - eu gritei, apontando para um balco do outro lado do corredor. - Tem um stand inteiro para a Mulher Maravilha.
Frank franziu o nariz.
- Mulher Maravilha? - ele perguntou com uma repulsa evidente.
Eu suspirei. O nariz de Frank j tinha se exercitado bastante naquele dia. Toda hora que eu tentava mostrar a ele alguma coisa da qual eu gostava, ele espremia o 
rosto como se eu estivesse tentando convenc-lo a catar lixo comigo.
- Existe alguma coisa aqui que voc quer ver? - eu soltei, j sem pacincia.
Frank suspirou.
- Erica, voc sabe que isso no  o tipo de coisa que eu gosto - falou, dando um passo para trs, enquanto uma pessoa vestida de Homem-Aranha passava na nossa frente. 
- Sinto muito, mas eu no vou ficar animado com... histrias em quadrinhos - falou, franzindo mais uma vez o nariz.
- Ento, por que voc concordou em vir? - perguntei.
Ele me olhou surpreso.
- Por voc - explicou, ainda que isso fosse totalmente bvio.
Eu me senti culpada. Eu j sabia daquilo. Eu havia ficado muito satisfeita que ele estivesse disposto a passar um dia olhando coisas que odiava s para me fazer 
feliz. Ento, por que eu tinha que esperar mais dele, uma vez que j estvamos l? Por que eu precisava for-lo a ser algum que no era? Frank no se importava 
com revistas antigas do Super-Homem, nem comparava o modo como diferentes artistas desenharam o Curinga. Frank no era ...
Paul.
Mordi o lbio. Por que todos os assuntos sempre terminavam em Paul?
- Desculpe - falei. - Voc est certo, eu estou sendo injusta - admiti, forando um sorriso. - Voc quer sair daqui?
- Eu adoraria - respondeu, seus olhos enchendo-se de alvio.
- Tudo bem - concordei, desapontada por ter que sair to cedo. Eu no estava tendo o menor xito no meu primeiro Dia dos Namorados de verdade. - S me deixe pegar 
...
- Erica!
Eu me virei e vi o rosto sorridente de Matthew Wilde, outro freqentador assduo da conveno de quadrinhos que Paul e eu tnhamos conhecido atravs dos anos.
- Onde est Paul? - perguntou ele.
Meu corpo paralisou por um instante.
- Ele, ah, no est aqui - murmurei, enquanto sentia o corpo de Frank ficando tenso ao meu lado. - Frank, este  o Matt - apresentei, constrangida. - Matt, este 
 o meu... humm, este  o Frank.
Matt cumprimentou Frank, balanando a cabea.
- Como assim, Paul no est aqui? Ele iria morrer de inveja disso! - falou, mostrando uma pilha de revistas dos X-Men, as favoritas do Paul.
- Ele est com a namorada hoje - expliquei. - Ela no gosta de quadrinhos.
- Eu tambm no - falou Frank, soltando uma gargalhada. - Erica? Ns j estvamos de sada - ele falou para Matt.
Matt olhou para as minhas mos vazias.
- Mas voc ainda no comprou nada? Voc sempre saa daqui carregada...
- Foi um prazer te conhecer - interrompeu Frank - , mas ns temos mesmo que ir.
Ele abriu um sorriso forado para Matt, ento colocou um brao ao redor dos meus ombros e foi me guiando para frente.
- Qual  o problema? - perguntei assim que samos. - Existe algum motivo para voc ter me empurrado daquele jeito? Aquilo foi muito grosseiro, no acha?
- S que  frustrante o modo como voc e seus amigos levam essas coisas juvenis a srio - explicou.
Eu parei e ajeitei minha jaqueta.
- O qu?
- Olhe, me desculpe - falou ele. - Eu no deveria ter comparado voc a eles. Eu sei que voc no  to imatura quanto as pessoas com quem sai. S no consigo entender 
como consegue agentar a companhia deles, s isso!
Eu prendi a respirao.
Frank deu um passo para perto de mim, retirando uma mecha de cabelo da frente do meu rosto. Seus dedos encostaram em minha bochecha.
- No vamos mais falar sobre isso, t? - perguntou gentilmente. - Vamos esquecer toda essa tarde e pensar somente em hoje  noite, no baile - ele me fitou, com um 
sorriso nos lbios. - Eu acho que vamos nos divertir muito.
"Por que eu achava to difcil imaginar que nos divertssemos em algum lugar?"
"Pelo menos ele est tentando novamente", falei para mim mesma. "Ao me contar que estava pensando no baile, Frank me deixava mais ansiosa em relao quela noite. 
E ele no estava mais usando o trabalho editorial do Postscript como uma desculpa. Hoje,
a noite seria especial. Ele tem at um presente para mim!"
Eu sabia que Frank gostaria do dirio com capa de couro vinho e da caneta retr que eu havia comprado para ele naquela manh. Eu at tinha escolhido um carto fofo 
de Dia dos Namorados para ele. Nada muito meloso,  claro. Mas de bom gosto e quase masculino e...
- Ei, eu esqueci de te contar - disse Frank, cortando os meus pensamentos. - Eu fui na Book Nook um dia desses e comprei aquele livro de capa dura que voc havia 
recomendado.  muito bom mesmo. Eu te empresto depois que terminar de ler. S no
quebre a lombada do livro. Eu odeio quando isso acontece. Voc tambm no acha ruim?
Meu sangue parou de circular.
Eu era a maior idiota do mundo.
Eu me forcei a balanar a cabea e concordar com Frank. Continuamos a andar em direo ao ponto de nibus, apesar de no conseguir acreditar que minhas pernas estavam 
se movendo.
Talvez ele quisesse ir ao baile apenas por causa do Postscript. Talvez aquele papo de fazer uma pesquisa para o nosso artigo fosse verdadeiro e no uma desculpa 
bonitinha para danar comigo.
Ou talvez ele apenas no fosse do tipo que d presentes no Dia dos Namorados, eu me lembrei.
"Dh. Isso no significa que ele no esteja querendo levar voc ao baile com intenes romnticas."
Eu sinceramente no tinha a menor pista do que esperar daquela noite. Por um lado, eu j no estava mais certa do que sentia por Frank. Por outro, queria que Paul 
estivesse errado em relao a ele. Talvez no quisesse perceber que eu estava errada em relao
a ele.
Eu o espiei com o canto do meu olho.
Repentinamente, aquele ar intenso que eu sempre havia achado adorvel parecia... frio. Eu no conseguia encontrar mais desculpas para o modo como os meus sentimentos 
em relao a Frank haviam mudado durante a ltima semana.
No era por causa dos sentimentos estranhos que eu tinha desenvolvido por Paul. Era porque Frank no me fazia bem. Tudo aquilo que Paul havia falado sobre ele estava, 
pouco a pouco, parecendo terrivelmente verdadeiro.
"At mesmo", eu pensei com uma grande agonia, lia possibilidade de que Frank esteja me usando por todo esse tempo. Para impedir que eu ajude Paul"
"Bem, voc sempre quis que ele respeitasse a sua capacidade de escrever, Erica. Se ele estiver te usando, pelo menos voc ter certeza de que ele realmente acha 
voc talentosa."
Ah, sim. Como se isso realmente fizesse com que eu me sentisse melhor.

- Voc est linda - disse Ellen, balanando a cabea. Ela estava sentada sobre a minha cama com as pernas cruzadas, assistindo enquanto eu caprichava no visual para 
ir a um baile que eu temia com cada pedao do meu ser.
- Tem certeza de que essa saia no deixa as minhas coxas enormes? - perguntei a ela. Eu tinha minhas dvidas se Frank faria algum comentrio sobre todo o cuidado 
que eu havia tido com a minha roupa e o meu penteado. Mas Paul e Katie estariam no baile, e eu precisava mostrar a eles que eu estava me sentindo maravilhosa. Bem, 
eu precisava mostrar isso a Paul, pelo menos.
Ellen soltou uma gargalhada.
- Como se isso fosse possvel - retrucou ela, puxando as suas prprias pernas fininhas em direo ao peito. - Vai dar uma conferida.
Eu me olhei no espelho de corpo inteiro que fica atrs da porta do meu armrio. Vau! A minissaia preta fazia as minhas pernas ficarem bem longas ... e as coxas no 
ficavam enormes, de fato. E o top justo marrom que Linda insistiu que eu comprasse durante um passeio no shopping era ao mesmo tempo festivo e sexy. Eu estava com 
sapatos de salto alto tambm. Era o completo oposto das roupas montonas que eu usava diariamente.
- V? Voc t incrvel! - exclamou Ellen.
A campainha tocou e eu congelei.
-  o Frank - falei sem pensar, enquanto meu estmago comeava a revirar. Meus sentimentos por ele tinham mudado, mas eu estava ansiosa para ver o que ele estaria 
vestindo. Ele normalmente se vestia muito bem, ento imaginei que estaria um arraso. 
- Eu quero todos os detalhes depois - Ellen me intimou, depois fugiu para o quarto dos nossos pais.
Eu respirei fundo, peguei minha pequena bolsa de festa, e fui em direo da escada. Outra respirao profunda na porta da frente.
Coloquei um sorriso no rosto e abri a porta.
Meu sorriso desapareceu.
Frank vestia exatamente a mesma roupa que estava usando durante a conveno: cala jeans e uma camisa plo verde de mangas compridas.
O rosto de Frank empalideceu alguns tons e seus olhos se arregalaram assim que viu a minha roupa. Eu rapidamente dei um passo para trs, de modo que a porta cobrisse 
o mximo possvel do meu corpo. Ento, um largo sorriso se abriu em seu rosto.
- Eu adorei isso! - exclamou ele.
Eu o fitei, confusa. Era essa a estranha maneira dele elogiar a minha aparncia?
- Voc est indo disfarada - ele afirmou corriqueiramente. -  uma pena que eu no tenha pensado nisso.  brilhante! Voc vai parecer mais uma daquelas garotas 
bobas em seus vestidinhos, assim vai ter muito mais facilidade para espionar as conversas estpidas delas para o nosso artigo! Eu, no entanto, vou parecer um estranho 
no ninho. Eu esperei ansioso por essa misso de pesquisa durante toda a semana e nem pensei nisso!
-  isso mesmo - falei, colando um sorriso falso no meu rosto. - Esta sou eu, sempre pensando sobre o nosso artigo! - completei. "Ser que esse idiota reconhecia 
um comentrio sarcstico quando ouvia um? Ou ele apenas nunca ouvia nada.?"
Ele sorriu para mim.
- E  uma gracinha que voc tenha se esforado tanto para parecer sexy!
"Voc  o cara mais estpido que eu encontrei em toda a minha vida", pensei, enquanto olhava para ele.
Pelo menos agora eu tinha certeza. E era engraado ... eu nem conseguia odiar o Frank. Ele nunca havia escondido o fato de que era um completo imbecil. Eu  que 
no havia reconhecido isso. Ns estvamos indo ao baile para fazer uma pesquisa para o nosso artigo. Era algo estritamente profissional.
No momento em que Paul visse Frank de cala jeans e eu naquela roupa, ele poderia falar "eu te avisei".
"Bem, talvez seja bom que ele no esteja falando comigo.

CATORZE

- Olha s esse lugar! - Frank exclamava cheio de repugnncia, enquanto entrvamos no ginsio da escola.
- , eu sei - falei pensativa, olhando ao meu redor.
Tiras rosas e vermelhas estavam penduradas em todas as paredes e espalhadas pelo cho, e bales flutuavam sobre a gente. Parecia o cenrio perfeito para se estar 
com algum que voc amava, algum que ...
- O que eles fizeram, assaltaram uma floricultura? - continuou Frank.
Eu observei todas as mesas com delicados arranjos de rosas. Talvez houvesse uma poca em que eu teria zombado disso tambm, mas, agora, aquela decorao e as flores 
me deixavam sem ar. Elas eram lindas.
- Por que no nos sentamos? - perguntei, ansiosa por no ficar mais em p no meio da entrada. Frank estava carregando dois blocos de anotao. Ele era to atencioso 
que havia trazido um extra para mim.
- Vamos ver, qual a posio mais estratgica? - perguntou Frank, analisando o ambiente. - Ah, olhe, parece que seus dois amigos esto bem felizes.
Segui o seu olhar e avistei Paul e Katie danando uma msica lenta ao lado do palco.
Senti o meu corao se contorcer. Paul estava lindo. Ele vestia uma camisa social cinza de mangas compridas, combinando com uma cala preta. Katie estava bonita 
como sempre, em um moderno vestido vermelho.
Lgrimas surgiram em meus olhos e eu pisquei-os furiosamente. "Como deveria ser ficar' nos braos dele?", imaginei. "Sentir o corpo tocando o meu? Beij-lo..."
Ele me odiava agora, mas eu ainda queria que ele fosse feliz. "Eu acho que  assim que voc se sente quando realmente..."
"Quando realmente ama algum."
Eu me forcei a desviar o meu olhar, respirando com fora. Ento, avistei Linda agarrada ao Dave, e Sharon danando colada com sua nova paquera, um cara que sua irm 
havia lhe apresentado. As duas pareciam estar muito felizes, aconchegadas nos braos dos seus pares como se aquele fosse o lugar mais maravilhoso para se estar. 
Como eu pude pensar que carinho  algo para ser ridicularizado?
E por que eu pensei que agentaria vir ao baile? Eu deveria ter batido a porta na cara de Frank e dito para ele pesquisar sozinho. Mas no tinha sido capaz de fazer 
isso. E eu no poderia abandonar o baile agora. Eu no suportaria dar a Frank a satisfao de saber que ele havia me magoado. E tambm no suportaria deixar que 
Paul soubesse o quanto eu me sentia miservel. 
- Que tal naquele canto l? - perguntei a Frank. Um calafrio passou pela minha coluna quando eu me virei para olh-lo. "Eu no consigo imaginar que j estive maluca 
por voc", eu pensei.
Frank franziu a testa quando viu o local para onde eu apontava.
-  um pouco distante demais, mas podemos comear fazendo algumas anotaes sobre o ambiente.
Frank comeou a escrever desde o minuto em que nos sentamos  mesa. Enquanto escrevia mantinha um sorriso afetado no rosto. Abri o meu bloco e fitei a folha de papel 
em branco. Ento, levantei a cabea e espiei a pista de dana, incapaz de resistir  vontade de olhar para Paul.
Por que eu me torturava assim? Era melhor esquecer isso. Ele estava apaixonado por ela. E ns nem ramos mais amigos.
- Voc no acha que ns deveramos danar? - perguntou Frank.
-Ah?
- Bem, ns colheramos um material melhor se ficssemos l com eles.
Eu abri um sorriso amarelo. Houve um tempo em que eu pensaria que ele s estava dando uma desculpa para danar comigo.
Frank afastou a sua cadeira para trs e se levantou.
- Ento, vamos? - perguntou novamente.
Pisquei os olhos, pensando em uma desculpa para no ter que danar com ele. Eu no conseguiria ficar l no meio do ginsio, nos braos de Frank, sentindo nada. E, 
o que  pior, rodeada por pessoas que realmente se gostavam.
- Ns viemos para espionar, lembra-se? Voc no vai desperdiar todo esse disfarce que voc fez, certo? - ele pegou a minha mo e me guiou para a pista de dana.
"Certo, eu posso fazer isso", disse a mim mesma.
Frank colocou um brao ao redor da minha cintura e segurou a minha mo do modo como se faz quando danamos com um parente ou uma pessoa por quem no temos nenhum 
interesse. "Isso teria acabado comigo, caso eu ainda gostasse dele", eu me dei conta, agradecida por j ter enxergado a luz.
Balanamos de acordo com a msica. Eu fechei os olhos fingindo que o rapaz com quem eu danava no era o Frank. Era algum de quem eu gostava, cujos braos eu queria 
sentir ao redor do meu corpo. Eu suspirei e apertei as mos ao redor do seu pescoo, imaginando que estava danando com ... Paul.
Eu abri os olhos e, de repente, l estava ele. Paul. Logo atrs de Frank, danando com Katie e olhando diretamente para mim.
Eu me desvencilhei dos braos de Frank e comecei a dar passos para trs, esbarrando em um casal que estava atrs de mim.
- Me-me desculpe - gaguejei para eles.
- Qual  o problema? - perguntou Frank.
-  uma, bem,  uma inspirao - soltei de uma vez. - Eu tenho que ir escrever - falei e sa s pressas da pista de dana, desviando dos casais.
Eu localizei o meu bloco de notas, meu nico presente de Dia dos Namorados, sobre a mesa. Agarrei-o e depois corri na direo do porto de sada. A msica romntica 
que tocava no ginsio foi sumindo at virar um som distante. Eu me desmanchei em lgrimas assim que as duas portas do ginsio se fecharam atrs de mim.
Eu no sabia para onde ir, nem o que fazer. A nica pessoa que sempre me consolava desde que eu tinha cinco anos estava dentro do baile, danando com a garota que 
amava. E no haveria mais nenhum consolo vindo de Paul, nunca mais.
A porta do ginsio se abriu atrs de mim e a msica voltou a ficar audvel. Enxuguei minhas lgrimas, constrangi da de que algum pudesse me ver chorando no Dia 
dos Namorados. Como isso seria pattico!
- Erica?
"Paul"
Ele estava falando comigo.
Fiquei receosa de me virar. Receosa de que, no momento que visse toda a preocupao e carinho nos lindos olhos castanhos dele, eu recomeasse a soluar.
Ele caminhou ao meu redor, parando exatamente na minha frente. Ento, levantou meu queixo com seus dedos.
- O que foi que aquele idiota fez? - perguntou.
- Nada - murmurei, evitando olhar em seu rosto. - Voc esteve certo sobre ele desde o princpio - falei com a voz embargada, em meio aos soluos. - Bem, agora voc 
pode falar "eu te avisei" Eu mereo.
- Eu sinto muito - Paul falou suavemente. - Eu nunca quis te ver triste. Ele no merece as suas lgrimas, Erica.
- Ele no merece porque eu... - interrompi meu desabafo. "Cale a boca, Erica. Apenas cale a boca. Paul no merece que voc despeje tudo em cima dele. Ele no precisa 
saber como voc se sente em relao a ele. Isso s vai faz-lo culpado por te machucar, agora que ele ama Katie. Se voc realmente o ama, voc ir ficar de boca 
calada."
- Por qu? - ele perguntou. Ele deixou sua mo cair, e eu ainda no conseguia levantar a cabea. Como ele podia continuar sendo to maravilhoso depois do modo como 
eu o tratei no escritrio do Postscript? Ele levantou o meu queixo mais uma vez. - Erica? Voc vai me olhar? Por favor. Sou eu, Paul.
", eu sei"
O toque dele era to macio e quente que o meu nico resqucio de receio se dissolveu e eu me desfiz em lgrimas, meu corpo sacudia enquanto eu soluava. Ele me envolveu 
com seus braos e me puxou para perto, dando um abrao apertado. Eu afundei a minha cabea em seu peito.
Eu precisava tanto dele, e no queria de modo algum sair dali. Mas eu tinha que sair.
Os soluos comearam a cessar. Paul recuou lentamente erguendo o meu rosto e enxugando as lgrimas das minhas bochechas.
- Est tudo bem - murmurou ele em meu ouvido. - Est tudo bem. Shh.
Eu finalmente encarei os olhos dele. Prendi a respirao e minhas mos comearam a tremer. Eu pude ver todos os anos da nossa amizade, nossa incrvel amizade, refletidos 
em seus olhos sensveis.
Meu corao estava to disparado que eu podia at ouvir as batidas. Ento, ainda fitando os olhos de Paul, eu avancei um pouco em sua direo. Ele tambm aproximou 
o seu rosto do meu, ate que o espao entre ns ficou to pequeno que era possvel sentir a respirao dele em minha bochecha.
Seus lbios quase tocavam os meus. Um centmetro a mais e eles ficaram juntos. Eu podia imaginar a suavidade de sua boca, a doura do seu beijo...
Ai, meu Deus! Meu corao comeou bater ainda mais forte. Agora fazia sentido beijar Paul... fazia totalmente sentido. Era algo natural. Fazia sentido ser tocada 
por Paul. Fazia sentido segur-lo perto de mim. Fazia sentido querer beij-lo. Eu engoli seco.
Frank nunca havia me deixado desse jeito... ningum havia. Eu tive vontade de beijar Frank, sim. Mas ningum me conhecia to profundamente quanto Paul. Ningum tinha 
o poder de me comover mesmo quando eu tinha certeza de que nada me emocionaria. Paul era o meu melhor amigo.
"E eu estou apaixonada."
"No despeje isso sobre ele."
"No despeje isso sobre ele. No faa isso. Se voc realmente o ama, no faa isso. No depois de ele j ter encontrado uma outra pessoa. Uma pessoa que ele ama. 
Ele est apenas consolando voc agora. Ele no te ama. No mais."
- Eu... eu tenho que ir - gaguejei, me afastando dele. Ele permaneceu me fitando, cheio de confuso naqueles lindos olhos. E ento eu corri.

Quer Ser o Meu Namorado?
Uma lio aprendida tarde demais
Por Erica Park

"O Dia dos Namorados  o melhor ...  o nico dia dedicado inteiramente ao amor."
Esta  apenas uma das respostas que eu colhi quando entrevistei alguns de vocs para este artigo. Minhas perguntas foram elaboradas para mostrar a todos o quanto 
o Dia dos Namorados  uma data ridcula, uma ocasio inventada para as pessoas expressarem emoes superficiais por meio de presentes piegas e sentimentais.
Mas eu estava errada.
Enquanto eu ouvia cada um de vocs, percebi que no importa o motivo que levou  criao do Dia dos Namorados. Nem como ns escolhemos celebrar esta data. No importa 
se h um milho de ursinhos de pelcia nas vitrines agarrando caixas de chocolate em formato de corao com suas patas. Veja bem, diamantes so valiosos porque so 
raros de serem encontrados - assim como um verdadeiro amigo, ou uma pessoa que conhece voc profundamente. No entanto, os diamantes tambm so especiais porque eles 
no so incomuns. O significado deles  imediatamente reconhecido por quem os recebe. Um anel de diamantes simboliza amor e comprometimento porque  um presente 
tradicional nos momentos em que h a promessa de uma vida a dois.
Isto tambm  verdade para os presentes trocados no Dia dos Namorados. O que rosas vermelhas, chocolates e adorveis bichinhos de pelcia representam? Eles so maneiras 
simples e diretas de mostrar a uma pessoa o quanto voc gosta dela, assim como duas mos dadas sob a mesa ou um beijo roubado no corredor. Gestos de carinho como 
esses e palavras sentimentais que existem desde sempre, como" eu te amo", so smbolos do que se passa dentro de voc. O fato de no serem nicos e originais no 
os torna menos verdadeiros ou importantes. Quando voc ama algum, demonstra isso de todas as maneiras possveis: seja entregando a sua ltima ficha de fliperama 
para essa pessoa, abraando-a quando ela est triste ou dando a ela uma caixa gigante de trufas.
Qual a diferena se as palavras em seu carto foram escritas por Shakespeare ou pela loja do shopping? Elas significam a mesma coisa para a pessoa que deu o carto 
a voc. Eu s consegui entender isso h bem pouco tempo, quando descobri o que  um verdadeiro amor. Eu aprendi que  fcil ridicularizar mensagens carinhosas nos 
sacos de bombons enviados para voc ano aps ano. At o ano em que voc no recebe um.  ento que voc percebe o quanto aquilo a fazia se sentir aquecida por dentro. 
 fcil falar sobre a tolice dos casais que se tratam carinhosamente - at voc sentir algo forte o suficiente por algum e entender como  querer segurar essa pessoa 
e nunca mais deix-la ir embora.
Finalmente,  fcil rir do Dia dos Namorados - at voc entender que esta  uma data para valorizar aquilo que voc conquistou e, s vezes, perceber aquilo que perdeu.

QUINZE

Respirei aliviada quando entrei no escritrio do Postscript na tera-feira de manh. A edio do jornal sobre o Dia dos Namorados j havia sido distribuda pela 
escola e eu estava pronta para encarar Frank. Ele tinha deixado recados para mim no sbado  noite e duas vezes no domingo, e eu evitara encontr-lo durante toda 
segunda-feira. Tudo o que eu precisava falar a ele estava em meu artigo, que eu tinha entregado diretamente ao Sr. Serson no dia anterior.
- Quer dizer que a senhorita anti-sentimentalismo tambm tem um corao - falou Linda ao entrar no escritrio, sorrindo para mim.
- Pois  ... - murmurei. Levantei o olhar para a porta no momento em que outras pessoas da equipe comeavam a entrar, inclusive Frank.
O artigo que ele escreveu sobre a histria da evoluo do Dia dos Namorados havia ficado bem frio e chato. Assim como ele.
- O que voc estava tentando fazer? - perguntou ele, olhando de modo feroz para mim enquanto jogava um exemplar do Postscript sobre a mesa.
Eu sorri para ele.
- Tentando fazer? - repeti. - Eu no entendo - disse, cruzando os meus braos.
- Com o seu artigo - disse ele, revirando os olhos. - O que foi toda aquela bobagem sobre carinho e comprometimento? Eu pensei que voc fosse diferente. Mas, obviamente, 
voc e eu no temos nada em comum. Voc deveria imaginar como eu reagiria ao ler o seu artigo. Ento, eu vou tomar isso como um rompimento. 
Linda, David e Carrie escutavam tudo a uma certa distncia. Pelo jeito que balanavam a cabea e reviravam os olhos, parecia que no se surpreendiam com o que Frank 
falava. Ser que s eu no havia percebido o quanto ele era idiota?
- Eu nunca disse que voc no era inteligente, Frank - falei enquanto ele franzia a testa. - Voc est absolutamente certo - continuei. - E estou muito feliz por 
no termos nada em comum. Eu nunca conseguiria ser to rude quanto voc . A nica coisa que voc faz  menosprezar os outros. Eu s me arrependo de ter te ajudado 
com a campanha para o cargo de historiador. Voc nunca poderia representar o nosso corpo de alunos porque voc no tem respeito por nenhum de ns.
Ele engasgou, me olhando com espanto.
- Eu amo esse jornal - continuei. - E no existe a menor possibilidade de que eu desista de algo pelo qual batalhei tanto apenas porque terei que trabalhar com voc. 
Mas, sim, voc pode certamente tomar o meu artigo como um rompimento.  uma gracinha que voc j tenha entendido isso.
Frank deu um sorriso afetado.
- Seja o que for - murmurou, depois deu uma volta e sentou-se em sua cadeira, de costas para as pessoas.
Linda correu em minha direo.
- Voc est bem?
Sacudi os ombros.
- Apenas exercitando as minhas habilidades de edio - disse, enquanto Linda me olhava com uma cara de espanto. - Tava praticando como fazer cortes importantes na 
minha vida - expliquei com o meu primeiro sorriso sincero desde sbado  noite.
Caminhei para o meu armrio depois das aulas, aliviada de ver que Linda e Sharon no estavam por perto. As duas me pressionaram o dia inteiro para saber o que tinha 
acontecido com Frank e Paul. Linda j havia contado a Sharon sobre a minha discusso com Frank no escritrio do Postscript, e ambas estavam loucas para saber o que 
havia causado aquilo.
Eu apenas no estava no clima de explicar. Frank tinha deixado trs mensagens para mim durante o fim de semana, enquanto Paul no deixara nenhuma. E ele no tinha 
assistido  aula de Histria naquela manh. Eu tambm ainda no havia encontrado
Katie. Talvez os dois estivessem se esforando para no me encontrar. O que fazia muito sentido.
Eu no esperava mesmo falar com Paul depois de ter sado correndo do baile no sbado  noite; afinal era Dia dos Namorados e ele pertencia a Katie. Provavelmente 
eles haviam ficado grudados no domingo tambm. Pelo menos, de certa maneira, Paul e eu tnhamos feito as pazes naquela noite. Pelo menos ele no me odiava mais. 
No entanto, eu sentia que ele ainda preferia dar um tempo. 
Eu abri o armrio e empurrei meus livros para dentro. Foi quando me surpreendi com um papel dobrado, na estante superior. "O que  isso?", me perguntei. Meu nome 
estava escrito nele com uma caligrafia que eu conhecia to bem quanto a minha. A de Paul.
Prendi a respirao por um momento, abrindo lentamente o bilhete.
"Erica, me encontre depois da escola no Pac-Man."
Olhei novamente para aquele bilhete de uma linha, certificando-me de que havia lido corretamente. Por que Paul me convidaria para encontr-lo perto da mquina de 
Pac-Man? Aquele jogo eletrnico no estava funcionando h seis meses, e todos do
Bowl-a-Rama insistiam que ele no seria consertado.
Talvez ele tenha imaginado que um canto mais quieto da sala de fliperama fosse o local perfeito para me contar que no poderamos mais ser amigos. Que a nossa amizade 
desfeita no poderia ser recuperada. E o Bowl-a-Rama, onde ns tnhamos passado tanto tempo nos ltimos nove anos, era provavelmente o lugar mais doce que ele poderia 
imaginar para dizer adeus.

Respirei fundo, ento empurrei a porta da sala de fliperama do Bowl-a-Rama.
Eu me desequilibrei para trs.
Paul estava sentado atrs de uma mesa no centro da sala, rodeado por flores, bales, bandeirolas e caixas vermelhas de chocolate. Um cd player apoiado sobre a mquina 
de Space Invaders tocava suavemente uma msica romntica.
- Feliz Dia dos Namorados atrasado - disse ele para mim.
- Eu no estou entendendo - exclamei.
- O Lee me ajudou a arrumar tudo isso aqui - sorriu Paul levantando um saco de bombons. 
Peguei aquele saco de bombons e abri o pequeno bilhete que estava fixado nele.
Minha querida Erica,
Eu vou simplificar as coisas este ano. Voc  tudo para mim, e sempre ser. No existem flores ou chocolates suficientes para simbolizar o quanto estou apaixonado 
por voc, mas aqui est um comeo.
Com amor, Paul.
Minhas mos tremiam e eu olhei para ele.
- Mas e Katie... - eu comecei a falar.
- Katie terminou comigo na manh do Dia dos Namorados - explicou Paul. - Eu perguntei se ela se importaria em dar um pulo na conveno de quadrinhos, e ela ficou 
louca. Disse que aquele era o ltimo lugar que gostaria de ir, especialmente num Dia dos Namorados.
Meu queixo caiu.
 - Ento - continuou ele -, ela me falou que tinha a sensao de que, o verdadeiro motivo para eu querer ir era porque voc estaria l. Ainda que estivesse com Frank. 
E estava certa, mas eu no contei isso a ela. 
- Ela deve estar to triste - tentei comentar. O choque de ter acabado de ouvido tudo aquilo me deixou paralisada.
- No - falou ele. - Ela me contou que realmente gostava de mim como um amigo, mas no achava que eu era o cara certo para ela. Disse que no tnhamos nada em comum.
- Mas vocs foram ao baile juntos - falei. - Eu vi vocs danando msica lenta.
- Ns fomos como amigos - retrucou Paul, levantando-se e aproximando-se de mim. - No h definitivamente sentimentos mais fortes em qualquer um dos lados. Alm do 
mais, nenhum de ns conseguiria um outro par to rapidamente - ele sorriu, chegando ainda mais perto.
- Se ao menos eu soubesse disso naquela noite! - exclamei.
- Fico feliz que no. Ou no teria escrito o artigo daquela mesma maneira. Com o corao aberto.
Ele segurou as minhas mos.
- Bem, ento voc j sabe - falei. - Sobre como eu sinto, que eu escrevi aquilo sobre ns. Quer dizer, sobre eu e... bem, sobre o que eu... - respirei profundamente.
- Talvez seja melhor voc falar isso diretamente, assim no far nenhuma confuso - sugeriu ele.
- Eu te amo, Paul - falei. - Eu me apaixonei muito por voc. Estou completamente apaixonada, da maneira mais antiquada possvel.
Ele me fitou.
- Diga alguma coisa! - gritei.
Um largo sorriso se abriu em seu rosto, e seus olhos brilharam.
- Como o qu? - perguntou ele. - A garota que eu quis durante toda a minha vida acaba de confessar que est perdidamente apaixonada por mim. Qual  a resposta certa?
Comecei a gargalhar.
- Erica- ele disse suavemente - , eu nunca poderia fazer outra coisa seno te amar.  por isso que pedi que me encontrasse perto do Pac-Man. O que ns temos nunca 
poder ser quebrado, nunca.
Todo o meu corpo parecia se derreter com aquelas palavras.
- Eu estava com tanto medo de ter te perdido - falei com a voz embargada. - Eu tenho tanta coisa para te contar, sobre tudo o que eu aprendi, percebi...
- Shh - sussurrou Paul, tocando seus dedos em meus lbios. Eu pisquei, enquanto uma sensao de arrepio percorria todo o meu corpo at os dedos dos ps. Ento ele 
me envolveu com seus braos, puxando meu corpo contra o dele.
- Ns temos todo o tempo do mundo para isso - falou ele. 
Eu apoiei minha cabea sobre o seu peito largo, suspirando enquanto seus braos me abraavam. Ns danamos seguindo o ritmo lento da msica. Eu levantei o meu queixo, 
e ele abaixou o dele.
Pela primeira vez em nove anos, ns nos beijamos. Realmente nos beijamos.
Seguramos to forte um ao outro que parecia que viraramos uma nica pessoa. Eu saboreei a perfeio e o carinho daquele momento. Meus olhos se encheram de lgrimas 
de pura felicidade.
Parecia que o beijo havia durado uma eternidade. Mas num dado momento, nos afastamos um pouco, com os braos ainda presos.
- Valeu a pena esperar? - brinquei, surpresa em ouvir um tremor em minha voz.
Paul sorriu, depois balanou a cabea.
- Eu te amo - ele sussurrou.
E ento ele abaixou a cabea e me beijou de novo, suavemente. A sensao do seu toque era ao mesmo tempo familiar e nova, como se eu tivesse acabado de encontrar 
algo que deixara escapar por anos.

Dez razes para amar

Por Erica Park,
para seu jornal particular

10. Receber constantemente chocolates, mesmo que faltem uns 360 dias para o prximo Dia dos Namorados.
9. Dar beijos nos corredores da escola.
8. A aula de Histria se torna muito mais interessante.
7. Sharon, Linda e eu podemos ficar horas conversando sobre isso sem enjoarmos.
6. Voc pode sair junto com um outro casal, como Katie e seu novo namorado David, o diagramador do jornal.
5. Estudar junto passa mais rpido.
4. Algum sempre guarda um lugar para voc na lanchonete.
3. Voc no precisa ter dias montonos porque todos os dias so diferentes.
2. Amar  simplesmente incrvel.
1. Voc pode comemorar a vitria do seu namorado para o cargo de historiador da escola da maneira mais romntica possvel: jogando boliche ou fliperama e comendo 
uma poro dupla de batatas fritas.







*** FIM  ***
